FASCISMO NO BRASIL:

VEJA 2 CANALHAS: - http://www.manoftheworld.com.br/brasildehoje.htm

10102020 - TODO MUNDO TEM SUA BOIADA:

A indicação de Kassio Nunes para o STF, na última semana, mostrou que a prioridade de Bolsonaro é dar sequência às trocas de afagos, interesses e cargos que sempre moveram as engrenagens do Centrão, garantindo apoios para se manter no poder após 2022. O encontro no último sábado na casa do ministro do STF Dias Toffoli só deixou mais claro o acordão entre os três poderes orquestrado por Bolsonaro para salvar a si próprio e aos filhos.

Enquanto o governo trabalha pela sua manutenção no poder, a mídia patrocinada segue apoiando e pressionando pelas reformas Tributária e Administrativa — nos moldes de Paulo Guedes e praticamente sem ressalvas. O acordão de Bolsonaro parece não incomodar, contanto que as reformas andem e o presidente fale pouco. As grandes redações e seus financiadores também têm suas “boiadas” para passar.

No Intercept, podemos dizer com orgulho que assistimos a esse espetáculo de toma lá dá cá e de avanço neoliberal de fora — mas não de longe. Sem patrocinadores, sem acordos com empresas, bancos e indústrias, que permeiam tanto as bancadas do Congresso quanto as dos grandes jornais, temos independência para questionar e investigar. Não queremos um Bolsonaro "domado" que abra caminho para reformas que beneficiam os ricos e poderosos e precarizam ainda mais a vida do trabalhador brasileiro. Queremos Bolsonaro investigado e que as reformas de que o Brasil precisa sejam debatidas, analisadas e discutidas com a sociedade. Aqui não tem "boiada": tem jornalismo realmente independente, profundamente corajoso e muito, muito comprometido com direitos e o interesse público.

O preço dessa independência é ter menos recursos para investir em novas contratações para a equipe, em infraestrutura e em profissionais freelancers. É aí que entra nosso maior segredo: o Intercept só existe porque milhares de pessoas fazem esse trabalho acontecer!

Estamos muito longe da receita de anúncios que a mídia patrocinada tem. O que nós arrecadamos não paga nem uma mínima fração do que os grandes empresários escoam para as redações em busca de apoio disfarçado de jornalismo. Não temos apoio do governo. Não rodamos anúncios ou "conteúdo patrocinado" como você certamente vê aos montes em outros sites. Porque o Intercept não aceita grana que vem em forma de quid pro quo. Essa galera que nos prejudica, que deve ser investigada, que é inimiga da democracia. Eles não usam sua grana para nos pagar: usam para nos processar! E é assim que nós gostamos!

03092020 - A REDE ATLAS:

Nesta semana nós falamos sobre aqueles garotos que iam mudar o mundo. Foram três reportagens que mostraram a verdadeira natureza do MBL: interferindo na imprensa para punir um adversário, rompendo com o bolsonarismo por qualquer outro motivo menos a corrupção da qual Flavio Bolsonaro é acusado, e tramando artimanha ilegais para fundar ser próprio partido. O que o MBL diria sobre o que o MBL andou fazendo.

A newsltetter de hoje é para sugerir que vocês voltem ao passado. Em uma reportagem de 2017, nosso colega do Intercept dos EUA, Lee Fang, mostrou como movimentos estilo MBL foram gestados na América Latina para derrubar governos de esquerda. Quando falo em público sobre o trabalho de Fang, muita gente pensa que é teoria da conspiração. Então leia isso:

“Chafuen cita diversos líderes ligados à Atlas que conseguiram ganhar notoriedade: ministros do governo conservador argentino, senadores bolivianos e líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff – um exemplo vivo dos frutos do trabalho da rede Atlas, que Chafuen testemunhou em primeira mão.

