BRUCE LEE THE BEST

 

21072017:

 

05072017 - ETERNO MESTRE:

0101072017 - ENTER THE DRAGON:

18062016 - O VÔO DO DRAGÃO:

15062017 - UMA FÃ CALÇADA DA FAMA, EM HOLLYWOOD:

05062017:

15052017 - FOTOS:

12032017 - OS POSTERES DE "OPERAÇÃO DRAGÃO" E "OPERAÇÃO YAKUZA", O QUE VOCÊ ACHA?

22022017 - MINI POSTER PARA VOCÊ.

12022016 - FOTOS DO brucelee.com:

07033017 - MORREU O ATOR  MICHAEL MASSEE (01-09-1953  -  20-10-2016):

O ator morreu em Outubro passado. Agora recebi esta notícia. Michael foi o ator que, por acidente, matou Brandon Bruce Lee no set no filme "O CORVO". Felizmente não existe NADA sobre a morte de Brandon.
Michael nunca superou este acidente. Que fique em paz, Michael.

0202017 - VOCÊ CONSEGUE ALGUM FILME PARECIDO COMO ESTE:

"GRAYSON" É, NA VERDADE, UM PERSONAGEM DO UNIVERSO DE "BATMAN", DA DC COMICS. DICK GRAYSON, O PRIMEIRO ROBIN, AGORA UM É AGENTE E A EDITORA COPIOU O POSTER "OPERAÇÃO DRAGÃO". LEGAL.

30012017 - BRUCE LEE NO FACEBOOK - CRIADO POR MIM:

1025012017 - BLU-RAY DO MESTRE NA INGLATERRA, COM POUCOS EXTRAS, COMPREI O BOX MAS É REGIÃO 2.

FOTOS:

18122016 - FOTO CLÁSSICA:

05122016 - MORRE O ATOR VAN WILLIAMS:

Van Williams faleceu no dia 28 de novembro, mas a informação somente foi divulgada hoje, dia 5 de dezembro. Williams tinha 82 anos de idade e, segundo o Variety, ele morreu vítima de falha renal.

Van Zandt Jarvis Williams nasceu no dia 27 de fevereiro em Fort Worth, Texas.

Antes de iniciar sua carreira de ator, Williams trabalhou como instrutor de mergulho no Havaí. Através desse trabalho, ele conheceu o produtor Mike Todd (na época marido de Elizabeth Taylor), que o incentivou a buscar uma carreira artística em Hollywood, indicando seu próprio agente como contato.

Após terminar seus estudos, Williams se mudou para Los Angeles, onde foi contratado em 1958 pela Revue Studios, subsidiária da Universal que o colocou no elenco de alguns teleteatros. Foi nesta época que adotou seu nome artístico.

Em 1959, a Warner Brothers comprou seu contrato, colocando-o como ator convidado em episódios de séries que eram produzidas por ela na época, como Colt 45 e Lawman.

No mesmo ano, a Warner o colocou no elenco de sua nova produção, Bourbon Street Beat, série sobre dois detetives particulares e um estudante de direito (Williams) que solucionavam crimes em New Orleans.

A série foi cancelada com apenas uma temporada de trinta e nove episódios, mas o personagem de Williams tinha conseguido conquistar um bom público, o que levou a Warner a transferi-lo para o elenco de outra nova produção do estúdio, Surfside 6. Williams interpretou o mesmo personagem que, agora formado, passa a trabalhar ao lado de detetives particulares que atuam em Miami.

Esta produção chegou a conquistar uma boa audiência graças à presença de Troy Donahue, ator que já era conhecido por suas comédias românticas no cinema.

Segundo Williams em entrevista à revista TV Séries, apesar da boa receptividade da série, a rede ABC decidiu cancelar Surfside 6 porque desejava reduzir o espaço de sua grade destinado aos programas da Warner Brothers. Assim, Troy, que gerava audiência, foi transferido para o elenco de Hawaiian Eye.

Após o cancelamento desta, Williams voltou a fazer participações em episódios de séries da Warner, como Cheyenne, The Gallant Man, 77th Sunset Strip e Hawaiian Eye, e também integrou o elenco do piloto de The Leathernecks, que não chegou a ser transformado em série. Seu contrato com o estúdio encerrou em meados de 1964, levando o ator a buscar trabalhos em outras produções.

Entre 1964 e 1965, ele integrou o elenco de The Tycoon, série que girou em torno de um milionário (Walter Brennan) e os executivos de sua empresa. Williams interpretou Pat, seu assistente e piloto. A produção teve apenas uma temporada com trinta e dois episódios.

Em 1966, ele foi escolhido pela 20th Century Fox para estrelar O Besouro Verde. Embora esta produção não tenha sido um sucesso na época, ela se tornou uma série cultuada pelos fãs do personagem, bem como aqueles que acompanham produções clássicas.

Durante a década de 1970 e 1980, o ator fez participações especiais, incluindo uma recorrente em A Conquista do Oeste, adaptação do filme de 1962. A última série que estrelou foi a produção infanto-juvenil Westwind, produzida entre 1975 e 1976, sobre uma família que viaja pelo mundo em seu iate.

Ainda durante a produção de O Besouro Verde, Williams começou a trabalhar como policial em meio período. Na década de 1980, ele largou a carreira artística para montar uma empresa que alugava aparelhos de comunicação (como pagers e rádio) para pessoas físicas e empresas, entre elas, estúdios onde trabalhou. Em paralelo ao seu trabalho na empresa, o ator continuou atuando como oficial da reserva na delegacia de Los Angeles, aposentando-se deste cargo em 1996.
 

Durante a produção da série, Williams se tornou amigo de Lee e Wende, amizade que durou até a morte destes. Em 1993, atendendo a um pedido de Linda, esposa de Lee, ele fez uma breve participação especial no filme Dragon: The Bruce Lee Story, interpretando o diretor da série O Besouro Verde.

Ao longo de sua carreira, o ator também teve participações especiais em episódios de Família Buscapé, Comédias de Dick Van Dyke, Big Valley, Mannix, Missão: Impossível, Nanny and the Professor, Gunsmoke, Têmpera de Aço, São Francisco Urgente, Barnaby Jones, Sra. Columbo, Arquivo Confidencial e a minissérie A Saga do Colorado.

Williams se casou em 1959 com Vicki Lenore Flaxman Richards, com quem ainda vive. O casal teve três filhas, Nina, Tia e Britt, sendo que o ator já tinha tido gêmeas de sua união com Drucilla Jane Greenhaw, entre 1953 e 1956.

04122016 - JASON SCOTT LEE NO FILME "DRAGÃO - A HISTÓRIA DE BRUCE LEE", UM FILME REGULAR:

30112016 - PARA VER E REVER PARA SEMPRE:

01112016 - O MESTRE PENSA E CONCLUÍ:

30102016 - SHANNON LEE NO MUSEU TUSSAUDS HOLLYWOOD - 24 DE SETEMBRO DE 2014:



27102016 - OS FÃS DE BRUCE LEE, COMPROU ESTA REVISTA DE 1978:

16102016 - BRUCE LEE - O REI DAS ARTES MARCIAIS NÃO DEIXOU SUCESSORES:

O que seria dos filmes de artes marciais sem o surgimento de Bruce Lee? Certamente o gênero não teria tamanha longevidade e sucesso de público. Talvez o que manteve o gênero ainda vivo nas telinhas foi justamente a expectativa do surgimento do sucessor de Bruce Lee, morto em 1973. Mas estamos em 2011, e a meu ver até hoje, ninguém esteve à altura do pequeno dragão. Alguns chegaram perto de ter um reconhecimento semelhante, mas não souberam se manter no topo e se perderam. A maioria dos candidatos à sucessão fizeram mais de uma dezena de filmes e não conseguiram convencer o público ávido por outro ídolo nas artes marciais. Se bem que quem foi fã de Bruce Lee e acompanhou sua curta carreira, jamais iria admitir que alguém pudesse destroná-lo.
Bruce Lee deixou apenas quatro filmes de artes marciais concluídos e um inacabado. Anteriormente aos filmes produzidos em Hong Kong, ele foi protagonista da série de TV norte-americana “O Besouro Verde” (The Green Hornet) no final dos anos de 1960, fazendo o papel de Kato, o ágil e saltitante parceiro do Besouro Verde (Van Williams). Só para comentar, a nova versão para o cinema de “O Besouro Verde” (2011) foi um lástima, aliás Hollywood ultimamente faz questão de destruir os clássicos dos quadrinhos e das telinhas.
Após Bruce Lee ter co-estrelado com sucesso em “O Besouro Verde” e em outra série de TV chamada “Longstreet” (com James Franciscus) e na qual teve ótimas participações apenas nos dois primeiros capítulos, ele foi simplesmente vetado para o principal de “Kung Fu”, uma série para TV famosa e idealizada inicialmente para o próprio Lee, que foi substituído pelo canastrão David Carradine, que além de ser um ator medíocre usaria suas habilidades de ‘dançarino’ para enganar nas cenas de lutas nos episódios com uma discreta ajuda de dublês. Ficou evidente que era um típico caso de discriminação racial por parte dos produtores norte-americanos.
O primeiro filme de Bruce Lee produzido pelos estúdios de Hong Kong foi “O Dragão Chinês” (The Big Boss) de 1971. O filme foi filmado sob condições precárias numa vila na Tailândia. Com uma produção barata, a película só se salva pela performance de Bruce Lee. Sua técnica, explosão e velocidade nos golpes eram inéditos para um público acostumado com um cinema ‘pastelão’ de Kung Fu onde as lutas pareciam intermináveis e sem definição. Foi um enorme sucesso de público em Hong Kong.
O segundo filme, “A Fúria do Dragão” (Fist Of Fury) iniciado em 1971 e concluído em 1972, foi filmado em Hong Kong com uma produção melhor. Bruce (com moral) pôde interferir nas coreografias das lutas e contou com a participação de seu amigo e karateca Bob Baker, que interpretou um famoso lutador russo. Lee demonstra sua perícia com o nunchaku pela primeira vez nas telonas. Foi outro estrondoso sucesso em toda a Ásia. O personagem de Lee está furioso e obcecado para vingar o assassinato de seu mestre, sua fúria é transmitida ao público a cada golpe desferido contra os alunos de academia japonesa.
O terceiro filme, “O Vôo do Dragão” (The Way Of The Dragon) de 1972, Bruce Lee foi o responsável pelo roteiro, direção e coreografia das cenas de luta, além de ser o protogonista. Um dos trunfos do filme foi a participação de dois lutadores de artes marciais campeões dos EUA, Bob Wall e Chuck Norris, assim como da participação do coreano Wang Ing Sik (em coreano Hwang In-Sik), mestre de Tang Soo Doo. Neste filme Bruce protagoniza uma cena clássica utilizando dois nunchakus ao mesmo tempo. O clímax de “O Vôo do Dragão” é sem dúvida o duelo final entre Lee e Chuck Norris no coliseu em Roma, a coreografia da luta é tida como uma das mais belas já feitas no cinema. O filme é temperado com cenas de humor com as quais Bruce queria direcionar diretamente ao público asiático.
O quarto filme seria “O Jogo da Morte” (The Game Of Death), que foi começado a ser filmado ainda em 1972; era um projeto pessoal de Bruce Lee. A idéia central do enredo era demonstrar que todo artista marcial deveria se adaptar às circunstâncias mesmo que muito desfavoráveis. No filme o personagem de Lee teria que invadir um pagode de estilo coreano, e enfrentar em cada pavimento um adversário com um estilo de luta diferente. No esboço original Whang Ing Sik (mestre coreano Tang Soo Doo e de Hapkidô) guardaria o primeiro andar; Taki Kimura (amigo e aluno de Lee) guardaria o 2º andar; Dan Inosanto (mestre das armas brancas filipinas e amigo de Lee) ficaria com o 3º andar; Ji Han Jae (mestre introdutor do Hapkidô nos Eua) estaria no 4º andar; e finalmente o gigante Karren Abdul Jabbar (profissional de basquete e ex-aluno de Lee) seria o último adversário no 5º andar. Ele chegou a deixar gravados alguns ensaios de lutas ainda não definitivos para o filme. Um dos confrontos que chegou às telas foi o que Bruce enfrenta seu parceiro filipino Danny Inosanto, que representava um mestre no nunchaku e bastões duplos. O duelo entre os dois com nunchakus é um clássico do gênero. O outro duelo exibido foi contra mais um amigo de treinamento, Han Jae Ji, mestre de Hapkidô responsável pela divulgação do estilo nos EUA. E para finalizar Lee enfrenta literalmente um grande obstáculo, o gigante Kareen Abdul Jabbar, de mais de 2 metros de altura. Jabbar foi aluno de Bruce Lee em Seattle e era campeão de basquete pelos Lakers nos EUA. A luta foi outra aula de técnica e criatividade de Bruce Lee. Mas Bruce não concluiu as filmagens, foi chamado às pressas para os EUA por Hollywood que acabou por se render ao talento do “pequeno dragão”, eles tinham um projeto mais ambicioso para Bruce Lee. ‘O Jogo da Morte” seria lançado oficialmente em 1978, com montagens absurdas, tais como closes de Lee em filmes anteriores, dublês e sósias de Bruce filmados com enormes óculos escuros encobrindo o rosto, filmagens em ângulos que dificultassem o close dos sósias, e atores que chegaram a contracenar com Bruce em outros trabalhos como Dan Inosanto e Bob Wall. Mas vale a pena ver pelas cenas finais originais com Lee trajando seu lendário macacão amarelo e enfrentado Dan Inosanto, Han Jae Ji e Kareen Abdul Jabbar. Anos mais tarde foi lançado um documentário chamado “A Jornada de um Guerreiro” (Warrior’s Journey) que trata justamente deste projeto inacabado por Bruce Lee, com suas idéias e esboços para o filme, cenas inéditas de ensaios de lutas com outros participantes para “O Jogo da Morte”.
Mas foi “Operação Dragão” (Enter The Dragon) de 1973, que se tornou o quarto e definitivo filme de Bruce Lee. É até hoje considerado o clássico insuperável dos filmes de artes marciais. Bruce Lee era o protagonista mas teve que dividir o estrelato com os norte-americanos John Saxon e Jim Kelly. As cenas de luta foram todas coreografadas por Lee. John Saxon não se comprometeu, teve boa participação dentro de suas limitações como artista marcial; Jim Kelly com sua cabeleira black power, se destacou com seu karate nada ortodoxo, mas certamente graças à supervisão de Lee. No filme Bruce Lee dá uma demonstração jamais vista nas telas de manuseio de armas brancas, nunchaku, bastões filipinos, e bastão longo (bo). Outros participantes ilustres do filme como vilões, foram Bolo Yeung (como Bolo), praticante de Karatê; Sammo Hung (que fez a primeira cena de luta do filme contra Lee), o experiente em filmes de Kung Fu; Shih Kien (como Mr. Han), um ator veterano de Hong Kong e praticante de estilo tradicional de Kung Fu; e novamente Bob Wall (como O’Hara). Operação foi um sucesso sem igual, na Ásia, Europa e EUA, Bruce Lee estava consagrado. Mas Deus não permitiu que ele usufruísse desse sucesso em vida. Pouco antes do lançamento do filme, Lee falecia em 20 de julho de 1973, deixando um público enorme de fãs espalhados no mundo inteiro. Quem poderia imaginar que Bruce Lee era um mero mortal?
Começou-se então a procura do sucessor do Rei do Kung Fu, vários surgiram de todos os cantos, a maioria tentando imitá-lo em vão. Até hoje se tenta achar alguém. É como tentar achar o novo Pelé, o novo Muhammad Ali, o novo Jimi Hendrix, etc. Bruce sempre vai ser a referência para se julgar algum artista marcial.
A seguir alguns candidatos que já tentaram (em vão) tomar o trono do inimitável, invencível, tranqüilo e infalível Bruce Lee.

1 - Jackie Chan (Chan Kong-Sang) – Chinês de Hong Kong e nascido em 1954, Jackie inicialmente se preparou para a carreira artística na Ópera de Pequim, onde desenvolveu seus dotes para acrobacia principalmente. Estudou os estilos de Kung Fu tradicionais como Shaolin do Norte, Punho do Bêbado, Estilo do Macaco e Wing Chun e formas do Wu Shu (Kung Fu) moderno. Começou a trabalhar no cinema como dublê, inclusive em dois filmes de Bruce Lee, “A Fúria do Dragão” e “Operação Dragão”. Após a morte de Bruce Lee chegou a ser apontado como seu provável sucessor, apesar de Jackie sempre desconversar sobre isso dizendo que sua proposta para os filmes de artes marciais era o oposto ao de Lee, já que ele (Jackie) tendia mais para a comédia. E dentre quase duas dezenas de filmes realizados por Jackie Chan, poucos merecem ser lembrados em se tratando de artes marciais, como “O Mestre Invencível” (The Drunken Boxer). Jackie tinha carisma e talento, mas não tinha em seu íntimo o desejo de se aperfeiçoar como lutador, valorizava mais o seu lado acrobata e cômico; ele, ao meu ver, pecou por isso. E mesmo após mudar-se para os EUA onde teve todo o aparato de Hollywood a seu favor, não conseguiu realizar nada que causasse impacto no mundo dos filmes de Artes Marciais.

