FILMES:
Email: enterthedragon@bol.com.br

05092018 - UM PASSADO SOMBRIO:

Um Passado Sombrio (também conhecido no Brasil como Todos os Segredos) discute o quanto as crianças são realmente inocentes e o papel dos pais nos atos dos filhos. A estrutura e a estética do filme não acompanham a riqueza da temática e a despeito do seu assunto instigante passa uma sensação de telefilme ou série televisiva.
Uma criança desaparece e as suspeitas são Ronnie Fuller (Dakota Fanning) e Alice Manning (Danielle Macdonald), que acabaram de sair da prisão depois de sete anos por conta do sequestro e assassinato de um bebê, que elas cometeram quando tinham apenas onze anos de idade. O filme vai revelando a estória aos poucos, com flashbacks. Esse recurso prende a atenção da audiência, mas nem sempre as cenas representando o passado são misturadas organicamente à narrativa presente, aumentado a sensação de ser apenas um truque para manter o ritmo da produção. Outro problema é que a montagem acaba repetindo algumas cenas, da mesma forma que as novelas fazem, demonstrando uma clara falta de confiança na inteligência de quem assiste a obra.
Independente dos problemas, a estória toca em pontos interessantes e é até perturbadora em alguns momentos. Vemos as crianças como pessoas inocentes, que não tem discernimento para o certo e o errado e Um Passado Sombrio coloca essa visão em dúvida, mostrando com uma estória plausível - já houve casos parecidos na vida real - que os pequenos podem sim mentir e manipular. Ao mesmo tempo, de uma forma acertada atribui aos pais uma grande parcela de culpa, seja por omissão ou mesmo incentivando de forma explícita os filhos a seguir o caminho errado.
Um Passado Sombrio é um bom filme pelo peso dos fatos que narra e não pela sua forma. Tem coragem de mexer com alguns tabus e é eficiente em ser aflitivo - impossível não ficar incomodado e apreensivo vendo bebês chorando e correndo riscos. Será lembrado pela sua estória e não pelos seus planos e cortes.

21082018 - DEPOIS DAQUELA MONTANHA:

Um drama de sobrevivência estrelado por Kate Winslet e Idris Elba? Não precisa nem maiores detalhes para despertar o interesse do público. Os dois atores são conhecidos por escolher muito bem seus trabalhos, com raras exceções, é claro (alguém falou em Divergente?). E falando em exceções... este aqui é mais um caso de projeto infeliz estrelado pela dupla.

Depois Daquela Montanha conta a história de Alex (Winslet) e Ben (Elba), duas pessoas que ficam presos num aeroporto e temem perder compromissos inadiáveis. Às vésperas de seu casamento, Alex decide fretar um jatinho e convida Ben para dividir as despesas. Após um acidente, o avião acaba caindo em uma região montanhosa tomada por neve, sem vestígios de civilização por perto. Os dois, então, devem decidir se permanecem no local e esperam por um socorro ou se procuram alguma cidade ou moradia por perto.

Winslet e Elba são atores talentosíssimos, e possuem uma boa química juntos. No entanto, nada salva o pobre roteiro de J. Mills Goodloe e Chris Weitz. Na verdade, chega até a ser um mistério como atores do tamanho dos dois protagonistas aceitaram a gravar algumas das linhas presentes no texto, especialmente a breguíssima cena final.

Dirigido por Hany Abu-Assad, o filme representa uma tendência do cineasta pelo épico raso, pelo mais fácil. Após o ótimo Paradise Now, ele realizou o piegas e clichê O Ídolo e agora vem com The Mountain Between Us (no original).

A obra não funciona como ação, drama de sobrevivência ou romance. Oferece belas tomadas, muito por causa das paisagens incríveis da região. A fotografia de Mandy Walker reforça os vastos espaços e a força daquela imensidão branca, mas é muito pouco para salvar o filme, algo que nem dos badalados protagonistas conseguem.

Contando com Beau Bridges e Dermot Mulroney em papéis secundários, o longa conta com um terceiro protagonista, um simpático cão labrador que fica preso na montanha com a dupla principal, embora ele mesmo tem problemas com os dois sobreviventes.

VOLTAR