“Estive nas manifestações no Brasil e pensei: ‘Nossa, aquele cara tinha uns 17 anos quando o conheci, e agora está ali no trio elétrico liderando o protesto. Incrível!’”, diz, empolgado. É a mesma animação de membros da Atlas quando o encontram em Buenos Aires; a tietagem é constante no saguão do hotel. Para muitos deles, Chafuen é uma mistura de mentor, patrocinador fiscal e verdadeiro símbolo da luta por um novo paradigma político em seus países.”

Alejandro Chafuen é “um argentino-americano, passou a vida adulta se dedicando a combater os movimentos sociais e governos de esquerda das Américas do Sul e Central, substituindo-os por uma versão pró-empresariado do libertarianismo.” Ele comanda a Rede Atlas, uma organização que conseguiu alterar o poder político em diversos países, uma extensão tácita da política externa dos EUA – os think tanks associados à Atlas são discretamente financiados pelo Departamento de Estado e o National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia – NED), braço crucial do soft power norte-americano.

Escreve Fang: “A rede é extensa, contando atualmente com parcerias com 450 think tanks em todo o mundo. A Atlas afirma ter gasto mais de US$ 5 milhões com seus parceiros apenas em 2016.” Em 2016, vocês sabem, Dilma foi apeada do poder.”

É importante seguir de perto o MBL e não desprezar seu poder de influência. Eles fizeram mais de um milhão de votos na última eleição e seguem com uma máquina de propaganda ativa. Seu candidato a prefeito de São Paulo, Arthur do Val, o Mamãe Falei, vai mal nas pesquisas, mas é o segundo candidato que mais anda bem nas redes sociais, uma arena decisiva, cada vez mais. Tudo o que conhecemos hoje como “gabinete do ódio” foi testato pelo MBL lá atrás – pressão em personalidades, escracho público, mentiras – com treinamento e dinheiro de fora do país. O MBL segue por aí, é parte do futuro da política. Eu sugiro que vocês leiam a reportagem do Lee e depois leiam a nossa série (que está logo aqui abaixo, e que tem áudios).

Bom final de semana.

30092020 - 7 SEMANAS PARA DETERMINAR O FUTURO:

Esta é provavelmente a mensagem mais importante que envio em 2020 para nossos leitores mais fiéis. Por favor, leia com atenção.

Com o início da campanha eleitoral o Intercept disparou sua cobertura especial. Estamos a menos de 50 dias das eleições municipais que certamente sacudirão o já caótico cenário político brasileiro e têm tudo para piorar ainda mais as nossas condições de vida.

Não é preciso ver as pesquisas para saber que nos próximos meses vamos lidar com a maré de ódio, fundamentalismo e desinformação que inunda o país. Daqui a poucos dias, candidatos estarão disputando a tapa a sua atenção — dividida, ainda, com o noticiário da pandemia. Discursos, imagens e apelos dos concorrentes soarão mais atraentes do que nunca, e é nesse momento que você precisa ser racional e nós, implacáveis. Essa cobertura vai exigir que o Intercept invista tudo o que puder para entrar pesado na luta por informação e transparência e enfrentar a enorme difusão de fake news.

O seu apoio torna nossa missão possível. Junte-se a nós nesse front.

É ingenuidade achar que as eleições municipais são menos importantes do que o pleito nacional. É agora que o jogo de 2022 começa. As municipais constituem o evento mais importante para milhares de cidades de médio e de pequeno porte, e por isso são essenciais para a vida de milhões de brasileiros. É agora também que se desenham coligações, estratégias, partilha de verbas e diretórios que influenciam e muito a política nacional. Como Bolsonaro sairá desse processo? Quantos aliados conseguirá eleger? Quem vai ter coragem de peitar o bolsonarismo? Em que medida as eleições fortalecerão as milícias? Qual o real peso que os evangélicos representam na política atualmente? A esquerda será capaz de compor um campo efetivamente relevante após a onda de 2018?