2 - Yazuaki Kurata – Também conhecido como David Kurata, é japonês e nascido em 20 de março de 1946, sendo mestre em Karate (5º dan), Judô (3º dan) e Aikidô (2º dan), um autêntico artista marcial. Estudou a arte de representar na Universidade de Nihon e Escola de Teatro Toei. Seu primeiro trabalho como ator foi em 1960, mas como participante de filmes de artes marciais foi em 1971 em Hong Kong, pela Shaw Brothers. Inicialmente fazia os papéis como vilão (japonês de preferência), e aos poucos estreou como protagonista em outras películas, já que ninguém podia negar sua capacidade técnica como lutador e seu rosto de galã (uma espécie de Alain Delon Japonês). È difícil se lembrar de algum filme de Kurata como protagonista que valha a pena, mas nos que trabalhou como ator coadjuvante representando um expert em artes marciais japonesas ele realmente se destacou; como em “The New Fist Of Fury” estrelado por Jet Li, que foi um remake de “A fúria do Dragão” de Bruce Lee. Outro filme no qual ele se destacou como um mestre japonês de artes marciais foi no filme “Heróis do Oriente” (Heroes Of The East) que teve como protagonista o ator chinês Gordon Liu. Talvez a formação ortodoxa que obteve no budô japonês prejudicasse à Kurata na sua busca para alcançar o posto vago de Bruce Lee que era dono de uma condição técnica e criativa surpreendentes, como renováveis e independentes de qualquer estilo tradicional.

3 - Sonny Chiba (Sadaho Maeda) – Nascido em 2 de janeiro de 1939 em Fukuoka, no Japão. Talvez a melhor resposta japonesa ao fenômeno Bruce Lee. Seu estilo de lutar nas telas era baseado no Karatê Kyokushin de seu mestre Masutatsu Oyama. Chiba não tinha em seus movimentos a plasticidade e elegância de Bruce lee mas tinha intensidade, fúria e explosão. Ele realmente era adorado pelos fãs japoneses e alcançou o reconhecimento fora do seu país. Ao contrário dos outros pretendentes, ele realizou filmes memoráveis pela Toei Film Studio, vale destacar “Street Fighter” e “O Retorno de Street Fighter” em 1974, e a trilogia que fez sobre a vida e obra de Mas Oyama, “Karate Bullfighter” (O Campeão da Morte); “Karate Bearfighter” em 1975 e “Karate for Life” em 1977. Seus filmes são cult em todo mundo, principalmente para praticantes de Karatê japonês, principalmente do estilo Kyokushin. Além disso Chiba é realmente formado em Karate Kyokushin (4º dan), Ninjitsu (4º dan); Karate Goju-Ryu (2º dan); Judô (2º dan); Kendo (1º dan) e Shorinji Kempo (1º dan). Ele teve uma participação especial no filme “Kill Bill” de Quentin Tarantino, no qual representa um mestre fabricante de katana (espada de samurai). Aliás tanto Bruce Lee como Sonny Chiba foram referências para a formação de cineasta de Tarantino. Creio que Sonny Chiba nunca cobiçou o trono de Lee, pois ele conquistou seu próprio espaço com carisma, garra, talento e personalidade.

4 - Alexander Fu Sheng (Chan Fu-Sheng) – Nascido em Hong Kong no dia 20 de outubro de 1954. Foi um dos maiores ídolos de filmes de Artes Marciais produzidos pela Shaw Brothers de Hong Kong, principalmente os da série de Shaolin. Fu Sheng fazia parte de uma equipe de ouro de atores e artistas marciais inesquecíveis como Chen Kuan-Tai, David Chiang, Ti Lung e Chi Kuan-Chun. Talvez pudesse se rivalizar com Bruce Lee em Hong Kong no que se diz respeito à sua popularidade. Fu Sheng, era jovem, charmoso e carismático e fazia sucesso com as garotas. Curiosamente como Bruce Lee em sua adolescência, Sheng era inquieto, ia mal na escola e participava frequentemente de brigas de rua. Nesse período em que vivia no Hawai com seus pais aprendeu inicialmente Judô e Karatê japoneses. Anos mais tarde de volta à Hong Kong, sua desenvoltura chamou a atenção de um diretor de filmes. Este o levou a treinar Kung Fu tradicional com Lau Kar-Ling por 6 meses e logo Sheng começaria a se destacar dos demais. Seus filmes mais famosos e que o levaram ao estrelado são “Heroes Two” (Dois Heróis de Shaolin), “Shaolin Matial Arts” (Artes Marciais de Shaolin) e “Five Shaolin Masters” (Cinco Mestres de Shaolin) todos de 1974; “Disciples Of Shaolin” (Discípulos de Shaolin) de 1975; “The Shaolin Avengers” (A Vingança de Shaolin) e “Shaolin Temple” (Templo de Shaollin) de 1976. Ironicamente após comprar a casa onde Bruce Lee morou em Kowlon, um bairro de Hong Kong, Fu Sheng é vítima de um acidente numa curva em seu Porsche 911 Targa dirigido por seu irmão. Era 7 de julho de 1983, Sheng tinha apenas 28 anos. Praticamente 10 anos após a morte de Bruce Lee que ocorreu em 20 de julho de 1973. Seus personagens nos filmes eram sempre brincalhões, imaturos e rebeldes, mas tremendamente ágeis e mortais quando provocados.

5 - Sammo Hung (Sammo Hung Kam-Bo) – Nasceu em Hong Kong em 07 de janeiro de 1972, atualmente é além de ator, diretor e produtor de filmes de artes marciais. Sammo é um dos artistas mais populares de Hong Kong devido à sua imensa filmografia. Sammo trabalhou em quase uma centena de filmes como dublê, ator coadjuvante e protagonista, nos quais interpretou vilões e mocinhos atrapalhados, mas bons de briga. Sua agilidade impressiona considerando que sempre ostentou uns quilos à mais, contrastando com os demais concorrentes ao estrelato em Hong Kong. Seu excesso de peso não comprometia sua performance, o que não pode se dizer de Steve Seagal. Mas sua simpatia, carisma e bom humor cativaram seu público fiel. Seus incontáveis filmes infelizmente não merecem ser lembrados, apenas algumas de suas participações como coadjuvante como em “Operação Dragão” no qual enfrenta Bruce Lee na primeira cena de luta do filme, o que o tornou mais conhecido. Participou também da montagem que realizaram com as cenas deixadas por Lee e que culminou no “Jogo da Morte” em 1978. Sammo Hung enfrenta e é derrotado por um lutador profissional representado por Bob Wall. No mesmo ano ele faria uma paródia de “Operação Dragão”, que foi “Operação Dragão Gordo” (Enter The Fat Dragon) de 1978, nada que se pudesse levar à sério, apesar de boas lutas. Conquistou o público norte-americano pouco exigente numa série policial para a TV, no qual faz o papel de um detetive de origem chinesa. Recentemente teve ótima participação em “Yip Man-2” (2010), filme estrelado por Donnie Yen (sobre o mestre de Wing Chun e instrutor de Bruce Lee na adolescência). E se Jackie Chan não levou à sério a conquista do trono vago por Bruce Lee, por que Sammo Hung o Faria?

6 – Jim Kelly (James M. Kelly) – Um legítimo representante do movimento black power nos anos de 1970, pelo menos no visual. Nasceu em Paris, mas não na França, mas no estado de Kentucky nos EUA em 05 de maio de 1946. Cheio da ginga negra tal como Muhammad Ali, adotou o karate japonês, precisamente o estilo Shorin-Ryu, como sua arte marcial preferida e foi campeão internacional em torneio de Karate (pesos-médios) realizado em Long Beach, na Califórnia, em 1971. Ficou conhecido após sua muito boa participação no filme “Operação Dragão” de 1973 com o personagem Mr. Williams. Tem um carisma natural, é elegante e foi muito bem dirigido por Bruce Lee nas cenas de luta. Tanto é que após tentar a sorte como protagonista em “The Black Belt Jones” (O Faixa Prêta Jones) pode-se notar que ele não era aquilo tudo que deixou transparecer em “Operação Dragão”, apesar de Black Belt Jones ser um bom filme de ação e com boas lutas até em slow motion. Jim Kelly até que se saiu bem na sua estréia como o blackman do karate, mas a sua seqüência de filmes caiu assustadoramente principalmente na qualidade e credibilidade nas cenas de combate.

7 – Chuck Norris (Carlos Ray Norris, Jr.) – Nascido em 10 de março de 1940 na cidade de Ryan no estado de Oklahoma. Com seus 1,78m, Chuck treinou até atingir o grau máximo na arte marcial coreana Tang Soo Doo. Chegou a criar um estilo próprio de arte marcial o Chun Kuk Do. Adquiriu certa fama no circuito das artes marciais nos anos de 1960 devido aos seus chutes circulares. Chuck Norris gaba-se de ter “passado” algumas de suas técnicas de chutes para Bruce Lee, se for verdade ele não contava que Bruce o superasse posteriormente na técnica e velocidade ao desferir tais golpes com os pés. Norris adquiriu popularidade internacional ao participar do filme “O Vôo do Dragão” de Lee, onde os dois travam um combate sensacional no coliseu de Roma numa coreografia clássica de mais ou menos 10 minutos. No confronto que foi dirigido pelo próprio Bruce Lee, fica claro a diferença técnica entre os dois. Apesar de Norris ser um campeão consecutivo em torneios de artes marciais (sem contato) nos EUA, sua técnica fica a desejar ao compará-lo com o Pequeno Dragão. Bruce demonstra uma graça e leveza técnicas aliados a uma velocidade incrível ao desferir seus golpes, que deixa Norris pasmado como um amador. Com a morte de Lee, Norris que já tinha alguma experiência como “ator” foi outro que se aventurou a fazer filmes de artes marciais. A culpa foi de Bruce, foi ele quem criou o “monstro”. Os filmes de Norris eram claramente dirigidos ao público americano patriota, geralmente seus personagens eram veteranos de guerra que adentravam sozinhos nas sombrias selvas vietnamitas para salvar prisioneiros de guerra norte-americanos dos terríveis comunas vietcongs, era o nascimento de “Braddock”, uma espécie de Rambo numa embalagem menor. Posso citar como bons filmes de Norris, “Lobo Solitário Mcquade” (Lone Wolf Mcquade) de 1983 e “O Código do Silêncio” (Code Of Silence) de 1985. Um outro personagem de Chuck que fez sucesso por lá foi do “Texas Ranger” chamado Walker que rendeu uma longa série para TV nos anos de 1990, e dá-lhe muitos tiros mesclados com alguns chutes e saltos sensacionais. E apesar de parecer repetitivo às vezes com seu arsenal limitado de golpes, Norris tinha valor para os fãs norte-americanos, apesar de ainda ser um péssimo ator. A meu ver Norris foi um dos maiores “canastrões” dos filmes de artes marciais, sem querer ofender a pessoa, é claro. Mas ainda assim Chuck Norris virou "febre" na internet graças a um site conhecido como “Chuck Norris Facts”, que documenta e divulga fatos e características fictícias sobre o artista marcial, e que começou a circular em 2005. O website já conta com aproximadamente 8.000 verdades sobre Chuck Norris". Aqui no Brasil, uma lista desse site traduzida para o português foi divulgada com o título de "Lista das 100 verdades sobre Chuck Norris" e desde então é atualizada em um website intitulado ‘As verdades sobre Chuck Norris’. A partir disso uma onda fez o nome Chuck Norris se tornar folclore popular em toda mídia mundial com várias “tiradas” sensacionais. Na série do Disney Channel, Wizards of Waverly Place, a personagem Alex diz que não quer trocar de corpo com Justin, pois faz mais flexões do que ele, então Justin diz: "Eu prefiro ser Chuck Norris, que faz mais flexões que você, explode meio mundo e não leva um tapa"; no site de humor Desciclopédia, Chuck Norris é retratado como um deus, ou como uma pessoa capaz de realizar o impossível, um ser imortal, invencível e incrivelmente poderoso. São frequentes as referências ao golpe Roundhouse Kick; ao digitar no Google "Find Chuck Norris" e clicar em ‘Estou com Sorte’ aparece a seguinte frase em vermelho: Google won't search for Chuck Norris because it knows you don't find Chuck Norris, he finds you. (Google não pode procurar por Chuck Norris, porque sabe que você não achará Chuck Norris, ele acha você.). Isso se deve ao fato do Google abrir como primeiro site o http://www.nochucknorris.com/ e mostrar a mensagem como se fosse do site de buscas. Chuck sempre levou seus personagens a sério, mas o público não, assim sendo ele nunca poderia ocupar o trono vago de Bruce Lee. I’m sorry, Chuck!

8 - Jean Claude Van Damme (Jean-Claude Camille François Van Varenberg) - Nascido em 18 de outubro de 1960 em Berchem-Sainte-Agathe, Bruxelas, na Bélgica. Medindo 1,77 m (me parece que é mais baixo), é conhecido em seu país natal como “Os Músculos de Bruxelas” por ter ganhado um campeonato de fisiculturismo por lá, e “El loco” devido ao seus filmes de artes marciais. Aos 11 anos começou a treinar karatê japonês e logo depois passou a praticar balé (eu hein?!) por seis anos. Aos 16 anos, mesmo com, ou devido ao balé, conquistou o European Pro Karate Association (por pontos). Seu estilo (no cinema) é uma combinação de karatê Shotokan, Kickboxing, Muay Thai e Taekwondo. Jean Claude adora exibir em seus filmes sua famosa elasticidade e volta e meia acha um pretexto para fazer aberturas de pernas. Seu golpe mais famoso é um chute em salto com o calcanhar num giro de 180º; e esta facilidade para aplicar tal golpe se deve com certeza à sua experiência com o (arghhh!) balé. Van Damme migrou para os EUA em 1982 para tentar a sorte no cinema e foi figurante em “Braddock”, uma das “obras-primas” de Chuck Norris. Trabalhou também numa pequena produção francesa, “Mônaco Forever” (1984), no qual interpretava um lutador de karatê gay (tudo pela fama!). Em 1985 se destacou como vilão no filme “Retroceder Nunca, Render-se Jamais”, sob o espectro de Bruce Lee, pois o filme contava a história de um jovem lutador que recebia instruções do espírito de Lee. Jean Claude roubou a cena devido a sua técnica de chutes e elasticidade. Em seguida ele estreou como protagonista em “O Grande Dragão Branco”, que teve a participação, como vilão, de Bolo Yeung, o “Hércules Chinês” (o mesmo que trabalhou com Lee em “Enter The Dragon”). A partir desse filme, que foi uma cópia discreta de “Operação Dragão”, Jean Claude nunca mais parou de filmar. A maioria de sua filmografia é medíocre; enfadonha e repetitiva, marcialmente falando. E ele ainda teimou em acumular as funções de escritor, roteirista, produtor, diretor e coreógrafo das cenas de lutas em muitos de seus filmes. Sua atuação como ator era sofrível, apesar dele transmitir um bom senso de humor. Bruce Lee não era um grande ator mas não comprometia, mas Van Damme e Chuck Norris numa avaliação de ambos como atores...dá empate na canastrice! Jean Claude Van Damme, que realizou duas dezenas de filmes, é fã declarado de Bruce Lee que realizou apenas 4 filmes completos e que inspirou várias gerações de jovens que se tornaram artistas marciais ou mesmo atores do gênero; mas parece-me que Jean Claude não absorveu nada dos ensinamentos do mestre, limitou-se a copiá-lo sofrivelmente. Tanto pior para ele que não conseguiu ocupar o posto vago deixado pela morte prematura do Pequeno Dragão em 1973 aos 32 anos.

9 - Steven Seagal (Steven Frederic Seagal) – Nasceu em 10 de abril de 1952 em Lasing, no estado de Michigan, EUA. Começou a treinar Aikidô no Japão com Harry Ishisaka e conseguiu o 1º dan de faixa prêta sob a supervisão do Mestre Koichi Tohei. Atualmente detém o 7º dan em Aikidô. Poucos ocidentais alcançaram tal façanha. Steven se impôs em pleno Japão com seus mais de 1,90 m de altura em meados da década de 1970 quando de sua formatura. Nessa época ele ainda não ostentava a fanfarrice, a pança e o excesso de gordura de hoje. O que mais chama a atenção em seu estilo de Aikidô é a agressividade, ao contrário da suavidade que se prega nas academias convencionais. Dizem que o próprio fundador da arte marcial japonesa, Morihei Ueshiba, quando jovem era muito impetuoso e com o passar do tempo devido à maturidade e aperfeiçoamento técnico, ele deixou a agressividade de lado e tornou-se mais maleável e praticamente intocável. Creio que como artista marcial Steven Seagal tem seus méritos, mas em relação a sua carreira como ator de filmes de artes marciais, aí é outra estória. Ao meu ver seu melhor filme foi o primeiro, Nico, Acima da Lei (Above The Law) de 1988. Ele está em plena forma (ou magro) demonstra técnicas até então inéditas de Aikidô (bastante agressivo) no cinema e não chega a se comprometer como ator, pois seu papel não exigiu tanto. O filme seguinte, Difícil de Matar (Hard To Kill) de 1990, foi razoável, mas ele começava a se achar o máximo e também começava “a pegar” mais corpo (engordar). A partir daí os próximos filmes começaram a ficar enfadonhos, diálogos filosóficos de cunho existenciais, ambientais, e muita pancada e balas para todo lado; alguns até mais balas do que técnicas de artes marciais. E na proporção em que seus filmes decepcionavam ele engordava cada vez mais. Steven sempre foi um autêntico canastrão como ator, em cenas que teria que demonstrar afetividade, satisfação, surprêsa, apreensão ou ódio, ele tinha a mesma expressão facial, ficava impassível e com os braços cruzados na altura da pança prontos para agarrar, torcer e quebrar a qualquer instante. Nos filmes mais recentes mal consegue chutar frontalmente acima da cintura (a pança não permite) e se a cena assim o exigir, ou seja, chutar acima da cintura ou na cabeça, nada como um dublê à disposição. Steven está em evidência atualmente não pelos seus filmes, mas por supostamente ter treinado os lutadores de MMA brasileiros, Anderson Silva e Lyoto Machida, que por coincidência ou eficiência do treinador (Seagal) ganharam suas lutas aplicando o chute frontal (mae-geri e tobi mae-geri) nos respectivos queixos de seus adversários. Golpe que é bastante usado por Seagal em seus filmes, mas nunca acima da cintura, é claro. Steven Seagal fez mais de duas dezenas de filmes, mas destaco apenas os dois primeiros. E um dos critérios mais importantes para conquistar o trono de Bruce Lee é manter-se sempre em forma, o que infelizmente o nosso herói do Aikidô não conseguiu ao longo desses anos.