Essas são perguntas que estão pipocando aqui na redação, além, claro, dos grandes temas que nos motivam diariamente. Assim como você, também nos preocupamos com meio ambiente, educação, saúde, violência urbana. Resumindo: temos 50 dias desafiadores e decisivos pela frente. Porque só o jornalismo independente tem peito e poder de fogo para confrontar o poder e manter os políticos sob vigilância. Você viu esse filme em 2018 e o vê sempre que a imprensa tradicional evita dar nomes aos bois: para eles não é violência, é "polêmica"; Bolsonaro não mentiu na ONU, "se defendeu"; não é o latifúndio que desmata, o agro que “é pop”.

Nós queremos continuar fazendo diferente e fazendo a diferença. Queremos mais uma vez entregar uma cobertura do tamanho que este país precisa, com jornalismo que não se ajoelha, que aponta o dedo, revela acordos feitos por baixo dos panos e não se apequena para não perder patrocínio ou anúncios. Queremos manter nossos jornalistas trabalhando com plenas condições para fazer o possível e o impossível, com respaldo jurídico e certeza de que não faltará recursos para explorar ângulos negligenciados e realizar o trabalho único que o Intercept faz há quatro anos.

É arriscado, é custoso e não dá lucro. Por isso, só é possível se mais e mais pessoas se juntarem em torno dessa missão. Temos só 50 dias pela frente e por isso te pergunto: topa o desafio de cobrir mais uma eleição com coragem junto com a gente?

Um abraço,

Leandro Demori
Editor executivo
 

28092020 - ÁUDIOS EXCLUSIVO : AS ESTRANHAS DO MBL:

Conversas trocadas por dirigentes do Movimento Brasil Livre (MBL) no aplicativo Telegram revelam como o deputado estadual Arthur do Val (PATRIOTAS), o Mamãe Falei, imputou a um desafeto do grupo falsas acusações de crime com o objetivo de interferir na rádio Jovem Pan. Do Val é pré-candidato a prefeito de São Paulo.

A reportagem que o Paulo Victor Ribeiro assina comigo mostra – com áudios exclusivos – como os líderes nacionais do MBL se agitaram quando o humorista Filipe Ferreira ganhou espaço na bancada programa Pânico. Foi a partir daí que Mamãe Falei e os irmãos Renan e Alexandre Santos, fundadores do Movimento, começaram a tramar um plano para tirar o comediante da rádio.

As mensagens utilizadas na matéria fazem parte de uma série de conversas enviadas ao Intercept pela mesma fonte do arquivo da Vaza Jato. Elas vieram no mesmo período, mas num pacote separado, e não guardam relação com as conversas dos procuradores da República e do ex-juiz e ex-ministro bolsonarista Sergio Moro.

O Intercept acredita que essas mensagens são de inquestionável interesse público porque foram trocadas por pessoas públicas e trazem informações relevantes sobre a atuação do MBL, um grupo surgido nos movimentos pelo impeachment de Dilma Rousseff, em 2013, cujos aliados ao longo do tempo incluem alguns dos políticos mais influentes do país.

A reportagem de hoje inaugura uma micro-série que publicaremos a partir do extenso trabalho de apuração que envolveu fontes externas e cruzamento de informações e eventos citados nas próprias conversas. Não deixe de acompanhar. O material que agora revelamos demonstra os métodos de atuação de um importante grupo político que não apenas elegeu parlamentares, mas que possui inequívoca relevância no debate público brasileiro.

14092020 - SEM CARNE, SEM LEITE, SEM ARROZ: SEM Sem carne, sem leite, sem arroz
Fonte: The Intercept Brasil -  Juliana Gonçalves

Esse mês não tem carne vermelha, nem arroz e nem leite na minha casa. Me recusei a pagar R$6 em um litro de leite. Desde o início da pandemia de coronavírus, o volume de compras no mercado foi diminuindo mês a mês. Tudo está mais caro.

Questionei nas minhas redes sociais o que as pessoas cortaram da lista de compras e as respostas se repetiram. A manteiga, o leite, o arroz, o feijão, o óleo de soja e a carne vermelha foram limados das nossas listas de compras mensais. Uma das pessoas que me respondeu disse que está fazendo como todo pobre: substituindo o arroz por macarrão. Inclusive, a orientação do presidente da Associação Brasileira de Supermercado, João Sanzovo Neto, é incentivar o consumo de massas.


O queijo também foi um produto bastante citado nas respostas. Ele sumiu da nossa mesa. Falo por mim e por alguns amigos, mas ter queijo em casa é simbólico. Quando a gente consegue melhorar um pouquinho de vida passa a ter queijo todo dia porque esse é um status que o pobre faz questão de ter. Mas agora ele voltou a faltar. O quilo da mussarela está passando dos R$40 – mesmo preço do pacote de 5kg de arroz em alguns lugares.

A essa altura você talvez já saiba os argumentos que justificam a alta dos alimentos. Estamos em entressafra. Com o dólar alto, a galera do agro está vendendo a produção para outros países para faturar mais. Supostamente, o auxílio emergencial fez o povo comprar mais comida. Além daqueles que correram para os mercados para fazer estoque de alimentos lá no início da pandemia. Com menos oferta e mais procura, os preços sobem. São as leis de um mercado que nunca foi justo. Quem tem grana se adapta e quem não tem deixa de comer. Mas é apenas isso? O governo não pode fazer nada? Ou o mercado regula tudo e se faltar comida, paciência? Sim, é exatamente o que pensa Jair Bolsonaro.

Não há esperança de um cenário melhor nos supermercados pelo menos até o final do ano. O fato é que com a taxa recorde de desemprego (menos 8,9 milhões de postos de trabalho) e a redução do auxílio emergencial pela metade, muitas famílias não terão como comprar comida. O pobre que já foi o mais afetado pelo coronavírus é o que não consegue fechar a conta no caixa – lembro também que essas pessoas têm cor e você não precisa nem clicar para adivinhar qual é. Dou só uma chance.

A covid evidenciou um cenário de precarização da vida e do racismo estrutural a que estamos submetidos. Agora, os altos preços dos alimentos e o desemprego servem de gasolina para esse ciclo sem fim da desigualdade social no Brasil.

Te pergunto o que você já deixou de comprar no supermercado com a alta dos preços nos últimos tempos. Porém, também deixo o alerta que, para além das substituições nas nossas listas de compras, temos algo maior para nos preocuparmos nesse cenário: a fome.

Isso aqui é de julho do ano passado: “Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira”. Quem disse essa frase? Claro que vocês também já sabem.

Isso é de quinta-feira passada, sobre o arroz: "Eu não vou interferir no mercado, o que tem que valer é lei da oferta e da procura". Sim, ele de novo.

Faz parte de um projeto em andamento, um projeto eficiente de morte. Um projeto tocado por Bolsonaro e outros mais. Quem leu isso aqui não se surpreende.

Quem não leu, precisa ler.

PRECISA.

AGORA.

A MENSAGEM QUE VOCÊ QUER LER HOJE:

Em alguns momentos, apesar de todos os problemas, percalços e riscos que a profissão envolve, fazer jornalismo dá muita alegria. Para nós do Intercept, este mês é um deles: nos últimos dias, assistimos ao nosso trabalho render uma sequência de impactos de tirar o fôlego.

Na semana passada, a Nayara Felizardo contou em reportagem como a “rainha da quentinhas” Idalina Mattos, cuja empresa fornece refeições para 14 prisões do Ceará, lucra milhões com superfaturamento e fraudes (ela atenderia a unidades que nem foram construídas e a outras que já fecharam). Dois dias depois, no dia 8, o Ministério Público do Ceará instaurou um inquérito para apuração do caso, citando a matéria do Intercept.

No dia seguinte, o Conselho Federal da OAB aprovou o pedido para investigar a atuação da força-tarefa da Lava Jato no Paraná. A ação é resultado direto de denúncia da Agência Pública e do Intercept, baseada nos documentos do acervo da #VazaJato que recebemos de uma fonte anônima, que revelou o envolvimento e a forte influência de quadros do FBI na força-tarefa paranaense da operação. O líder da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, recebeu pouco depois, dia 9, o prazo de 15 dias para explicar ao Conselho Nacional do Ministério Público as relações com o departamento americano de investigação.