10 - Jet Li (Li Liajie) – Nascido em Pequim, China, em 1963. Praticamente tinha a mesma altura de Bruce Lee, 1,67 m (apesar de parecer ser ainda menor e mais franzino). Treina Kung Fu tradicional (Wu Shu) desde os 8 anos de idade. Praticando desde criança, a partir dos 11 anos ganhou 5 vezes o título de campeão nacional chinês de artes marciais (entre 1974 e 1979). Suas conquistas impressionantes levou a República Popular da China a declará-lo um “Tesouro Nacional”. Começou a despertar o interesse do público internacional, em meados da década de 1990, ao interpretar no cinema uma série de filmes sobre o lendário mestre chinês Wong-Fei Hung, herói popular da China. Durante anos, Li encarnou heróis lendários do folclore chinês, do revolucionário que luta contra a dinastia Manchu em "Fong say yuk", ao monge caído em desgraça à procura de redenção em "Tai Chi Master", para o vingador do mestre Huo Yuanjia contra seus assassinos e invasores japoneses em "Fist of Legend", um "remake" de "Fist of Fury" (A Fúria do Dragão), estrelado por Bruce Lee. Apesar de apresentar em seus filmes boas coreografias de luta, a direção e produção geralmente pecavam em abusar de efeitos especiais que fugiam de uma realidade aceitável mesmo para um confronto fictício de artes marciais. Para consolidar seu passaporte para Hollywood, Jet Li participou com boa atuação (como vilão) de “Máquina Mortífera 4” (Lethal Weapon 4) de 1998, com Mel Gibson e Danny Glover. A seguir atuou como protagonista em seu primeiro filme nos EUA, em “Romeu Tem Que Morrer”(Romeu Must Die) de 2000. Vieram outros trabalhos onde Jet Li contracenou com artistas norte-americanos famosos, mas ainda estava faltando algo em seus filmes, apesar da alta produção e efeitos especiais fantásticos que faziam dele uma espécie de ‘herói de kung fu ala Matrix”. Neste ínterim Jet Li recebeu o convite do produtor e diretor Ang Lee para encarnar o papel de Li Mu Bai no fabuloso épico de artes marciais "O Tigre e o Dragão" (Crouching Tiger, Hidden Dragon) de 2000. Li recusou a proposta pois tinha prometido à esposa que não trabalharia durante a gravidez desta. O ator Chow Yun Fat foi o substituto de Li para interpretar o personagem Li Mu Bai, que mesmo não tendo a habilidade de Jet Li nas artes marciais chinesas mas contando com a ajuda de dublês, se saiu bem. Coisas do destino. Jet Li, o “baixinho atrevido”, fez aproximadamente duas dezenas de filmes sofríveis e alguns poucos se salvam, não por seu carisma (ausente ao meu ver), nem por sua capacidade de interpretação (que deixava a desejar), mas por sua real habilidade no Kung Fu. O que na minha humilde opinião salvou sua carreira e acho que ele deveria ter se aposentado com chave de ouro na ocasião, foi a belíssima produção de “O Mestre Das Armas” (Huo Yuan Jia) de 2006, o filme sobre a vida de outro lendário mestre de Kung Fu (que realmente existiu), o invencível Huo Yuan Jia, que supostamente teria sido assassinado por japoneses durante a ocupação da China; neste filme Jet Li atuou muito bem como lutador e ator. Li tentou ocupar o lugar vago de Bruce Lee sem êxito, e convenhamos, se não fosse o surgimento do “pequeno dragão” talvez nem ouvíssemos faltar de Jet Li algum dia. Valeu a tentativa Li.

11 - Tony Jaa (Tatchakorn Yeerun) – Nascido em 05 de fevereiro de 1976 em Isaan, na província de Surin, na Tailândia, seu nome artístico na Tailândia é Jaa Panon Yeerun, mas no ocidente é popularmente conhecido como Tony Jaa, um jovem dublê de filmes de ação com 1,68 m (parece até maior), dedicado praticante de Muay Thai e que posteriormente assumiu também as funções de coreógrafo, diretor e ator. Tony Jaa cresceu na zona rural assistindo filmes de Bruce Lee, Jackie Chan e Jet Li e decidiu que queria fazer o mesmo quando crescesse. Aos quinze anos Jaa foi “adotado” pelo diretor de doublês e filmes de ação Panna Rittkirai que o recomendou frequentar o Colégio de Educação Física Maha Sarakham. Incialmente Jaa treinou Taekwondo, mas não se sabe se treinou formalmente ou se apenas absorveu algumas técnicas como complemento para sua formação como doublê; posteriormente voltou-se para o Muay Thai, mas não se confirmou se apenas recebeu um treinamento formal e tradicional da arte marcial tailandesa ou se realmente chegou a desenvolver uma carreira competitiva. Jaa e Panna se interesseram pelo estilo antigo de Muay Thai, o Muay Boran, e trabalharam juntos por um ano para adaptá-lo às cenas de luta dos filmes em que Tony Jaa atuaria. Na preparação contaram com a colaboração do grão mestre Mark Harris. Seu filme de estréia foi “Ong Bak - Cabeça de Buda” (Ong-Bak:Muay Thai Warrior) de 2003, foi um sucesso, desde Bruce Lee não se tinha visto coreografias de lutas tão reais e empolgantes. Jaa parecia que veio para arrebentar, literalmente falando. Sua fúria e explosão ao partir para cima dos adversários é realmente algo de se admirar, os saltos acrobáticos, os golpes improváveis, o contato real dos lutadores, tudo muito impressionante, Jaa em fúria é uma máquina descontrolada de socar, chutar, dar cotoveladas e joelhadas em salto. O Muay Thai finalmente ganhou seu espaço nas telas tal como o Kung Fu e o Karatê. O seu segundo filme, “O Protetor” (The Protector) de 2005, ele continua surpreendendo e promete cada vez mais. Seu personagem lembra aquele caipira interpretado por Bruce Lee em “O Dragão Chinês” (The Big Boss) que foi filmado na Tailândia, um sujeito ingênuo e tímido até que pisem no seu calo e despertem sua ira. O problema com Jaa e seus filmes é a ênfase que se dá à adoração e ao culto a Buda e aos elefantes (animais sagrados para eles). Seu último projeto ambicioso, “Ong Bak 2” (2008) e sua continuação “Ong Bak 3” (2010), é um filme de época que foi dividido em duas partes, tudo ia bem principalmente com a primeira parte, “Ong Bak 2’, com lutas sensacionais e de tirar o fôlego onde Tony Jaa e os dublês que contracenavam com ele deram um show de agilidade, preparo físico e técnica nos mais variados estilos de artes marciais existentes e com a perícia nas mais diversas armas brancas. Tudo dava entender que a segunda parte seria melhor ainda, o que seria impossível de se acontecer pois o nível de “Ong Bak 2” parecia insuperável. E não aconteceu mesmo...após dois anos de espera a queda de intensidade na continuação (Ong Bak 3) foi evidente, o misticismo tomou conta da película que parecia um mesclado de Dragon Ball e O Exorcista. Foi uma pena, Tony Jaa se perdeu no auge, mas ainda pode se recuperar, ainda é jovem, carismático e tem tudo para se manter o topo dos artistas de filmes de artes marciais. Bruce Lee certamente o teria convidado para contracenar em seus filmes e seria enorme a expectativa para ver os dois se enfrentando. Mas ainda falta alguma coisa para Tony Jaa destronar o pequeno dragão. Reaja Jaa, se Bruce Lee pudesse ter um sucessor, atualmente teria que ser você!

12 - Donnie Yen – Nasceu em 27 de julho de 1963 em Guangdong, na China. Atualmente é considerado a maior estrela dos filmes de artes marciais feitos em Hong Kong. Além de ator, acumula também funções de coreógrafo, diretor e produtor. A mãe de Yen, Bow-Sim Mark, é mestra em escolas de Wu Shu (de linha interna) enquanto seu pai é editor de um jornal. Com dois anos a família de Yen se mudou para Hong Kong e mais tarde quando estava com 11 anos de idade, Donnie mudou-se com os pais para Boston, Massachussets, nos Estados Unidos da América. Sua irmã, Chris Yen, também é artista marcial e atriz. Graças à influência de sua mãe, Yen começou a praticar artes marciais chinesas, como o Tai Chi Chuan, ainda jovem. Com seu interesse e desenvolvimento em alta Yen retorna a Hong Kong e se integra e treina por dois anos na Equipe de Wu Shu de Pequim. Em seguida retorna aos EUA, e de passagem por Hong Kong conhece o coreógrafo de filmes de artes marciais Yuen Woo-Ping. A partir desse encontro começou a entrar no circuito de filmes de artes marciais como dublê. Foi coadjuvante em filmes de Jackie Chan e Jet Li nas décadas de 1980 e 1990. Fez mais de uma dezena de filmes como protagonista sem muita repercussão mundial, apenas em Hong Kong e países asiáticos; até que surgiu um projeto em homenagem ao mestre de Wing Chun Kung Fu, Ip Man, o primeiro e único mestre de Bruce Lee. “Ip Man” - O filme”, de 2008 foi um sucesso internacional com um desempenho convincente e maduro de Donnie Yen, que o impulsionou naturalmente a filmar uma sequência, “Ip Man 2” em 2010, que não decepcionou e manteve o nível e contando ainda com a brilhante participação do veterano Sammo Hung. Ainda em 2010 Yen realizou “Legend Of The Fist:The Return of Chen Zhen” (A Legenda de um punho: O Retorno de Chen Zhen), um tributo a Bruce Lee onde Yen teria dado sequência a história do personagem (Chen Zhen) interpretado por Bruce Lee em “A Fúria do Dragão” (Fist Of Fury, de 1972). Num enredo de época, o personagem Chen usaria até o uniforme de Kato, o parceiro do Besouro Verde (Green Hornet) que foi uma série para o cinema nos anos de 1930, antes da mesmo de Bruce Lee e Van Williams nos anos de 1960. Neste filme Yen usa também como homenagem à Lee, técnicas de Jeet Kune Do. Apesar da rica produção o filme é maçante e confuso, e como nas artes marciais, às vezes a simplicidade é o caminho mais certo e direto para o sucesso. Mas Donnie Yen está sempre atualizado e costuma incorporar em suas sequências de lutas elementos do MMA, incluindo o Wing Chun, Jiu-Jitsu brasileiro, Judô, Karatê, Boxe, Kick-boxing e Wrestling. Yen reconhece que a concepção libertária de Bruce Lee em relação às artes marciais se concretizou no MMA, onde se comprovou que um lutador não pode se limitar apenas a um único estilo, ele tem que ter a mente aberta para absorver tudo de positivo e prático de qualquer arte marcial e adaptar tais técnicas para não ser surpreendido num confronto. Yen tem carisma, capacidade técnica e criatividade para se manter no topo, mas em relação a Bruce Lee ele deve reconhecer que ainda não está apto para reivindicar seu trono e o tempo está passando.

Em resumo, nenhum destes candidatos preencheu todos os requisitos, alguns perderam a oportunidade, outros nem sequer tentaram realmente e os demais ainda tem alguma chance, será?! Como eu vi escrito em um poster antigo de Bruce Lee certa vez: “Os heróis nunca morrem!”, assim, presume-se que ele nunca será sobrepujado.

01102016 - NOVO BOX COM FILME 5 FILMES DO MESTRE, QUE SÃO:

O DRAGÃO CHINÊS
A FÚRIA DO DRAGÃO
O VÔO DO DRAGÃO
O JOGO DA MORTE (COM 12 MINUTOS COM O MESTRE)

O JOGO DA MORTE 2 (MONTAGEM DE OUTROS FILMES)

23092016 - CENAS DE "JOGO DA MORTE", FILME COM 12 MINUTOS DO MESTRE. O RESTO É HORRÍVEL:

16092016 - JORNAL COM SHANNON LEE EM 2014:

02092016 - FOTOS:                                          

                                                                                                          

10072016 - EM INGLÊS - O QUE É JEET KUNE DO?


WHAT IS JEET KUNE DO? by Bruce Lee (preface by Chris Kent)?

In the four decades plus, since Bruce Lee’s passing, numerous books and countless articles have been written expressing various (and sometimes quite differing) points of view regarding his art of Jeet Kune Do – what JKD is, what JKD isn’t, etc.

What is presented below is an article written by Bruce Lee himself, which appeared in the September 1971 issue of Black Belt magazine. In the article, Bruce eloquently expresses both his beliefs concerning martial arts at the time and his own unique approach to combat. There are actually eight previous drafts of this very same article, all of which are published in the book “Bruce Lee – Artist of Life”. They are worth reading as each draft shows the evolution of Bruce’s thought processes as he clarifies for the reader his own views concerning his art.

While the title of the article is “Liberate Yourself from Classical Karate,” Bruce is in fact speaking to all martial artists, especially those who, at the time, he felt were bound by classicalism and tradition.

In the spirit of preserving Bruce’s work and allowing each reader (who may only now be discovering Bruce Lee for the first time) to exercise their own independent inquiry, we, the Bruce Lee Foundation, are not attempting to interpret Bruce’s article or offer our own personal opinions about it. Rather, we invite you to dive headfirst into the words of the founder of Jeet Kune Do himself. Doing so, we believe can help bring clarity, and offer you insight into what Bruce Lee considered to be the ultimate nature of Jeet Kune Do.

LIBERATE YOURSELF FROM CLASSICAL KARATE by Bruce Lee

WHAT IS JEET KUNE DO? I am the first to admit that any attempt to crystalize Jeet Kune Do into a written article is no easy task. Perhaps to avoid making a thing out of a process, I have not until now personally written an article on JKD. Indeed, it is difficult to explain what Jeet Kune Do is, although it may be easier to explain what it is not.

Let me begin with a Zen story. The story might be familiar to some, but I repeat it for it’s appropriateness. Look upon this story as a means of limbering up one’s senses, one’s attitude and one’s mind to make them pliable and receptive. You need that to understand this article, otherwise you might as well forget reading any farther.

A learned man once went to a Zen teacher to inquire about Zen. As the Zen teacher explained, the learned man would frequently interrupt him with remarks like, “Oh, yes, we have that too…” and so on. Finally the Zen teacher stopped talking about began to serve tea to the learned man. He poured the cup full, then kept pouring until the cup overflowed. “Enough!” the learned man once more interrupted. “No more can go into the cup!”. “Indeed, I see” answered the Zen teacher. “ If you do not first empty your cup, how can you taste my cup of tea?”

I hope my comrades in the martial arts will read the following paragraphs with open-mindedness, leaving all the burdens of preconceived opinions and conclusion behind. This act, by the way, has in itself a liberating power. After all, the usefulness of a cup is in it’s emptiness.

Make this article relate to yourself, because though it is on JKD, it is primarily concerned with the blossoming of a martial artist – not a “Chinese” martial artist, a “Japanese” martial artist, etc. a martial artist is a human being first. Just as nationalities have nothing to do with one’s humanity, so they have nothing to do with the martial arts. Leave your protective shell of isolation and relate directly to what is being said. Return to your senses by ceasing all the intellectual mumbo jumbo. Remember life is a constant process of relating. Remember, too, that I see neither your approval nor to influence you towards my way of thinking. I will be more than satisfied if, as a result of this article you begin to investigate everything for yourself and cease to uncritically accept prescribed formulas that dictate “this is this” and “that is that”.

ON CHOICELESS OBSERVATION

Suppose several persons who are trained in different styles of combative arts witness an all-out street fight. I am sure that we would hear different versions from each of these stylists. This is quite understandable for one cannot see a fight (or anything else) “as is” as long as he is blinded by his chosen point of view, ie. style and he will view the fight through the lens of his particular conditioning. Fighting “as is”, is simple and total. It is not limited to your perspective or conditioning as a Chinese martial artist, a Korean martial artist or a “whatever” martial artist. True observation begins when one sheds set patterns, and true freedom of expression occurs when one is beyond systems.

Before we examine Jeet Kune Do, let’s consider exactly what a “classical” martial art style really is. To begin with, we must recognize the incontrovertible fact that regardless of their many colorful origins (by a wise, mysterious monk, by a special messenger in a dream, in a holy revelation, etc.) styles are created by men. A style should never be considered gospel truth, the laws and principles of which can never be violated. Man, the living, creating individual, is always more important than any established style.