E esta semana soubemos do impacto na vida de centenas de professores: a startup de reforço educacional “Alicerce”, que tem Luciano Huck como sócio e garoto-propaganda, anunciou que irá manter toda a equipe de educadores trabalhando — com carga horária mínima — pelo menos até janeiro. Em abril, matéria nossa assinada por Hyury Potter revelou que dezenas de profissionais da Alicerce foram dispensados, via Whatsapp (!), após o fechamento das escolas, devido à pandemia. A matéria gerou um bafafá imediato e forçou a Alicerce e Huck a se posicionarem. A startup também anunciou um auxílio financeiro para os professores produzirem material pedagógico. Será que tudo isso teria acontecido sem a reportagem?

Em meio à avalanche de notícias ruins que temos visto diariamente, são essas histórias transformadoras que nos motivam a continuar acreditando no jornalismo.

16072020 - FALTAM 15 DIAS...

Na segunda-feira publicamos uma matéria que estava em produção desde o ano passado e que nos encheu de orgulho. Trata-se da história de Paulo César Quartiero, arrozeiro e pecuarista, que pratica, há quase 50 anos na Amazônia brasileira, a ideologia de Bolsonaro. Quartiero posa para fotos como "matador de índios" (em suas palavras) e fala abertamente em "enforcamento para ambientalistas". O latifundiário possui uma dívida em multas que ultrapassa R$ 56 milhões por desmatamento e atividade produtiva sem licença e mesmo assim continua atuando sem ser incomodado.

Esse tipo de história demanda tempo por muitas questões. Primeiro, pelo risco óbvio que é tratar de uma dessas figuras perigosas que tomaram conta do país. Mas também porque o acesso a informação nesses casos é difícil. É preciso fuçar arquivos públicos, cultivar fontes e virar a vida dessas pessoas de cabeça pra baixo para coletar o máximo de dados possível. Depois, há um longuíssimo trabalho de checar e editar o material. Por isso, levamos meses trabalhando nesse caso. Ele nos orgulha porque é possível afirmar com tranquilidade: essa história, com esse tratamento e cuidado, você só vai ler no Intercept.

A força que nos é dada pelos nossos leitores nos permite funcionar de uma maneira totalmente diferente de outras redações brasileiras. Não temos rabo preso com anunciantes ou patrocinadores. Mas o mais importante é que conseguimos garantir que os jornalistas disponham dos recursos necessários para seu trabalho: apoio jurídico, tempo de apuração e tudo que for necessário para sua segurança.

É por isso que em uma semana demos com exclusividade informações sobre as milícias no Rio de Janeiro, na outra investigamos escândalos de superfaturamento e nessa fizemos o perfil de uma figura assustadora como PC Quartiero.

O apoio de milhares de brasileiros nos permite enfrentar o poder e os perigos para contar essas histórias. Você sabe, nenhum outro canal tem o poder de fogo jornalístico e a coragem de fazer o jornalismo investigativo que fazemos aqui.

Estou te escrevendo hoje porque queremos continuar atuando assim, mas enquanto redijo essa mensagem, ainda faltam cerca de R$ 20 mil para batermos a meta mensal que estabelecemos em abril. É fundamental que alcancemos essa meta até o final de julho porque nossos repórteres e editores precisam saber quais recursos ficarão disponíveis para planejarmos os próximos meses. Estamos desde abril correndo atrás dela com o objetivo de que a redação foque em contar grandes histórias, sem contar centavos. E você sabe o tanto que temos pela frente: eleições, desgoverno Bolsonaro, mortes acumuladas por conta da pandemia, devastação da Amazônia, desmonte da educação pública, violenta retirada de direitos, enfrentamento do Gabinete do Ódio e mais.

11072020 - DELTAN QUE AMA O FBI QUE ODEIA A PGR:

Em mais uma de suas notas indignadas, a Lava Jato de Curitiba esperneou na quinta-feira à noite contra a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que obrigou forças-tarefas do Ministério Público a compartilharem os dados de suas investigações com a Procuradoria-Geral da República.