It is conceivable that a long time ago a certain martial artist discovered some partial truth. During his lifetime, the man resisted the temptation to organize this partial truth, although this is a common tendency in man’s search for security and certainty in life. After his death his students took “his” hypothesis, “his” postulates, “his” inclination, and “his” method and turned them into law. Impressive creeds were then invented, solemn reinforcing ceremonies prescribed, rigid philosophy and patterns formulated, and so on, until finally an institution was erected. So, what originated as one man’s institution of some sort of personal fluidity has been transformed into solidified, fixed knowledge, complete with organized classified responses presented in a logical order. In so doing, the well-meaning, loyal followers have not only made this knowledge a holy shrine, but also a tomb in which they have buried the founder’s wisdom.

But the distortion does not necessarily end here. In reaction to “the other’s truth”, another martial artist or possibly a dissatisfied disciple, organizes an opposite approach – such as the “soft” style versus the “hard” style, the “internal” school versus the “external” school, and all these separative nonsenses. Soon this opposite faction also becomes a large organization, with it’s own laws and patterns. A rivalry begins, with each style claiming to possess the “truth” to the exclusion of all others.

At best, styles are merely parts dissected from a unitary whole. All styles require adjustment, partiality, denials, condemnation and a lot of self-justification. The solutions they purport to provide are the very cause of the problem, because they limit and interfere with our natural growth and obstruct the way to genuine understanding. Divisive by nature, styles keep men apart from each other rather that unite them.

TRUTH CANNOT BE STRUCTURED OR CONFINED

One cannot express himself fully when imprisoned by a confining style. Combat “as is” is total, and it includes all the “is” as well as “is not”, without favorite lines or angles. Lacking boundaries, combat is always fresh, alive and constantly changing. Your particular style, your personal inclinations and your physical makeup are all parts of combat, but they do not constitute the whole of combat. Should your responses become dependent upon any single part, you will react in terms of what “should be”, rather than to the reality of the ever-changing “what is”. Remember that while the whole is evidenced in all its parts, an isolated part, efficient or not, does not constitute the whole.

Prolonged repetitious drillings will certainly yield mechanical precision and security of the kind that comes from any routine. However, it is exactly this kind of “selective” security or “crutch” which limits or blocks the total growth of a martial artist. In fact, quite a few practitioners develop such a liking for and dependence on their “crutch” that they can no longer walk without it. Thus, any one special technique, however cleverly designed, is actually a hindrance.

Let it be understood once and for all that I have not invented a new style, composite or modification. I have in no way set Jeet Kune Do within a distinct form governed by laws that distinguish it from “this” style or “that” method. On the contrary, I hope to free my comrades from bondage to styles, patterns and doctrines.

What, then, is Jeet Kune Do? Literally, “jeet” means to intercept or to stop; “kune” is the fist; and “do” is the way, the ultimate reality – the way of the intercepting fist. Do remember, however, that “Jeet Kune Do” is merely a convenient name. I am not interested with the term itself; I am interested in its effect of liberation when JKD is used as a mirror for self-examination.

Unlike a “classical” martial art, these is no series of rules or classification technique that constitutes a distinct “Jeet Kune Do” method of fighting. JKD is not a form of special conditioning with its own rigid philosophy. It looks at combat not from a single angle, but from all possible angles. While JKD utilizes all ways and means to serve its end (after all, efficiency is anything that scores), it is bound by none and is therefore free. In other words, JKD possesses everything, but is in itself possessed by nothing.

Therefore to try and define JKD in terms of a distinct style – be it gung-fu, karate, street fighting, Bruce Lee’s martial art, etc. – is to completely miss it’s meaning. It’s teaching simply cannot be confined within a system. Since JKD is at once “this” and “not this”, it neither opposes nor adheres to any style. To understand this fully, one must transcend from the duality of “for” and “against” into one organic unity which is without distinctions. Understanding JKD is direct intuition of this unity.

There are no prearranged sets of “kata” in the teaching of JKD, nor are they necessary. Consider the subtle difference between “having no form”, and having “no-form”; the first is ignorance, the second is transcendence. Through instinctive body feeling, each of us knows our own most efficient and dynamic manner of achieving effective leverage, balance in motion, economical use of energy, etc. Patterns, techniques or forms touch only the fringe of genuine understanding. The core of understanding lies in the individual mind, and until that is touched, everything is uncertain and superficial. Truth cannot be perceived until we come to fully understand ourselves and our potentials. After all, knowledge in the martial arts ultimately means self-knowledge.

At this point you may ask, “How do I gain this knowledge?” That you will have to find out all by yourself. You must accept that fact that there is no help but self-help. For the same reason I cannot tell you how to “gain” freedom, since freedom exists within you. I cannot tell you how to “gain” self-knowledge. While I can tell you what not to do, I cannot tell you what you should do, since that would be confining you to a particular approach. Formulas can only inhibit freedom, externally dictated prescriptions only squelch creativity and assure mediocrity. Bear in mind that the freedom that accrues from self-knowledge can not be acquired through strict adherence to a formula; we do not suddenly “become” free, we simply “are” free.

Learning is definitely not mere imitation, nor is it the ability to accumulate and regurgitate fixed knowledge. Learning is a constant process of discovery, a process without end. In JKD we begin not by accumulation but by discovering the cause of the ignorance, a discovery that involves a shredding process.

Unfortunately, most students in the martial arts are conformists. Instead of learning to depend on themselves for expression, they blindly follow their instructors, no longer feeling alone, and finding security in mass imitation. The product of this imitation is a dependent mind. Independent inquiry, which is essential to genuine understanding, is sacrificed. Look around the martial arts and witness the assortment of routine performers, trick artists, desensitized robots, glorifiers of the past and so on – all followers or exponents of organized despair.

How often are we told by different “sensei” or “masters” that the martial arts are life itself? But how many of them truly understand what they are saying? List is a constant movement – rhythmic as well as random; life is constant change and not stagnation. Instead of choicelessly flowing with this process of change, many of these “masters”, past and present, have built an illusion of fixed forms, rigidly subscribing to traditional concepts and techniques of the art, solidifying the ever-flowing, dissecting the totality.

The most pitiful sight is to see sincere students earnestly repeating those imitative drills, listening to their own screams and spiritual yells. In most cases, the means these “sensei” offer their students are so elaborate that the students must give tremendous attention to them, until gradually he loses sight of the end. The students end up performing their methodical routines as a mere conditioned response, rather than responding to “what is”. They no longer “listen” to circumstances; they “recite” their circumstances. These poor souls have unwittingly become trapped in the miasma of classical martial arts training.

A teacher, a really good sensei, is never a giver of “truth”; he is a guide, a pointer to the truth that the student must discover for himself. A good teacher, therefore, studies each student individually and encourages the student to explore himself, both internally and externally, until, ultimately, the student is integrated with his being. For example, a skillful teacher might spur his student’s growth by confronting him with certain frustrations. A good teacher is a catalyst. Besides possessing deep understanding, he must also have a responsive mind with great flexibility and sensitivity.

A FINGER POINTING TO THE MOON

There is no standard in total combat, and expression must be free. This liberating truth is a reality only in so far as it is experienced and lived by the individual himself; it is a truth that transcends styles or disciplines. Remember, too, that jeet kune do is merely a term, a label to be used as a boat to get one across; once across, it is to be discarded and not carried on one’s back.

These few paragraphs are, at best, a “finger pointing to the moon”. Please do not take the finger to be the moon or fix your gaze so intently on the finger as to miss all the beautiful sights of heaven. After all, the usefulness of the finger is in pointing away from itself to the light which illuminates finger and all.

Preface by Chris Kent. Chris Kent has dedicated his life to the art of Jeet Kune Do, and is considered one of the worlds leading instructors and practitioners. Chris has also generously donated countless hours of his time, energy and expertise to the Bruce Lee Foundation in the areas of high level strategy and sharing his unique approach to self liberation, and JKD, with our community through seminars and workshops. Learn more about Chris here.

 

26042016 - A HISTÓRIA DE SHARON TATE:
BRUCE LEE FEZ AS LUTAS DO FILME "THE WRECKING CREW", ONDE ELE E SHARON FICARAM AMIGOS.
 

 

E Nascida em 24 de janeiro de 1943, Sharon Marie Tate foi descrita por seus familiares como uma criança muito tímida. Anos depois, ela revelou que as pessoas costumavam confundir sua timidez com indiferença até conhecê-la melhor. Sharon ganhou seu primeiro concurso de beleza com apenas seis meses de idade, foi o Miss Tiny Tot of Dallas Texas, cidade onde nasceu. Seu pai era militar, e por isso a família mudava de endereço constantemente, entre os Estados Unidos e a Europa. Aos 16 anos ela já havia morado em seis cidades diferentes. Tate teve de aprender a fazer amigos rapidamente e esquecê-los com a mesma velocidade. Por causa disso, a menina desenvolveu uma profunda compreensão da amizade e do valor da família; era muito apegada à sua irmã, Debra Tate, quase 10 anos mais velha que ela.

Muitos foram os concursos de beleza que Sharon conquistou entre a infância e a adolescência. Obstinada e decidida a ser atriz, ela resolveu percorrer seu sonho, e para isso, não mediu esforços. Por outro lado, os produtores de cinema e agentes de artistas ficavam impressionadas com aquela estrelinha tão bela e fascinante. Sharon não teve dificuldades em conseguir trabalhos como modelo; nessa época, ela constantemente fazia figurações, comerciais de televisão e fotografava para revistas de moda. Era muito bonita, trabalhava demais, não era fácil conseguir se destacar no excêntrico universo de Hollywood; poucas garotas conseguiam, Sharon sabia disso e seria uma delas. Em um dos muitos golpes de sorte de sua vida, aos 19 anos, ela conseguiu ser apresentada a Martin Ransohoff - um importante produtor de cinema, presidente da companhia Filmways. Imediatamente, ele ficou encantado pela sua beleza, e determinado no propósito de torná-la uma estrela, para isso, contratou-a e investiu pesado na preparação da atriz. Ransohoff dispendeu tanto em seus treinos, que Sharon Tate viria a ser conhecida como "The Million Dollar Baby", uma das últimas estrelas do star-system hollywoodiano.

Ransohoff logo lhe entregou alguns papéis em séries de televisão, como The Beverlly Hillbillies e O Agente da UNCLE, mas, Sheron sentia que aquilo ainda era muito pouco para suas ambições. Ela fez vários testes para papéis importantes em grandes filmes, todos deram errado, sua grande oportunidade demorou a chegar. Em 1964, ela namorou Jay Sebring, que então, já se estabelecia como o cabeleireiro das celebridades em Hollywood. Ele chegou a pedi-la em casamento, mas ela recusou. Apesar do romance não ter ido longe, Sebring e Tate se tornaram grandes amigos; ele seria assassinado cinco anos depois, tentando protegê-la da morte.

Em 1966, a hora de Sheron finalmente chegou. Martin Ransohof conseguiu-lhe um papel secundário, porém importante, no filme britânico O Olho do Diabo (The Eye of the Devil), dirigido por J. Lee Thompson e co-estrelado por David Hemmings e Deborah Kerr. No começo, Thompson e Ransohoff temeram pelo desempenho da atriz, por sua personagem ser muito importante para o desenvolvimento da trama. Entretanto, ela teve um bom desempenho e conseguiu se fazer notar, chamando atenção do público e da imprensa. As filmagens ocorreram entre a França e a Inglaterra, e depois do fim das gravações, Sharon decidiu permanecer em Londres, foi nessa época que ela conheceu o promissor cineasta polonês Roman Polanski.

Sharon logo se envolveu romanticamente com ele, e apesar das desconfianças, Polanski decidiu lhe dar o principal papel feminino em seu próximo filme - A Dança dos Vampiros (The Fearless Vampire Killers, 1967) - uma comédia de humor negro de alto orçamento, filmada na Europa. Para a publicidade do filme, Sharon foi fotografada por Francesco Scavullo na neve, vestindo casaco de pele e peruca ruiva para a revista Vogue. Além disso, ela também fez um ensaio para a revista Playboy; quando o editorial foi publicado, em março, a Playboy proclamou 1967 como "The year Sharon Tate Happens", e de fato, o ano seria dela. A Dança dos Vampiros acabou sendo um grande êxito para ela e Polanski, Tate fora definitivamente lançada ao estrelato internacional. Imediatamente após o fim das filmagens de A Dança dos Vampiros, ela embarcou de volta para os EUA para filmar Não Faça Ondas (Don't Make Waves, 1967); uma típica comédia de praia sessentista, ambientada na Califórnia, co-estrelada por Tony Curtis e Claudia Cardinale. O filme foi um fracasso comercial e de crítica, apesar de ter sido um ótimo veículo para a promoção de Sharon Tate, que interpretava a para-quedista e ginasta Malibu. Ela foi o principal chamariz da produção, sendo fotografada de biquíni incontáveis vezes; Sharon ainda angariou o posto de garota propaganda do protetor solar Coppertone.

Tudo parecia correr muito bem na vida artística e amorosa, contudo, Tate estava incomodada com os rumos que sua carreira estava tomando, achava que Martin Ransohoff não se empenhava em conseguir para ela personagens mais complexas. Tinha medo de ficar marcada como uma sex-symbol, presa à papéis de deusas loiras superficiais. Em 1967, ela foi escalada para a adaptação cinematográfica do best-seller de Jacqueline Susann - O Vale das Bonecas (Valley of the Dolls); Sharon não estava contente com este filme, e apesar dele hoje ser considerado um camp classic, naquela época foi enxovalhado pela crítica especializada, à despeito do alto faturamento nas bilheterias. Suas apreensões, afinal, se confirmaram, mas a Playboy não mentiu quando definiu 1967 como o ano de Sharon Tate. Não foi à toa que a edição de 1968 do Globo de Ouro nomeou Tate na categoria Atriz Mais Promissora, por sua performance no Vale das Bonecas.

No dia 20 de janeiro de 1968, Sharon Tate e Roman Polanski se casaram em Londres, numa cerimônia atípica, porém altamente assediada pela imprensa do mundo inteiro. O casal Tate-Polanski foi provavelmente o mais badalado da sua época. Amigo deles, o fotógrafo Peter Evans classificou-os como "Douglas Fairbanks e Mary Pickford dos nossos tempos" - fazendo referência ao famoso casal de astros do cinema mudo. Tate-Polanski eram os anfitriões perfeitos, jovens, bonitos, populares, em franca ascensão. Faziam parte de um círculo social bastante restrito, que incluía as estrelas mais populares de Hollywood daquela época, como Steve McQueen, Warren Beatty, Mia Farrow, Jacqueline Bisset, Leslie Caron e Jane Fonda, músicos como Jim Morrison e os The Mamas & The Papas. Sua casa vivia cheia de gente, sempre, conhecidos e estranhos. Era um casal livre, que desfrutava do espírito libertário do fim dos anos 60.

No verão de 1968, Sharon começou a filmar Arma Secreta Contra Matt Helm (The Wrecking Crew), ao lado do veterano Dean Martin. O filme era uma sátira de espionagem aos filmes do estilo James Bond, esta foi mais uma comédia para Sharon, que como já se esperava, foi muito bem comercialmente, mas mal recebida pela crítica; os elogios ficaram por canta da beleza e do talento dela como comediante. Este foi o último filme de Sharon que estreou com ela ainda viva. Seu derradeiro filme seria a produção franco-italiana 12+1 (1969), um filme que seguia a linha do anterior que ela estrelou. As filmagem ocorreram na Itália, no começo de 1969, embora o filme só tenha estreado, postumamente, em outubro, na Itália, e só em 1970 nos Estados Unidos, onde foi rebatizado The Thirteen Chairs.

Sharon Tate engravidou no fim de 1968, e em em 15 de fevereiro de 1969, o casal se mudou para uma mansão em Bel Air, 10050 Cielo Drive. A mansão, de propriedade de Rudi Altobelli, tinha sido ocupada antes por seus amigos Terry Melcher e Candice Bergen. Tate-Polanski visitaram-na várias vezes e Sharon ficou excitada quando soube que ela tinha ficado vaga, referindo-se a ela como "a casa dos sonhos". Aquela casa grande, bela e luxuosa seria a última residência de Sharon Tate, ali foi onde ela viveu os últimos meses de sua vida até o seu assassinato.

Na madrugada do dia 9 de agosto de 1969, a mando de Charles Manson, um grupo de seus seguidores, todos eles jovens entre 20 e 23 anos, formado por Charles "Tex" Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Linda Kasabian, invadiu a casa de Cielo Drive e massacrou seus moradores. Foram mortos Sharon Tate, seus amigos Jay Sebring, Abigail Folger, Wojciech Frykowski, o caseiro William Garretson e seu amigo Steven Parent. Na noite seguinte, o mesmo grupo, acrescido de Steve Grogan e Leslie Van Houten, cometeria outro bárbaro assassinato nos mesmos moldes, em outro local da cidade, matando o casal Leno e Rosemary LaBianca. Todos mortos com requintes de extrema crueldade e barbárie. A comoção causada pelo que foi chamado Caso Tate-LaBianca foi sem precedentes. Além da onda de choque que atingiu o mundo inteiro, a população de Los Angeles entrara em pânico, os ricos e famosos estavam aterrorizados, todos se sentiram em perigo, o clima de tragédia somou-se à tensão esmagadora que amedrontara todos diante de um episódio tão macabro. Sharon Tate foi sepultada em 13 de agosto de 1969, no Holy Cross Cemetery, em Culver City; ela tinha apenas 26 anos de idade.

Sharon Tate costumava dizer que sua vida inteira fora decidida pela fatalidade, pelo destino ou pela sorte, que ela nunca havia planejado nada. Porque Sharon? Porque tão triste? Às vezes o destino se faz incessantemente cruel, e o destino, infelizmente, pôs a jovem Sharon na rota de colisão de um ícone do mal. Porque ela? São perguntas sem respostas. O futuro dela seria lindo e luminoso, se sua vida não tivesse sido interrompida daquela maneira tão horrorosa. Sharon não tinha que morrer, Sharon ainda não tinha vivido sua vida, nem o seu filho. Ela tinha apenas 26 anos de idade, não estava no auge da sua carreira, era uma estrela em ascensão, seu bebê nasceria dali a menos de um mês e ela sentia muitas saudades do marido que tanto amava. De fato, tinha muito o que viver. Sharon não podia ter tido sua vida bruscamente acabada. Nesta história, não existem lições a serem ensinadas, existem vítimas e Sharon Tate foi uma delas. Ninguém nunca poderá responder porque as coisas tiveram de ser tão horríveis com ela. Triste.

Nos anos que se seguiram ao seu assassinato, Doris Tate, sua mãe, saiu da depressão e começou a lutar pelos direitos da vítima. Em nome de Sharon, ela participou dos julgamentos dos membros da Família Manson que tinham assassinado sua filha. Ela conseguiu uma mudança na legislação, permitindo que parentes de vítimas pudessem dar seus depoimentos pessoais nas audiências de pedidos de liberdade condicional de presos por assassinato na Califórnia, e ela foi a primeira pessoa a exercer este direito. Doris lutou ativamente para que a lei começasse a valer nos livros de direito e fosse cumprida. Então, a lei foi ampliada e passou a valer em todos os estados da nação norte-americana. Ela também falou com outros membros de famílias vítimas de crimes hediondos.

Doris falou aos presidiários que sentia que eles podiam ser reabilitados, contando-lhes sua perda e os anos de depressão que se seguiu, na esperança de que eles não iriam, após a libertação, passar a cometer mais e cada vez mais crimes violentos. Quando Doris Tate morreu, em 10 de julho de 1992, Patti, a irmã caçula de Sharon, assumiu a luta que sua mãe iniciou. Em nome de Doris foi fundada a Doris Tate Crime Victim's Bureau.

A fundação serve para ajudar as vítimas de crimes e suas famílias. Infelizmente, em 03 de junho de 2000, Patti Tate faleceu aos 42 anos de idade. A última irmã sobrevivente de Sharon, Debra, é quem continua a luta em nome de Sharon, por todas as vítimas. Este é o legado de Sharon e do resto da família Tate.
 

11042015 - FAMOSOS INTERNACIONAIS  QUE AINDA GERAM MILHÕES - FONTE: REVISTA MONET
Stieg Larsson, Michael Jackson e Bruce Lee são alguns deles.

Enquanto a maioria de nós tem que se esforçar a vida para tentar deixar um pouquinho de conforto para a geração futura, muitos famosos têm fortunas que aumentam em milhões por ano mesmo depois de mortos. E o mais importante, o legado que deixaram em suas áreas é lembrado por todos a cada ano que passa. Confira 14 deles:

Stieg Larsson – O sueco escreveu a trilogia Millenium, mas morreu de infarto em 2004, antes de ver o primeiro livro, ‘Os Homens que não Amavam as Mulheres’ se tornar um fenômeno mundial de vendas, em 2005. No total, os mistérios desvendados por Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist renderam mais de 50 milhões de cópias vendidas. A franquia foi adaptada para o cinema americano e sueco e os filmes tiveram sucesso na bilheteria, fazendo com que a fortuna de Stieg crescesse em 10 milhões de dólares por ano depois da primeira publicação.

Jenni Rivera – A cantora morreu em um acidente de avião em 2012, mas suas publicações continuaram fazendo sucesso em 2013 e 2014, principalmente sua biografia que vendeu meio milhão de cópias e seus álbuns que venderam um total de 1 milhão de discos. Desde o falecimento, a fortuna da cantora aumenta em 7 milhões de dólares todos os anos.

Theodor Geisel – O autor que usava o pseudônimo Dr. Seuss foi responsável por alguns dos maiores sucessos da literatura infantil de todos os tempos, incluindo ‘O Gato com Chapéu’. Graças a popularidade seus livros continuaram vendendo depois de seu falecimento em 1991, aos 87 anos, de causas naturais. Desde então a sua fortuna aumenta uma média de 9 milhões de dólares a cada ano.

Jimi Hendrix – O guitarrista morreu em 1970, aos 27 anos, mas sua fortuna continuou crescendo. Suas músicas são escolhas populares de lincenciamento para cinema e tv e seus álbuns continuam vendendo, o que gera um lucro de 7 milhões de dólares por ano.

Bruce Lee – Lee é um dos lutadores de artes marciais mais conhecidos da história e graças a isso seus filmes até hoje fazem grande sucesso. Ele morreu em 1972, aos 32 anos, por causa de um edema cerebral agudo. Sua fortuna aumenta em 7 milhões de dólares por ano e é possível que essa quantia cresça ainda mais graças a filmes que pretendem recriá-lo com o uso de efeitos especiais.

Albert Einstein – Einstein se tornou um nome mundialmente conhecido na Segunda Guerra Mundial devido a seu trabalho pioneiro em energia nuclear e seu renome só cresceu depois de sua morte causada por um aneurisma em 1955, aos 76 anos. Por causa do respeito que seu nome implica, muitas marcas relacionadas a área científica se interessam em usá-lo, o que rendeu desde sua morte uma quantia média de 10 milhões de dólares por ano.

Bettie Page – A modelo e atriz ganhou milhões de dólares em vida e também após sua morte em 2008, aos 85 anos, por causa de um ataque cardíaco. Desde então, com as licenças de sua imagem para marcas de moda e o lucro de suas boutiques, sua fortuna tem aumentado em aproximadamente 10 milhões de dólares por ano.

Marilyn Monroe – A atriz e modelo sempre ganhou quantias enormes de dinheiro não só pelo seu trabalho, mas também por colocar seu nome em vários produtos. Hoje em dia, a tendência continua e existe todo tipo de coisa, desde almofadas até canecas, estampada com a imagem de Marilyn. Desde a morte dela em 1962, sua fortuna aumenta em 10 milhões por ano.

John Lennon – Por causa de sua música, seus escritos e pinturas, o artista ganhou uma quantia de 12 milhões de dólares por ano depois de ser assassinado em 1980. As licenças pagas aos Beatles também constituem parte da renda.

Bob Marley – A fortuna do mundialmente famoso cantor de reggae aumenta em 18 milhões de dólares por ano desde sua morte causada por câncer em 1981. Atualmente, sua imagem ainda é facilmente encontrada em pôsteres, camisetas e até anúncios.

Elizabeth Taylor – Elizabeth, uma das maiores atrizes do cinema, chamou desde cedo a atenção de algumas marcas pela beleza e estilo peculiares. Até hoje sua imagem é muito requisitada, o que fez com que a fortuna da atriz crescesse em 20 milhões de dólares por ano desde sua morte em 2011.

Charles M. Schulz – Apesar de não ser facilmente reconhecido pela foto, ele foi responsável pela criação de dois personagens icônicos dos quadrinhos: Charlie Brown e Snoopy. A obra do cartunista continua vendendo e rendendo 37 milhões de dólares por ano mesmo depois da morte de Schulz em 2000, vítima de um infarto.

Elvis Presley – Não é surpresa que a fortuna do cantor, lembrado até hoje como o rei do rock, continue aumentando a cada ano mesmo após sua morte em 1977. A quantia que produtos licenciados e as músicas do ator renderam desde então é de aproximadamente 55 milhões de dólares por ano.

Michael Jackson – Em vida, o cantor sabia usar seu nome e sua música como uma marca. Depois de sua morte em 2009, não tem sido diferente. A venda de seus discos aumentaram de repente e o filme sobre sua vida arrecadou uma quantia respeitável na bilheteria. No total, a fortuna do cantor cresce em 150 milhões de dólares por ano. Mais do que a de muito artista que ainda produz.
 

16122015 - HOMENS QUE VOCÊ DEVERIA CONHECER:

O nascimento do dragão.

Vinha ao mundo, no dia 27 de Novembro de 1940, entre as 6h e 8h, no ano e na hora do dragão. O que, pela tradição chinesa, representaria uma vida prospera e de poder. Lee Jun Fan, como foi batizado, e ainda na maternidade, apelidado de Bruce por sua enfermeira, mas que só passou a adotar o nome mais tarde, quando entrou para escola.

Esse aí foi para a Hong Kong ainda criança. Como era filho de um famoso cantor de opera, rapidamente começou a fazer trabalhos no cinema. Em 1946, aos seis anos, Lee fez seu primeiro filme chamado The beginning of a boy. No mesmo ano, Lee participou de mais dois filmes. Ao assistir seus trabalhos mais antigos, podemos identificar os traços que o fariam famoso no futuro, como ator, e artista marcial. Bruce participou de apenas um filme em que não tinha cena de luta, chamado O Órfão.

Como praticamente todas as crianças que começam a praticar alguma arte marcial, Bruce Lee foi incentivado por uma briga de rua quando tinha apenas 13 anos. Lee caiu na provocação tomou uma grande surra. Essa seria a primeira e última vez que perderia uma luta. Começou então a treinar um estilo de Kung Fu chamado Wing Chun instruído pelo lendário mestre Yip Man, que tem alguns filmes inspirados em sua trajetória. Bruce Lee treinou com Yip Man até os 18 anos.

Quando falamos em Bruce Lee, logo pensamos em seus vários filmes. Não é raro encontrar pessoas que acreditam que Lee foi apenas um ator, desconhecendo completamente seus feitos e influencia para o mundo das artes marciais. Talvez nenhum homem tenha mudado tanto o mundo da luta como Bruce Lee fez.

Nunca se limitando ao universo do Kung Fu, demonstrava grande interesse em várias outras artes. Aos 18 anos entrou para um torneio de Boxe, derrotando o campeão que estava invicto por três anos. Bruce Lee foi o primeiro a agregar várias artes marciais, utilizando apenas o que era eficiente em cada uma, transformando-se em um lutador mais eficiente.

Lee desenvolveu o Jeet Kune Do, um conceito de arte marcial, inicialmente sendo um ponto de partida filosófico para explicar o modo com que mesclava as artes marciais e catalogava os pontos mais eficientes de cada uma delas, mas longe de ser um sistema de combate engessado. O objetivo era mostrar que cada lutador é livre para mudar e se adaptar a novas técnicas sempre que necessário.

Pra ele, o JKD era simplificar, desprender-se de qualquer estilo e se moldar as necessidades. “A arte deve se moldar ao lutador e não o lutador a arte”. Defendia não se prender, nem mesmo ao próprio Jeet Kune Do. Não apenas sendo um lutador, Bruce se preocupava constantemente sobre o que estava praticando e como alcançar a maestria. Antes de organizar seu método, Bruce treinou pelo menos dez outros estilos, desde a esgrima, até o wrestling e jiu-jitsu (tradicional).

O Físico do Dragão

Vários são os relatos sobre o físico de Bruce Lee. Alguns deles são assustadores de serem lidos atualmente, quando não temos como comprovar a veracidade, mas trazem um pouco do que podíamos esperar dele.

Após um desafio em que ganhou do adversário em 3 minutos, Bruce se sentiu frustrado, achou que ficou muito cansado, e atribuiu seu cansaço a falta de condicionamento físico. Ele ficou sem folego após a luta. Bruce resolveu então ampliar seus horizontes e pesquisar sobre as mais variadas formas de se exercitar. Como não havia muita informação sobre treinamento físico disponível, ele assinou todas as revistas de fisiculturismo que existiam. A fonte de informação mais comum naquela época. Lee também comprou dezenas de livros e cursos de fisiculturismo e musculação, testando tudo que lia no próprio corpo.

Bruce Lee não aceitava limitações. Um aluno conta que, enquanto corria uma distância que não estava acostumado, ele disse para Bruce: “acho que vou morrer, temos que parar”. Bruce calmamente respondeu “Então morra”. Isso o deixou tão nervoso que conseguiu concluir a corrida. Logo em seguida, foi perguntar sobre essa atitude. Bruce respondeu:

“Porque é melhor mesmo que você morra. É sério, se sempre impuser limites ao que faz, fisicamente ou de qualquer outra maneira, isso vai se disseminar por todos os outros setores da sua vida. Vai atingir seu trabalho, sua moralidade, todo o seu ser. Não há limites. Há patamares, mas não podemos parar neles, precisamos ir além. Se morrer; Morreu. Todo homem precisa se exceder constantemente”

O Filósofo

Bruce Lee entrou na universidade de Washington em 1961, aos 21 anos. A filosofia exerceu um impacto enorme em tudo que faria desde então. Seus livros são famosos por não abordarem o combate de uma forma direta, mas por tratar as artes marciais em pontos de vista filosóficos.

O próprio Bruce Lee afirmou que a luta servia apenas como uma metáfora para os seus ensinamentos. Frequentemente influenciado pelo Budismo, Taoísmo, e pelo Krishnamurti. Mesmo assim, Bruce Lee afirmava que não acreditava em Deus e nem possuía uma religião.

Não se limitando a qualquer linha especifica de filosofia, Bruce Lee leu centenas de livros, reunindo aspectos ocidentais, orientais, modernos e antigos em princípios que contribuíram para seu próprio crescimento espiritual. Nesse processo de aprendizado que se tornaria sua filosofia pessoal, focado na libertação do espírito por um autoconhecimento maior. As artes marciais foram apenas uma ferramenta para expandir seu potencial e compartilhar seu ideal com os outros.

Sua filosofia inspirou inúmeros praticantes de artes marciais a seguirem esse caminho, a refletirem mais sobre o que fazem, e a melhorar como seres humanos.

“Ele era único, e foi um ídolo para muitos. O melhor em alguém como Bruce é que ele inspira milhões e milhões de jovens que querem seguir seus passos, tornarem-se lutadores, trabalhar no cinema. E passam horas e horas por dia praticando. Alguém como Bruce Lee proporciona uma tremenda inspiração, o que ajuda jovens do mundo inteiro. Ele deixou uma marca profunda em todo o planeta, e acho que, por isso, será admirado para sempre”. (Arnold Schwarzenegger)

Morte de Bruce Lee

Durante as filmagens de o Jogo da Morte, Bruce começou a dar sinais de que não estava bem. Chegou a ficar pálido e desmaiar em uma das salas de edição do filme. Levado ao hospital e se recuperou. Chegou a emagrecer 6 quilos nesse período. Para segurar o estresse das mais de 12 horas de gravação diária, e os treinos que insistia em manter, consumia haxixe e abusava de analgésicos.

Depois que decidiu encerrar seus trabalhos, Bruce recebeu permissão médica para fazer uma viagem mais longa, e foi procurar um neurologista em Los Angeles. O médico informou que estava com a saúde em dia, mas havia um acumulo de fluidos no cérebro, devido a uma convulsão que teve antes de entrar em coma. O médico receitou um medicamento para epilepsia.

Pouco tempo depois em Hong Kong, para finalmente concluir as filmagens de Jogo da Morte, Bruce estava no apartamento da Taiwan Betty Ting Pei, com quem diziam que Bruce tinha um caso. Segundo ela, Bruce Lee pediu um analgésico para as fortes dores de cabeça. Betty tentou acordá-lo algumas horas depois, mas sem sucesso. Bruce Lee foi levado ao hospital Rainha Elizabeth, mas morreu no caminho. Segundo os médicos, a causa da morte foi um edema cerebral, provocado por uma reação alérgica a um componente químico do remédio.

Sua morte reuniu várias especulações. Desde que ele teria morrido de overdose de remédios misturados com outras drogas como cocaína. Teoria de que ele teria forjado a própria morte para finalmente viver em paz. E a principal, de que teria sido assassinado pela máfia chinesa por ter se recusado a fazer parte dela.

Essa última, reforçada quando Brandon Lee, filho de Bruce e Linda Lee, morreu acidentalmente nas filmagens de O Corvo. Brandon foi baleado acidentalmente pelo ator Michael Massee, que utilizava uma pistola calibre 44. As balas de festim foram substituídas por balas de verdade. O incidente ajudou a sustentar a teoria de que a máfia chinesa estava por trás da maldição da família Lee.

Mais de 50 mil pessoas estavam no funeral de um dos maiores lutadores de todos os tempos. Bruce Lee teve uma vida intensa. Treinou muito, foi dos melhores em tudo o que fez. Deixou filmes fantásticos, uma arte marcial poderosa, exemplos e mais exemplos de treinos e muita filosofia para expandir a mente e extrapolar todos os limites do corpo e dos pensamentos. Bruce Lee deixou muita coisa boa em uma vida rápida e maleável, como a água. "Seja a água, meu amigo".

27112015 - SUA MAJESTADE, BRUCE LEE !
Angélica Moraes, repórter de A Gazeta

“Tranquilo e infalível como Bruce Lee”, já disse Caetano Veloso. O maior mito mundial das artes marciais em todos os tempos será homenageado no Festival Bruce Lee 70 Anos que acontece entre os dias 20 de novembro e 02 de dezembro e tem, na programação, exposições, mesa de debates e exibição de filmes em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis. Realizado pela Sato Company, em parceria com o Espaço de Cinema, o evento exibirá alguns dos clássicos do ator em cópias novíssimas de alta resolução, totalmente remasterizadas, num padrão de qualidade jamais visto antes.