"Lamenta-se que a decisão inaugure orientação jurisprudencial nova e inédita, permitindo o acesso indiscriminado a dados privados de cidadãos", choramingou a equipe liderada por Deltan Dallagnol, se colocando – como sempre acontece quando se tenta pôr limites na fúria persecutória dela – no papel de vítima de uma arbitrariedade.

Pois vamos esquecer as prováveis intenções não-republicanas do procurador-geral Augusto Aras, chapa de Jair Bolsonaro, e olhar para o modo de agir da patota de Curitiba.

O diálogo a seguir, travado pelo Telegram, é inédito:

9 de março de 2016 – Chat 3Plex RESTRITO

Paulo Roberto Galvão – 10:45:35 – videoconf com prdf, vcs podem 17h? pq eles estão com aquele problema de fechar a pr às 18h

Julio Noronha – 10:46:52 – Januário, Athayde, Robinho, Jerusa e eu

Noronha – 10:48:18 – Pode ser! De repente, quem não ficar na oitiva, poderia participar da vídeoconf

Galvão – 10:49:06 – seria importante alguém ver o que tem no pic da prdf antes da reunião, para ver se tem coisas interessantes mesmo e coisas que nós não teríamos dificuldade para reproduzir

Galvão – 10:49:24 – Obs.: ninguém mencionar que tivemos acesso ao Pic, pois foi passado em off

Noronha – 10:50:26 – Ok

Vamos te ajudar a entender a conversa entre os procuradores. PIC é a sigla pela qual eles chamam os procedimentos de investigação criminal que podem abrir ao bel-prazer, sem precisar de autorização de um juiz. Off é um jargão do jornalismo que descreve algo passado por uma fonte que quer ficar no anonimato. Transplantado para o ambiente do MPF, quer dizer que algum procurador entregou um inquérito aberto em Brasília aos colegas de Curitiba, mas ninguém poderia saber disso. Ou seja – o compartilhamento era indevido.

Não foi nem de longe a única vez. Já contamos, em parceria com o UOL, como a força-tarefa de Curitiba utilizou sistematicamente contatos informais com autoridades da Suíça e de Mônaco para obter provas ilícitas. Fez isso para prender alvos considerados “prioritários”, vários dos quais viraram delatores premiados.

E, com a Agência Pública, narramos como a turma de Deltan contornou o Ministério da Justiça e tratados de cooperação internacional para colaborar com o FBI e o DOJ, o Departamento de Justiça dos EUA.

Vamos relembrar um trecho dessa reportagem:

Quase dois meses seguintes à reunião em Curitiba, as preocupações de [Vladimir] Aras [, procurador responsável pela cooperação internacional na Procuradoria Geral da República,] se acumularam quando Dallagnol o informou de que “o DOJ já veio e teve encontro formal com os advogados dos colaboradores, e a partir daí os advogados vão resolver a situação dos clientes lá… Isso atende o que os americanos precisam e não dependerão mais de nós”. Na visão de Dallagnol, os “EUA estão com faca e queijo na mão” — a investigação nos EUA já era um fato consumado, que nem o MPF nem o governo Dilma poderiam frear. Os acordos de delação nos EUA continuam sob sigilo até hoje.

Se procuradores trocaram entre si informações sem precisar de autorização judicial, buscaram por baixo dos panos dados com autoridades europeias e dividiram alegremente o que tinham em mãos com a turma do FBI, por que agora a Lava Jato tanto resistiu para compartilhar o que tem com a PGR, que é quem chefia o Ministério Público Federal?

Nós temos algumas suspeitas.

A PGR tornou pública, mês passado, a desconfiança de que políticos como Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, respectivamente presidentes da Câmara e do Senado, foram alvos de uma “investigação camuflada” pelo grupo de Dallagnol, apesar de estarem fora da alçada de Curitiba.

Some-se a isso a revelação de que a Lava Jato deixou mais de mil inquéritos inconclusos ao longo do tempo e chega-se à conclusão de que há um material de dimensões desconhecidas armazenado no Paraná. Não é surpresa que os procuradores tenham se esquecido, na nota, do discurso de que o compartilhamento de dados entre investigadores é uma “boa prática”, como já disseram a respeito da troca de informações com órgãos internacionais revelada em reportagens da Vaza Jato. Para se defenderem, era bom. Agora, acham ruim.

Mas não é só a cautela que move a Lava Jato neste momento. Cálculos e maquinações políticas sempre estiveram no horizonte dos procuradores. A Lava Jato, como já mostramos, é um partido político em gestação, com candidatos ao Senado (o próprio Deltan) e a presidente em 2022, Sergio Moro.

Acha exagero? Então dá uma olhada nesse vídeo que um movimento político comandado das sombras por Deltan Dallagnol produziu em setembro de 2015:

Parece coisa de campanha eleitoral, não? Pois é. E temos visto um desavergonhado Sergio Moro tentando fazer o distinto público acreditar que ele tem tantas ressalvas a Jair Bolsonaro (que ajudou a eleger e a quem bajulou enquanto serviu como ministro) quanto a Lula (que tornou inelegível ao prender sem provas).

Moro, Deltan e os seus já têm o discurso pronto para 2022. Serão os heróis contra a corrupção e o sistema político perverso que está impedindo a Lava Jato e o ex-juiz que largou a carreira de limpar o país. Se a operação estiver em andamento até lá, aos oito anos de duração, quem irá impedi-la de usar as investigações para tirar do caminho adversários políticos ou constranger potenciais aliados cujo apoio pode ser importante a não melindrá-los?

As mais de mil investigações abertas ainda estarão à mão. E quem não se lembra de como a Lava Jato vazou seletivamente grampos da então presidente da República para impedir que Lula virasse ministro e lhes fugisse do alcance?

Moro, Dallagnol e companhia já usaram a investigação que comandam para ajudar a decidir uma eleição presidencial em que nem concorriam. Dá pra imaginar o que farão se o nome deles estiver nas urnas. Pelo bem da democracia, é bom que eles sejam apenas candidatos em 2022.

01072020 - ZANIN: ESTÁ PROVADO QUE AÇÃO DOS EUA NA LAVA JATO NÃO TEORIA DA CONSPIRAÇÃO:

Em tom irônico, o advogado Cristiano Zanin Martins, um dos responsáveis pela defesa do ex-presidente Lula, afirmou que, após a nova Vaza Jato, a "teoria da conspiração'" sobre a cooperação "informal" entre Operação Lava Jato e EUA "estava absolutamente correta"

247 - Um dos responsáveis pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o advogado Cristiano Zanin Martins reforçou que houve uma cooperação ilegal da Lava Jato com os Estados Unidos, após reportagem do The Intercept Brasil revelar a realização de diligências entre membros da operação e do FBI fora dos parâmetros legais.

"Essa reportagem de hoje da Vaza Jato mostra que a 'teoria da conspiração' que apresentamos desde 2016 sobre a cooperação 'informal' dos EUA para construir casos no Brasil, usar o FCPA para 'entrar' em empresas brasileiras, etc estava absolutamente correta", escreveu o defensor no Twitter.

De acordo com a Vaza Jato, uma das consequências da relação promíscua entre o FBI e o Ministério Público Federal no Paraná foi acelerar a destruição da Odebrecht, uma das principais construtoras do País.

Outro detalhe é que o procurador e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, admitiu que a Polícia Federal preferia tratar diretamente com os norte-americanos um pedido de extradição de um suspeito da operação em vez de seguir as vias legais, ou seja, sem passar pela Procuradoria-Geral da República nem pelo ministério da Justiça. Ou o Governo do Estados Unidos colocaram um presidente do fascismo no Brasil (Bolsonaro), roubam o nosso petróleo com o valor de 3 trilhões de dólares. O Estados Unidos acabou o Brasil. 

VOLTAR