Nome reverenciado e cultuado nas artes marciais, Bruce Lee foi ator, roteirista, diretor, coreógrafo e o criador da revolucionária arte marcial Jeet Kune Do. No dia 27 de novembro completaria 75 anos.
A exibição dos quatro mais importantes longas-metragens do ídolo em cópias remasterizadas estão entre as principais atrações do evento. Será a primeira vez em que o público ouvirá, nos cinemas brasileiros, a voz original de Bruce Lee já que as cópias exibidas no país, nos anos 70, eram dubladas em inglês.
Na programação haverá ainda a exibição do documentário Bruce Lee em Suas Próprias Palavras, de John Little, além de uma exposição inédita com dezenas de pôsteres, fotos promocionais e stills da época, reproduções de capas de revistas e histórias em quadrinhos inspiradas em Bruce Lee. Por último está a realização de uma mesa de debates sobre cinema, comunicação e artes marciais. A curadoria da exposição é de Francisco Uchoa.
A mesa de debates contará com a participação de Jotabê Medeiros (jornalista, escritor e crítico musical), Marcelo del Greco (jornalista, editor de quadrinhos e mangás), Luiz Carlos Silva (professor de Kung Fu e Wushu Moderno, campeão brasileiro e sul-americano Wushu) e Getúlio Nardini Filho (professor, técnico e árbitro de Kung Fu, atleta da seleção brasileira de Kung Fu de 2011). A mediação do jornalista e crítico de cinema Celso Sabadin.
O mestre - Obsessivo e perfeccionista, Bruce Lee desenvolveu métodos de ensino e treinamento completos incluindo exercícios de força e aptidão muscular, resistência cardiovascular e flexibilidade e técnicas para aumentar a massa muscular sem deixar em segundo plano as preparações mental e espiritual. Seus treinos diários incluíam dezenas de séries de repetições de torções frontais e inclinadas, elevações de perna e pontapés em posição de rã.
Bruce considerava os estilos tradicionais de artes marciais rígidos e formalistas demais para serem usadas em situações de rua e passou a desenvolver novas técnicas baseadas em praticidade, flexibilidade, rapidez e eficiência.
Nascia assim o Jeet Kune Do, ou o “caminho do punho interceptor”, que o próprio Bruce dizia ser um “estilo sem estilo”, uma liberação das abordagens formais. A luta foi demonstrada num embate entre Bruce Lee e Wong Jack Man, um lutador polêmico que era contra ensinar artes marciais a não orientais. Wong Jack foi derrotado em apenas três minutos.
Em 20 de julho de 1973, por volta das 16h, Bruce Lee e o produtor Raymond Chow foram à casa da atriz taiwanesa Betty Ting Pei, em Hong Kong. Eles queriam propor a ela um papel no próximo longa-metragem de Lee, Jogo da Morte. Às 19h30 o ator reclamou de dor de cabeça, tomou analgésicos e foi se deitar. Não acordou mais.
Levado ao hospital, foi declarado morto, aos 32 anos. A causa oficial foi edema cerebral. O funeral, em Hong Kong, foi presenciado por 20 mil pessoas. Depois, o corpo foi levado para Seattle, nos Estados Unidos, onde foi enterrado no cemitério Lake View.
Em 1993 o também ator Brandon Lee, filho de Bruce, foi baleado aos 28 anos enquanto gravava o filme O Corvo. O acidente ocorreu na cena em que o protagonista é baleado: em vez de munição de festim havia uma bala de verdade em uma das armas. Brandon foi enterrado ao lado do pai.

27112015 - BRUCE LEE VOLTA AO CARTAZ EM BH E COMPROVA SOLIDEZ DE SUA INFLUÊNCIA:

Maior nome das artes marciais no cinema é cultuado até hoje pelos fãs, mais de 40 anos depois de sua morte

Walter Sebastião - EM Cultura

Um mito das artes marciais e do cinema, Bruce Lee está de volta. Quatro de seus cinco filmes chegam às telas com o Festival Bruce Lee – 75 anos: O dragão chinês (1971) e A fúria do dragão (1972), ambos com roteiro e direção de Wei Lo; O voo do dragão (1972), escrito, produzido e dirigido pelo próprio Bruce Lee; e Jogo da morte (1978), com direção de Robert Clouse e de Lee, ainda que não creditada. A mostra vai percorrer diversas cidades brasileiras, permanecendo em Belo Horizonte entre 26 deste mês e 2 de dezembro, no Belas Artes.

Para o cineasta mineiro Helvécio Ratton, a celebração tem bons motivos e é bem-vinda. “Bruce Lee é uma estrela, uma destas lendas do cinema que persistem e vão persistir para sempre”, garante. Na opinião de Ratton, Bruce Lee era um bailarino, cuja movimentação encanta ainda hoje. Consideração carinhosa vinda de um diretor que, como ele mesmo observa, sempre viu o lutador com curiosidade, ainda nos anos 1970, pela presença marcante com que chegou aos cinemas.

Lutador de estilo próprio, Lee tornou-se astro com apenas quatro papeis importantes no cinema ( Golden Harvest Company/Divulgação )

Lutador de estilo próprio, Lee tornou-se astro com apenas quatro papeis importantes no cinema
"Bruce Lee é um personagem consistente, com profundas ligações com a cultura dele”, justifica Ratton. “Trouxe realismo incrível para a fantasia que é o cinema”, acrescenta, recordando que os filmes dele são de uma época em que as artes marciais não se valiam de efeitos especiais. Bruce Lee tornou-se um ícone do gênero. “Que me lembre, é o único nome quando se fala em filmes de artes marciais. E tem uma presença muito bonita no mundo ocidental”, continua, lembrando que, depois de ser ídolo popular, ele conquistou também os intelectuais.

Ser como a água

Bruce Lee nasceu em San Francisco (EUA), em 27 de novembro de 1940. Quarto dos cinco filhos de pais chineses, que saíram de Hong Kong com uma companhia de ópera, foi batizado Lee Jun-fan, que significa “retomar de novo”. Desde bebê, já participava de filmes. A família logo voltou a Hong Kong, e a iniciação nas artes marciais se deu primeiro com o pai, que ensinou aos filhos a prática do tai chi e do kung fu. Depois, foi aluno do mestre Wing Chun, que começou a treiná-lo – outros professores se recusavam a ensinar artes marciais a quem não fosse totalmente chinês, e o avô materno de Lee era alemão.

Em uma adolescência tumultuada, Bruce Lee chegou a enfrentar membros de gangues e a ser ameaçado por ter espancado o filho do líder de uma delas, correndo o risco de ser preso. A família resolve então enviar o jovem de 18 anos para os Estados Unidos, para morar com a irmã.

Na bagagem, ele levava dois títulos de campeão de boxe, em 1957 e 1958. De San Francisco, vai para Seattle. No início dos anos 1960, está na universidade de Washington, onde estuda filosofia, teatro e psicologia.

O estilo Jeet Kune Do, que ele inventou, surgiu em 1965, depois de luta com Wong Jack Man, um represente dos que eram contra a ideia ensinar artes marciais a não orientais. Após derrotar Wong, Bruce Lee aprofundaria as críticas às tradições das artes marciais, para ele muito rígidas e formais para serem usadas em situação de defesa pessoal nas ruas.

Desenvolve então sistema com ênfase na “praticidade, flexibilidade, rapidez e eficiência”, mistura de várias práticas – ele conhecia mais de uma dezena delas. “Estilo sem estilo”, nas palavras de Lee, influenciado pelo taoismo, krishnamurti e budismo, ainda que ele tenha se declarado sem religião e ateu.

Falando de sua base filosófica, Bruce Lee se definiu com a expressão “ser como água”, pela possibilidade do líquido de tomar várias formas, sem se limitar a uma delas. A partir de 1967, passou a trabalhar também como professor, participando de campeonatos e fazendo demonstrações de suas habilidades.

A agilidade de Bruce Lee chamou a atenção de produtores de televisão e cinema, que o contrataram para elenco de apoio de diversas produções. Insatisfeito com tal posição, ele retornou a Hong Kong e conseguiu contrato para estrelar dois filmes. O primeiro deles, O dragão chinês, foi um enorme sucesso de bilheteria em toda a Ásia e o lançou ao estrelato.

Veio então A fúria do dragão, seguido por O voo do dragão. No final de 1972, Bruce Lee começou a desenvolver O jogo da morte, projeto interrompido pelo convite para estrelar Operação dragão, que o lançaria na Europa e Estados Unidos. Em 20 de julho de 1973, meses após a conclusão do filme e 30 dias antes da sua estreia, Bruce Lee morreu. A autópsia indicou edema cerebral, mas há quem fale em vingança da máfia que ele enfrentou na adolescência, em Hong Kong, e até de quem continuava contra o ensino de artes marciais aos não orientais. Tinha 32 anos.

27112015: 27 DE NOVEMBRO DE 1940 - 27 DE NOVEMBRO DE 2015:

 

27112015 - EM VÁRIAS CIDADES DO BRASIL, ESTÃO ACONTECE HOMENAGENS (FESTIVAL BRUCE  LEE), EXIBIÇÃO DE FILMES E PALESTRAS SOBRE O MESTRE.

15112015 - CALIFORNIA HALL OF FAME:

Para comemorar  os "75 anos de Bruce Lee": papai foi introduzido no Hall da Fama Califórnia. "Até mesmo quatro décadas após sua morte, [Bruce Lee] continua sendo uma das principais fontes de inspiração e motivação para milhões ao redor do mundo." - Califórnia Hall of Fame Induction.

Este mês, o meu pai foi introduzido no Hall da Fama Califórnia, juntamente com Robert Downey Jr., Ellen Ochoa (o primeiro astronauta no espaço Latina), Charles M. Schulz (Peanuts), Kristi Yamaguchi (Medalha de Ouro) e Lester Holt (NBC Nightly News âncora). Fiquei muito honrado em participar da cerimônia de posse em nome do meu pai. (Shannon Lee)

08112015 -  CHUCK NORRIS FALA SOBRE BRUCE (ESTA DATA):

Eu ainda me perguntam muito ... "Onde você conheceu Bruce Lee?"
Eu conheci Bruce, em Nova York, em 1968, quando eu estava lutando, e ganhei, o Campeonato do Mundo de Karate Peso Médio no Madison Square Garden. Também em 1968, Bruce me deu meu primeiro filme pausa quando ele era o coordenador de dublês para "The Wrecking Crew", estrelado por Dean Martin. Em 1972, eu agi como seu inimigo no filme "Way of the Dragon", que serviu como provavelmente o maior catalisador para ambas as carreiras de cinema. Bruce era um grande amigo e sempre vou me lembrar os tempos que nós treinamos juntos. Deus abençoe.

O Você achou, amigo?
 

01072015 - BRUCE LEE - O MEU IRMÃO:

BRUCE LEE O DRAGÃO IMORTAL

Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, esta biografia do mais artista marcial de todos os tempos não é um filme que trata de artes marciais. Na verdade, Bruce Lee, My Brother (2010) é um grande drama, narrado por Robert Lee, irmão mais novo de Bruce, que retoma os principais momentos da vida do Pequeno Dragão, desde seu nascimento até o momento em que ele embarca para os EUA.

Assim, o que temos é uma sucessão de fatos até então desconhecidos (ou muito pouco mencionados) contados por alguém que foi testemunha ocular dos eventos.

Desde o começo o espectador é avisado por Robert Lee que aquela é a história do homem, não do mito. Como consequência, há muitos momentos piegas, com câmera lenta e música de piano ao fundo. O sentimentalismo não é barato, pois percebe-se que trata-se de uma justa e sincera homenagem de pessoas que conheciam e amavam Bruce; ao mesmo tempo, o espectador (que não tem nada a ver com isso) pode chegar a ficar entediado em algumas cenas. Por outro lado, há passagens assombrosas que irão acertar em cheio os fãs de Bruce.

Por exemplo, quando o Japão ocupa a China durante a Segunda Guerra Mundial, a casa do pai de Bruce é invadida por militares japoneses que querem tratar de negócios. O resultado é uma cena para lá de tensa quando a tia de Bruce resolve atacar um chinês que acompanhava o grupo militar, batendo em seu rosto e chamando-o de traidor. Há também o famoso torneio de boxe que Bruce lutou e venceu, o qual hoje em dia tornou-se lendário. Robert Lee explica que se tratava de um torneio amador e que seu irmão resolveu se inscrever apenas dois meses antes por conta de uma briga que tivera com o atual campeão. Aliás, Robert deixa claro que Bruce foi aprender Wing Chun apenas para lutar melhor no torneio, sem saber que esse seria o fato que mudaria sua vida por completo.

É de conhecimento público que Bruce Lee era brigão e encrenqueiro na China. O filme não se esquiva desse fato, mas ao mesmo tempo, evita dar destaque a ele, preferindo se concentrar nos laços de amizade que Bruce tinha, em como ele desenvolveu seu amor pelo cinema e dança, e em uma paixão adolescente jamais correspondida. Também mostra com muito respeito seus primeiros ensinamentos nas artes marciais com o mestre Yip Man e, por fim, desmistifica os problemas com gangues e com a máfia que fizeram com que seu pai, temendo por sua vida, tomasse a decisão de enviá-lo para os EUA.

Bruce Lee, My Brother não é uma obra prima, mas está longe de ser a bomba tendenciosa que foi Dragão – a História de Bruce Lee (1993), filme norte-americano baseado no livro escrito pela esposa de Bruce, Linda Lee. Irá agradar aos curiosos e fãs do ator, mas como se passa em uma fase anterior da conhecida, carece de lutas e ação – o que pode desagradar parte da audiência.

250702015 - "O GRANDE MESTRE 3" TERÁ A PARTICIPAÇÃO DE BRUCE LEE EM CGI:

O Grande Mestre 3 (IP Man 3) terá a participação especial de Bruce Lee. Segundo o Hollywood Reporter, o falecido ator será criado por efeitos especiais para fazer sua aparição no filme.
Vale lembrar que em O Grande Mestre 2, Lee apareceu como uma criança, para interpretar o jovem aprendiz de seu mestre na vida real, interpretado no longa por Donnie Yen. A terceira parte da franquia deve explorar o treinamento e a vida de Lee. Mike Tyson também estará no elenco como um produtor imobiliário que também é um lutador de boxe de rua.
O Grande Mestre 3 deve ser lançado na China no segundo semestre de 2016.

20072015 - HOJE É O ANIVERSÁRIO DO PASSAMENTO DO MESTRE BRUCE LEE. BRUCE TEVE GLÓRIAS EM SUA VIDA.

28062015 - O EXTERMINADOR APANHA DO MESTRE !! VALEU ARNOLD:

Arnold sempre disse gosta de Bruce Lee e gostaria muito de ver os dois no mesmo filme. Disse, também, o os dois têm muito em comum.

07052015 - FAMÍLIA DE BRUCE LEE QUER LANÇAR UM CINEBIOGRAFIA DEFINITIVA DO ATOR E MESTRE DE ARTES MARCIAIS:

Bruce Lee deve voltar às telas de cinema em breve. Sua filha Shannon fez parcerias com produtores de Holywood para filmar sua cinebiografia "definitiva".
Bruce Lee deve voltar às telas de cinema em breve. Sua filha Shannon fez parcerias com produtores de Holywood para filmar sua cinebiografia "definitiva".
Mesmo tendo morrido com 32 anos, em 1973, Bruce Lee é considerado por muitos o maior herói de ação da história do cinema. Agora, a figura icônica de Lee deve aparecer mais uma vez nas telonas. Sua filha Shannon teve reuniões com potenciais parceiros de produção para fazer um novo filme biográfico sobre o ator e lutador.
Segundo o site Deadline Holywood, Shannon Lee, que tinha quatro anos quando seu pai morreu, fez uma parceria com o produtor Lawrence Grey, de "Última Viagem a Vegas" e com os produtores veteranos Ben Everard e Janet Yang para fazer uma biografia "definitiva" de Lee no cinema.
A reportagem revela que Hollywood tem procurado produções que conquistem grandes públicos no mercado chinês e que uma nova biografia de Lee poderia ser a atração perfeita.
No cinema, Lee é conhecido por seus papéis nos filmes "Dragão Chinês" (1971) e "A Fúria do Dragão" (1972), dirigidos por Lo Wei; "O Voo do Dragão" (1972), dirigido e escrito por Lee; "Operação Dragão" (1973), da Warner Bros., dirigido por Robert Clouse; e "Jogo da Morte"(1978), dirigido também por Clouse.
Em 1993 foi lançado o filme "Dragão - A História de Bruce Lee", primeira cinebiografia do ator. A intenção, agora, é que a nova biografia seja "definitiva". "Nós queremos mostrar não apenas a sua habilidade física incrível, mas também a profundidade de seu caráter e sua crenças", disse Shannon Lee ao Deadline.
Este é o mais recente empreendimento da Bruce Lee Entertainment, empresa criada por sua família no ano passado. Entre os novos projetos estão uma série de TV, um reality show, uma série de romances baseados nos escritos que Lee deixou, uma série de histórias em quadrinhos e até um jogo para smartphones.

15-05-3015 - O HOMEM DE FERRO (ROBERT DOWNEY JR) USA UMA CAMISETA COM A IMAGEM DE BRUCE LEE NO FILME "OS VINGADORES - A ERA DE ULTRON):


 

BRUCE LEE VS. BATMAN:

HOJE, 27 DE NOVEMBRO DE 2014, O MESTRE FARIA 74 ANOS. CERTAMENTE ONDE ELE ESTÁ AGORA, FICARIA FELIZ QUE O SEU LEGADO É IMORTAL, ASSIM COM O GRANDE MESTRE DOS MESTRES. PARABÉNS BRUCE.

 

PARA AS PESSOAS NOS  EUA. (SHANNON LEE - 20112014):

oje, pois é a vida. A própria vida da vida. Dentro de seu breve período, encontra-se todas as verdades e realidades da sua existência. A bem-aventurança do crescimento. A glória da ação. O esplendor da beleza. Para ontem é apenas um sonho e amanhã é apenas uma visão. Mas, hoje bem vivido faz de cada ontem um sonho de felicidade e cada amanhã uma visão de esperança. Viva, portanto, este dia. (Bruce Lee).

BRUCE LEE GOSTAVA E MUITO DOS ANIMAIS - NO SET DE "O VÔO DO DRAGÃO", ELE BRINCA UM GATO, O MESMO GATO QUE PARTICIPA DO FILME.

 

FIQUE QUE POR DENTRO DE MAIS DETALHES DA VIDA E DA CARREIRA DE UM DOS MAIORES ÍCONES DOS TODOS OS TEMPOS:

 

Por Fabrízia Ribeiro em 20/03/2014

Se ainda estivesse vivo, Bruce Lee completaria 74 anos em 2014. Mesmo com uma vida e uma carreira breves, o ator, roteirista e lutador se tornou um dos principais ícones das artes marciais no mundo.

Todo mundo sabe que Bruce Lee era forte, habilidoso e tinha golpes precisos, mas você consegue imaginar como ele se saía na escola ou quais eram seus outros hobbies? Então não deixe de conferir essa lista de curiosidades sobre um dos lutadores mais influentes do século 20.

Fonte da imagem: Reprodução/Knowledge Reform

1. Bruce Lee era rápido

Quem já assistiu ao menos uma cena dos clássicos estrelados pelo ator deve ter reparado que a agilidade é uma de suas principais características. No entanto, o interessante é notar que a maior parte dos filmes de artes marciais da época costumava ter cenas aceleradas para fazer com que as lutas parecessem mais rápidas.

Mas Bruce Lee era tão ágil que não era possível capturar seus incríveis movimentos com as tradicionais películas de 24 frames por segundo. Então, o lutador era filmado em 32 fps e suas cenas eram desaceleradas para que os espectadores pudessem acompanhar os movimentos.

2. Bruce Lee não era um bom aluno

Durante a infância, o ator frequentava o La Salle College, uma escola para falantes de inglês em Hong Kong, mas sempre se metia em confusões. Seu mau comportamento resultou em sua expulsão da instituição. E, mesmo depois de ser transferido para uma escola diferente, o jovem Bruce Lee continuou se envolvendo em brigas.

3. Bruce Lee também era dançarino e boxeador

Por trás das cenas, Lee cultivava dois hobbies: dançar e lutar boxe. Seu comprometimento com as duas atividades era tanto que ele chegou a ser reconhecido nas duas modalidades. Em 1958, aos 18 anos, ele ganhou o concurso de dança Hong Kong Cha Cha Championship e também venceu um campeonato de boxe. Por nocaute, é claro.

4. Bruce Lee tinha ascendência alemã

Ao contrário do que alguns podem pensar, o ator não era totalmente chinês. Mesmo tendo nascido nos Estados Unidos e passado toda sua vida como cidadão americano, o avô materno de Lee tinha ascendência alemã.

5. Bruce Lee era filósofo


Apesar de não ter um comportamento exemplar nos tempos de escola, Lee foi muito mais do que um lutador habilidoso. O ator frequentou a Universidade de Washington e se graduou em filosofia com ênfase nos princípios filosóficos das técnicas de artes marciais. Para conseguir bancar seus estudos, Bruce Lee dava aulas de artes marciais e abriu sua própria escola depois de concluir seus estudos.

6. O funeral de Bruce Lee apareceu em seu último filme

Bruce Lee faleceu aos 32 anos e os motivos que levaram à sua morte são controversos. Naquela época, ele estava no meio das filmagens de “Jogo da Morte”. O acontecimento inesperado obrigou os roteiristas a alterarem o enredo do filme, fazendo com que o personagem de Lee fingisse sua morte. Dessa maneira, as filmagens reais do funeral do ator foram utilizadas na trama, incluindo cenas em close do seu rosto embalsamado em pleno caixão.
 

PENSAR LEVEMENTE EM SI MESMO, MAS PENSAR MUITO SOBRE O MUNDO.

Miyamoto Musashi (1584-1645) - O Maior Samurai de todos os tempos e autor do livro "Um Livro de Cinco Anéis", sobre estratégia.
Miyamoto tinha uma espada de madeira e nas suas lutas, matou de mais 60 samurais e nunca foi derrotado. No Japão é conhecido como "O Santo da Espada".

STAN LEE FALA SOBRE BRUCE LEE:

Tradução: Vinícius Lee

Stan Lee participou do documentário "Como Bruce Lee Mudou o Mundo" (How Bruce Lee Changed the World) de 2009.
Stan Lee é a força criativa por trás da Marvel Comics e é responsável pela criação de centenas de super-heróis, incluindo o Homem-Aranha, o Incrível Hulk e os X-Men. Ele imediatamente viu o potencial dos quadrinhos em Bruce Lee.

"Pode-se dizer que ele era um super-herói sem fantasia, e seu super poder era realmente a sua agilidade e o fato é que ele lutou de uma maneira que não estávamos acostumados a ver." (Stan Lee)

Um ano depois que "Operação Dragão" foi lançado, a Marvel Comics criou o personagem Punho de Ferro, baseado em Bruce Lee. Outros personagens inspirados em Bruce Lee em seguida, incluindo Shang Chi. 

"Tenho certeza que não teria feito esse HQ se não fosse o Bruce Lee. Eu acho que qualquer personagem de qualquer forma era um artista marcial, você teria que dizer que eles devem sua origem de alguma forma ao Bruce Lee, porque ele foi o primeiro a fazer os ocidentais ficarem cientes desse tipo de luta e desse tipo de um modo de vida." (Stan Lee)

O OSCAR DE 2014 FEZ UMA HOMENAGEM A JIM KELLY, JUNTAMENTE COM OS ATORES E ATRIZES QUE SE FORAM EM 2013:

EU SOU BRUCE LEE:

"Seja como água meu amigo!"

A importância de Bruce Lee definitivamente não pode ser medida, mas o documentário "I Am Bruce Lee" chega muito perto de desvendar toda a influência que este mestre exerceu sobre o cenário das artes marciais e também do cinema.
A produção realizada em 2011 para TV foi conduzida por Pete McCormack, que já havia explorado a vida de outro icônico lutador de nossa história recente: o gigante dos ringues Muhammad Ali, na fita "Facing Ali".
O grande mérito do diretor foi reunir de maneira organizada depoimentos importantíssimos, declarações que ajudam a moldar, de forma bastante compreensível, toda a personalidade e trajetória do eterno astro.
Entre os entrevistados estão a mulher e filha do ator, Linda Lee Cadwell e Shannon Lee respectivamente, alguns famosos lutadores do UFC - Jon Jones, Stephan Bonnar, Dana White (presidente do Ultimate Fighting Championship) e Gina Carano -, também celebridades como Ed O'Neill e Mickey Rourke, o jogador de basquete Kobe Bryant, e outros diversos especialistas e amigos do lendário lutador.
Todos estes, que se reúnem para falar de Lee, o fazem por uma única razão: veem nele um exemplo de vida, conduta e filosofia, uma influência importante que os ajudou a construir suas personalidades. E através da admiração de pessoas importantes, percebemos o valor de Bruce Lee.
A cronologia da vida e história de Lee é muito bem amarrada pelo inteligente roteiro não linear, passeando livremente por eventos que se conectam entre passado e futuro.
Entre os mais relevantes fatos, temos a prolífera e desconhecida carreira do mesmo como ator mirim, seus dilemas de nacionalidade (que transitavam entre sua terra natal, os EUA, e o local ao qual realmente pertencia, a China), sua luta para encontrar espaço dentro de uma cultura arcaica Hollywoodiana que não se abria a orientais, o relacionamento forte e duradouro com a esposa, os ensinamentos e maneira de encarar a vida, nunca se repetindo ou acomodando, sempre se adaptando.
O retorno aos EUA foi um importante período de transição para Lee. Lá ele ensinou sua arte para chineses, americanos, astros do cinema e lutadores consagrados. Em seguida, se iniciaram os papéis na TV, com Kato roubando a cena do "Besouro Verde", e por aí vai. E quando as coisas pareciam estagnadas, ele mudava tudo. Ao retornar para China, percebeu que havia se tornado um herói local, e lá finalmente concretizou sua carreira como protagonista de longas metragens de fama mundial, com direito a todas as glórias e problemas gerados por ela.
Sua jornada como ator foi curtíssima, mas intensa. Deixou como legado sua participação na série "Longstreet" de 1971 (em que pela primeira vez tinha a autêntica oportunidade de "ser Bruce Lee") e seus cinco filmes: os chineses "O Dragão Chinês" (1971), "A Fúria do Dragão" (1972), "O Vôo do Dragão" (filme também de 1972, que foi dirigido por ele mesmo e que revelou o péssimo Chuck Norris), o finalmente americano "Operação Dragão" (de 1973, o qual ele não viu finalizado, pois morreu antes de sua estreia), e o póstumo "Jogo da Morte" (1978), que estava incompleto quando o ator morreu em julho de 73, sendo que certa miscelânea de alternativas foram utilizadas para sua finalização.
Um dos consensos gerais ofertados pelo filme é que Lee foi um revolucionário que esteve a frente de seu tempo. Ele não se encaixava em estilos, na verdade não acreditava neles, pois "estilos separam as pessoas", dizia. Sua busca pela perfeição técnica, que misturava diferentes conceitos de luta, o faz ser considerado hoje o grande pai das Mixed Martial Arts (MMA). Suas infindáveis contribuições, sempre embutidas em seus filmes, serviram de alicerce para o esporte - chaves de braço, uso dos cotovelos e joelhos, a defesa como ataque, elementos pouco explorados até então.
No entanto, como lutador, o mesmo não via sentido em competições, pois era totalmente contra regras. Dizia que a finalidade de um combate era sobreviver, sair ileso, e para isso a contenda precisaria ser real - e com este pensamento, sua técnica focava na forma mais rápida de subjugar o adversário. Mas claro, espirituoso como era, nada o impedia de comparecer aos diferentes campeonatos de artes marciais que surgiam dia após dia - um resultado direto de sua presença no mundo, por assim dizer.
A dinâmica edição do longa trabalha um estilo bem cool na hora de enfatizar os marcantes pensamentos do ator. Temos também uma ambientação interessante para as entrevistas, algo fluido e extremamente informal. O trabalho de McCormack funciona bem, e apesar de alguns convidados mais exaltados, e outros talvez desnecessários, temos um equilíbrio constante de andamento, que conduz espectadores atentos até o final.
Em resumo: com imagens de arquivo enriquecedoras, depoimentos sinceros e carregados de admiração, "I Am Bruce Lee" é um importante documento - praticamente definitivo - que explora a fundo a história deste lutador, de honestidade dilacerante e que veio a se tornar uma lenda. Um showman insuperável que deu colhões aos chineses e foi o único grande astro oriental a reinar soberano em Hollywood (mesmo depois de 40 anos, ninguém chegou perto de se equiparar a imagem mítica de Bruce Lee). Além de biográfica, esta obra oferece reflexão, um verdadeiro exercício de auto-análise. Obrigatório.

 

EM 1971, O MESTRE DEU UMA RARA ENTREVISTA:

Pierre Berton: Bruce Lee enfrenta um real dilema. Ele está a beira do estrelato nos Estados Unidos, com os seriados projetados no horizonte, mas ele tem alcançado há pouco um super estrelato como um ator de filmes aqui em Hong Kong. Assim como a bruxa, ele escolhe: O Leste ou o Oeste? É o tipo de problema que a maioria dos atores de filmes dariam boas-vindas.
Este é o Show de Pierre Berton. O programa que vem pra você das principais capitais do mundo. Essa edição vem a você de Hong Kong. E o convidado de Pierre é o homem que ensinou karatê, judô e boxe chinês para James Garner, Steve McQueen, Lee Marvin e James Coburn. O super-astro mandarim mais novo. Conhecido no oeste por suas aparições em Batman, O Besouro Verde, Ironside e Longstreet. Seu nome é Bruce Lee, e ele nem mesmo fala mandarim. Mas aqui é o Pierre.


Pierre Berton: Bem como você pode atuar em filmes mandarins se você nem mesmo
fala mandarim?


Bruce Lee: Bem em primeiro lugar, eu só falo cantonês.

Pierre: Sim.

Bruce Lee: Por isso, quero dizer, que existe uma grande diferença no que diz respeito à pronúncia e coisas do caso.

Pierre: Então alguma outra voz é usada, certo?

Bruce Lee: Definitivamente, definitivamente!

Pierre: Assim que você acaba de dizer as palavras… não há aquele som estranho quando você vai ao cinema, especialmente em Hong Kong, sua cidade natal, e você te vê com a voz de alguém?

Bruce Lee: Bem, realmente não, entende, porque a maioria dos filmes mandarins feitos aqui, são dublados de qualquer maneira.

Pierre: Eles são dublados de qualquer maneira?

Bruce Lee: De qualquer maneira. Quero dizer neste aspecto, eles filmam sem som. Assim não faz diferença alguma.

Pierre: Seus lábios nunca fazem as palavras certas totalmente, fazem?

Bruce Lee: Sim, bem isso é onde a dificuldade mente, entende. Quero dizer em relação ao… cantonês tem um modo diferente de dizer coisas… quero dizer diferente do mandarim. Assim eu tenho que achar, como, algo semelhante a isso e manter uma boa sensação de partida através disso. (Em meus filmes). Algo, sabe, adaptando a forma do mandarim. Soa complicado?

Pierre: Como nos velhos dias silenciosos. Mas eu junto isso nos filmes feitos aqui
o diálogo é bem formal de qualquer maneira.


Bruce Lee: Sim, concordo contigo. Quero dizer, me entenda, um filme é movimento. Quero dizer, você tem que manter o diálogo no mínimo.

Pierre: Assistiu muitos filmes mandarins antes de começar atuar em seu primeiro?

Bruce Lee: Sim.

Pierre: O que acha deles, quando você os assiste?

Bruce Lee: Quanto à qualidade, devo admitir que não está totalmente no mais alto nível. Porém, estão crescendo e subindo mais e mais… e atingirão esse nível de qualidade.

Pierre: Dizem que o segredo de seu sucesso naquele filme, “O Dragão Chinês” e o levou ao estrelato na Ásia, foi você quem fez as cenas de luta.

Bruce Lee: Uh-huh..

Pierre: Como perito em diversas artes marciais na China, o que você achou das lutas que viu nos filmes que você estudou antes de se tornar um astro?

Bruce Lee: Bem, quero dizer, definitivamente no princípio, eu não tive intenção alguma que tudo, que eu estava praticando, e o que eu ainda estou praticando agora conduziria a isso. Mas arte marcial tem mesmo um, significado muito profundo em minha vida, porque, como ator, como um artista marcial, como um ser humano, tudo isso eu tenho aprendido da arte marcial.

Pierre: Talvez para nosso público que não conhece o que significa, você poderia explicar exatamente sobre o que quer dizer arte marcial?

Bruce Lee: Certo. Arte marcial inclui todas as artes de combate, como Karatê…

Pierre: Judô.

Bruce Lee: … ou Karate, Judô, Kung-fu chinês, ou Boxe chinês, seja lá como chamá-lo. Tudo isso, entende, como, Aikidô, Karatê coreano, e por aí vai. Mas é uma forma combativa de luta. Quero dizer, algumas se tornaram esportes, mas outras ainda não. Usam, por exemplo, chutes na virilha, golpes com os dedos nos olhos, coisas desse tipo.

Pierre: Nenhuma maravilha você tem êxito nisso! Os filmes chineses estão de qualquer maneira cheios desse tipo de ação… eles precisaram de um sujeito como você! (Os dois ríem).

Bruce Lee: Violência, cara!

Pierre: Assim você não teve que usar um dublê quando você mudou prum papel num filme aqui.

Bruce Lee: Não.

Pierre: Você fez tudo?

Bruce Lee: Certo.

Pierre: Você pode quebrar cinco ou seis pedaços de madeira com sua mão ou pé?

Bruce Lee: Provavelmente eu quebraria minha mão e pé! (Os dois ríem).

Pierre: Conte-me um pouco… você montou uma escola em Hollywood não foi?

Bruce Lee: Sim.

Pierre: Para pessoas como James Garner, Steve McQueen e os outros.

Bruce Lee: Sim.

Pierre: Por que eles queriam aprender arte marcial chinesa? Por causa de um papel num filme?

Bruce Lee: Realmente não. A maioria deles, entende, para mim, pelo menos do modo que eu ensino, todo tipo de conhecimento significa, no final, autoconhecimento. Assim, quando uma pessoa me procura pedindo pra ensiná-la, não como se defender, ou como acabar com alguém, pelo contrário, ela quer aprender a se expressar por meio de movimento, seja raiva, seja determinação ou outra coisa qualquer. Em outras palavras, o que eu estou dizendo é que, ele está me pagando para lhe mostrar, em forma combativa, a arte de expressar o corpo humano.

Pierre: De certo modo, o qual está atuando não é?

Bruce Lee: Bem…

Pierre: ou seria uma ferramenta útil para um ator ter entretanto…

Bruce Lee: Poderia soar muito filosófico, mas é não atuar atuando ou atuando sem atuar… se você…

Pierre: Você me perdeu!

Bruce Lee: Eu tenho huh? Assim o que eu estou dizendo, de fato, entende, é uma combinação de ambos. Quero dizer aqui há o instinto natural e aqui há controle. Você tem que combinar os dois em harmonia. Não… Se você exceder um extremo, será extremamente não científico. Se você tender para o outro extremo, você se torna, de repente, um homem mecânico… deixa de ser um ser humano. Assim é uma combinação próspera de ambos, assim, não se trata de ser puramente natural ou inatural. O ideal é a naturalidade não natural, ou a inaturalidade natural.

Pierre: Yin e Yang é?

Bruce Lee: Você está certo cara, é isso mesmo.

Pierre: Um de seus alunos, James Coburn, atuou em um filme chamado “Our Man Flint”, no qual ele usou Karatê. Foi o que ele aprendeu com você?

Bruce Lee: Ele aprendeu depois do filme. Não…

Pierre: Assim ele aprendeu depois que ele atuou em “Our Man Flint.

Bruce Lee: Certo. Certo. De fato, entende eu não ensino, você sabe, Karatê, porque eu não acredito mais em estilos. Quero dizer que eu não acredito que haja algo como, o modo chinês de lutar ou o modo japonês de lutar… ou algum modo de lutar, porque a menos que o ser humano tenha três braços e quatro pernas,
aí teríamos uma forma diferente de lutar. Mas, basicamente, nós só temos duas mãos e dois pés. E os estilos tendem a separar os homens, porque eles têm suas próprias doutrinas e a doutrina se tornou a verdade evangélica que você não pode mudar. Mas, se você não tiver estilos, se apenas disser, “Aqui estou eu, um ser humano, como eu posso me expressar, total e completamente?”… desse jeito, você não criará um estilo porque estilo é uma cristalização. Aquele jeito é um processo de crescimento contínuo.

Pierre: Você fala sobre boxe chinês… como é o procedimento, diga, nosso tipo de boxear? (Ocidental).

Bruce Lee: Bem, primeiro nós usamos os pés.

Pierre: Uh-huh isso é um começo.

Bruce Lee: E então nós usamos o cotovelo.

Pierre: Você usa o dedo polegar também?

Bruce Lee: Você fala assim cara, nós usamos isso!

Pierre: Você usa tudo?

Bruce Lee: Você tem, entende, porque isso é a expressão do corpo humano. Quero dizer, de tudo, e não só a mão! Quando você está falando sobre combate, bem, se isso fosse um esporte… Então estaríamos falando sobre qualquer outra coisa, com regulamentos, e regras… mas se você está falando sobre luta, como é o caso…

Pierre: Não há regras…

Bruce Lee: … sem regras, bem, então, é melhor você treinar toda parte do seu corpo! E quando você soca… Vou me inclinar um pouco para frente espero não estar atrapalhando os ângulos da câmera. Eu quero dizer que você tem que pôr o quadril inteiro nisto, e soltar o golpe! (Lee soca duas vezes, muito rápido) E adquire toda sua energia de lá e faz disso uma arma.

Pierre: Não quero me cruzar contigo em qualquer noite escura, já lhe falo isso agora mesmo! Você veio a mim com uma bela rapidez ali! Qual é a diferença entre boxe chinês e isso que nós vemos esses caras jovens fazendo às oito em ponto todas as manhãs nos jardins e parques chamado “shadowboxing”. O que eles estão sempre fazendo?

Bruce Lee: Bem, de fato, entende, isso faz parte do boxe chinês. Há muitas escolas, escolas diferentes…

Pierre: Todo o mundo aqui parece ir assim (se movimenta com um movimiento de tai-chi) todo o tempo.

Bruce Lee: Bem, isso é bom. Quero dizer, eu estou muito contente, eu estou muito contente em ver que pelo menos alguém cuida de seu próprio corpo, certo?

Pierre: Sim.

Bruce Lee: Quero dizer que isso é um bom sinal. Bem, isso é uma lenta forma de exercício que é chamada Tai-Chi-Chuan… Estou falando mandarim agora mesmo… em cantonês, “Kai-di-kune”, e é mais que um exercício pros mais velhos, não tanto para o jovem.

Pierre: Me dê uma demonstração; me mostre, você pode fazer um pouco disso?

Bruce Lee: (Sentado faz uma demonstração do Tai-chi por meio de uns movimentos de mão…). Quero dizer, mão-sábia, isso é muito lento e você empurra isso pra fora, mas o tempo todo você está mantendo a continuidade; dobrando, estirando, tudo isso. Você apenas mantém isso movendo.

Pierre: Se parece um dançarino de balé aí…

Bruce Lee: É. Quero dizer que pra eles a idéia é “água corrente nunca perde frescor.” Assim você simplesmente tem que “continuar fluindo”.

Pierre: De todos seus alunos, famosos, James Garner, Steve McQueen, Lee Marvin, James Coburn, Roman Polanski, Quem era o melhor? Que se adaptou melhor a esta forma oriental de exercício e defesa?

Bruce Lee: Bem, dependendo… como um lutador, Steve… Steve McQueen… agora, ele é bom nesse departamento porque, aquele filho da mãe adquiriu a dureza nele…

Pierre: Eu vejo isso na tela…

Bruce Lee: Quero dizer, ele diria, “certo baby, aqui estou eu, cara”, você sabe, e ele faria isso! Agora James Coburn é um homem amante da paz…

Pierre: Eu o conheci.

Bruce Lee: Certo? Quero dizer, você o conheceu…

Pierre: Sim.

Bruce Lee: Quero dizer que ele é, realmente agradável, super jovial, e tudo isso…

Pierre: Sim, ele é!

Bruce Lee: Agora, ele aprecia a parte filosófica disso. Então, sua compreensão sobre isso é mais
profunda que a do Steve. Assim é realmente difícil dizer, entende o que estou dizendo agora?

Pierre: Entendo…

Bruce Lee: Quero dizer que é diferente, dependendo do que entende disso…

Pierre: É interessante, nós não fazemos em nosso mundo, e não tem desde a época que os gregos fizeram, filosofia e arte combinada com esporte. Mas é muito claro que a atitude oriental é isso, as três são facetas da mesma coisa.

Bruce Lee: Cara, escute. Entende, realmente… Para mim, no fim das contas, arte marcial significa expressar-se honestamente. Agora, isso é muito difícil de fazer. Quero dizer que pra mim, é fácil fazer um show, ser convencido me encher de arrogância, me achar o máximo, e tudo isso. Ou fazer todo tipo de coisas falsas, você entende o que eu quero dizer? Enganar. Ou eu posso te mostrar
alguns movimentos realmente elegantes, mas, se expressar honestamente, sem mentir a si mesmo… me expressar com sinceridade, isso, meu amigo, é muito difícil de fazer. E você tem que treinar. Você tem que manter seus reflexos pra quando você precisar… eles estarem lá! Quando quiser se mover, você se move e
quando se mover, estar determinado a se mover. Levando uma polegada, nada mais que isso! Se eu quiser socar, eu vou socar cara, e eu vou mesmo! Então, é este o tipo de coisa que você
precisa colocar em prática. Se tornar uno com… Você pensa… (estala seus dedos) …. é isso.

Pierre: Isso é muito anti-ocidental, essa atitude. Eu quero lhe perguntar por seu filme e carreira de TV, mas primeiro nós faremos um intervalo e então estaremos de volta com Bruce Lee. Eu tenho falado com Bruce Lee, principalmente sobre as artes marciais chinesas, que incluem coisas como boxe chinês, Karatê e Judô que foi o que ele ensinou quando estava em Hollywood depois que ele deixou a Universidade de Washington, onde ele estudou, de todas as coisas, filosofia, se pode acreditar nisso. Mas ele fez mas isso, talvez você entenda por que os dois vão juntos do começo a metade deste programa e talvez você pode entender como ele tem entrado em filmes, ele conheceu muitos atores, mas me falaram que você arrumou emprego em “O Besouro Verde”, onde você atuou como Kato, o chofer, principalmente porque você era o único sujeito chinês que pôde pronunciar o nome do protagonista, “Britt Reid”!

Bruce Lee: Eu quis dizer isso como uma piada, claro! E é um grande nome, cara! Quero dizer toda vez que eu dizia isso naquele momento, estava super-consciente! Realmente quero dizer, agora, isso é outra
coisa interessante, huh? Digamos que você aprende a falar chinês…

Pierre: Sim?

Bruce Lee: Não é difícil de aprender e falar as palavras. A coisa complicada, a coisa difícil, está atrás do que é o sentido no qual tráz a expressão e os sentimentos através dessas palavras. Como, quando cheguei a primeira vez nos Estados Unidos e olhei para um caucasiano, e eu realmente não sabia se ele estava posto
sobre mim ou se ele estava realmente bravo? Porque nós temos modos diferentes de reagir a isso… essas são as coisas difíceis, entende?

Pierre: É quase como se você descobrisse uma raça estranha onde um sorriso não significasse o que significa pra nós. Na realidade, um sorriso nem sempre significa o mesmo, né?

Bruce Lee: Claro que não.

Pierre: Me fale sobre a grande fratura quando você atuou em Longstreet…

Bruce Lee: Ahh, isso é tudo.

Pierre: Eu tenho que falar pro nosso público que Bruce Lee teve uma pequena parte, ou um papel de apoio nas séries de Longstreet e isso teve um enorme efeito na audiência. O que foi isso?

Bruce Lee: Bem, entenda, o título desse episódio particularmente em Longstreet se chama “O Caminho do Punho Interceptando.” Agora creio que o ingrediente próspero nisso foi que eu estava sendo Bruce Lee.

Pierre: Você mesmo.

Bruce Lee: Eu mesmo, certo. E fiz aquela parte, justamente me expressando, como eu disse,
“me expressando honestamente”, naquele momento. E eu, por causa disso, trouxe, sabe, mencionando favoravelmente em, como, a New York Times que diz, como, “O cara chinês que, incidentemente, saiu bastante convincente e ganhou uns seriados” e assim por diante.

Pierre: Você pode se lembrar das linhas chave por Stirling Silliphant? As linhas principais?

Bruce Lee: Ele é um de meus alunos, você sabia disso?

Pierre: Ele também foi?

Bruce Lee: Sim…

Pierre: Todo mundo seu aluno! Mas você leu, havia algumas das linhas principais que expressavam sua filosofia. Eu não sei se você lembra…

Bruce Lee: Oh eu me lembro, eu disse…

Pierre: Como é? Ouçamos…


Bruce Lee: É isso mesmo, ok?

Pierre: Você está falando com Longstreet interpretado por James Franciscus…

Bruce Lee: Eu disse, “Esvazie sua mente, seja amorfo, sem forma, como a água. Agora você coloca a água num copo, ela se torna o copo. Você coloca a água numa garrafa, ela se torna uma garrafa. Você coloca numa chaleira, ela se torna uma chaleira. Agora a água pode fluir, ou pode destruir… Seja água, meu amigo”… Assim, entende?

Pierre: Sim, entendo, eu adquiro a idéia. Adquiro o poder através disso…

Bruce Lee: Aham….

Pierre: Assim, agora, duas coisas aconteceram: Primeiro há uma chance satisfatória de você ganhar
um seriado nos EUA chamado “O Guerreiro”, não é? Onde você usa, as artes marciais em uma
produção ocidental?

Bruce Lee: Bem isso era a idéia original. Agora Paramount, você sabe que eu fiz Longstreet pra Paramount, e a Paramount quer que eu esteja em um seriado. Por outro lado, a Warner Brothers
quer que eu esteja em outro. Mas ambos, eu acho, que querem que eu esteja em um tipo modernizado de algo e pensam que a idéia ocidental está fora! Considero que eu quero…

Pierre: Você quer fazer a ocidental!

Bruce Lee: Eu quero porque, entende, quero dizer, como outro pode justificar tudo isso socando e chutando e violência, exceto no período do oeste? Quero dizer, hoje em dia, quero dizer que
você não passa na rua, chutando pessoas e socando pessoas… (finge alcançar uma arma em sua jaqueta), porque se você faz isso… (saca sua pistola imaginária e aperta o gatilho) Pow! Isso é tudo. Quero dizer, que não me importa o quanto “bom” você é.

Pierre: Sim, uma pistóla, mas isso também é a verdade dos dramas chineses, que são principalmente dramas de fantasia. Eles são todos cheios de sangue derramado mais que aqui!

Bruce Lee: Oh você quer dizer aqui?

Pierre: Sim.

Bruce Lee: Bem, infelizmente, entende, eu espero que o filme que eu faço, explique o porquê da violência cometida… seja certa ou errada, o que for mas, infelizmente, a maioria dos filmes aqui, são feitos principalmente pela violência. Sabe o que quero dizer? Sabe, caras lutando durante 30 minutos, sendo esfaqueado 50 vezes! (atua como se fosse esfaqueado e golpeado, seu micrófone cái fora de sua jaqueta).

Pierre: Fico encantado, aqui, deixe-me lhe devolver seu microfone… Fico encantado que volte…

Bruce Lee: Eu sou um artista marcial…

Pierre: Você voltou para Hong Kong à beira do sucesso em Hollywood… e cheio disso… e de repente, em virtude de um filme, você se torna um super-astro. Todo mundo te conhece, você teve de mudar seu número de telefone. Você é tumultuado nas ruas. Agora o que você vai fazer? Você vai poder morar em ambos os mundos? Você vai ser um super-astro aqui ou um nos EUA… ou ambos?

Bruce Lee: Bem, deixe-me dizer isso. Em primeiro lugar, eu não gosto da palavra “super-astro”… e lhe direi por quê… porque a palavra “astro”, cara, é uma ilusão. Como ator, você precisa olhar pra dentro de si mesmo, cara. Eu ficaria muito contente se alguém me dissesse: (bate seu punho na outra mão) “Aí cara, você é um super-ator!” Isso é bem melhor do que “super-astro. Então, eu…

Pierre: Sim, mas você tem que admitir que você é um super-astro. Você não vai… você não vai… se você vai me dar a verdade!

Bruce Lee: Eu sou agora… eu estou dizendo isso honestamente, ok? Sim, eu tenho tido muito sucesso, ok?

Pierre: Sim…

Bruce Lee: Mas creio que a palavra “astro” é… Quero dizer que não olho pra mim como um astro. Realmente não. Quero dizer acredite, cara, quando digo isso. Quero dizer não estou dizendo isso porque…

Pierre: O que você vai fazer? Voltemos à pergunta.

Bruce Lee: (risos) Ok.

Pierre: Você vai ficar em Hong Kong e ser famoso, ou você vai para os Estados Unidos e ser famoso, ou você vai tentar comer seu bolo e ter isso também?

Bruce Lee: Eu vou fazer ambos porque, entende, eu já decidi que, nos Estados Unidos, creio que algo sobre o oriental, quero dizer o verdadeiro oriental, deveria ser mostrado.

Pierre: Hollywood não tem mostrado.

Bruce Lee: É verdade, cara. É sempre o rabo-de-porco, saltando ao redor, “chop-chop”, você sabe? Com os olhos puxados e tudo aquilo. E eu acho que é isso mesmo, muito defasado.

Pierre: É isso retifica que o primeiro trabalho que você teria, estava sendo emitido como o “Filho Número Um de Charlie Chan”?

Bruce Lee: Sim, “Filho Número Um”. (Os dois ríem).

Pierre: Eles nunca fizeram o filme?

Bruce Lee: Não, eles iam fazer como um novo James Bond chinês ou coisa do tipo. Agora que, sabe, “o velho homem Chan está morto, Charlie está morto, e o filho dele está continuando”.

Pierre: Oh entendo. Mas eles não fizeram isso.

Bruce Lee: Não, veio o Batman entende. E então tudo começou a entrar naquele tipo de coisa.

Pierre: Como em “O Besouro Verde”?

Bruce Lee: Sim.

Pierre: No qual você estava…

Bruce Lee: A propósito, eu fiz um trabalho realmente terrível nisso, eu tenho que dizer.

Pierre: Verdade? Não gostou de você nisso?

Bruce Lee: Oh, não.

Pierre: Eu não o vi. Porém, deixe-me lhe perguntar, sobre os problemas que você enfrenta como um herói chinês num seriado americano. As pessoas já te disseram: “bem nós não sabemos como o público vai aceitar um não-americano?”


Bruce Lee: Bem, essa questão foi levantada. Sim, há essa discussão. E é provavelmente o
motivo que “O Guerreiro” não saia.

Pierre: Entendo.

Bruce Lee: Entende? Porque, infelizmente, essas coisas existem neste mundo, entende. Como, sei lá, em certas partes do país, certo? Eles acham que, comercialmente, é um risco. E eu não os culpo… eu não os culpo. Quero dizer, da mesma maneira, como em Hong Kong, se um estrangeiro viesse e se tornasse um astro, se eu fosse o homem do dinheiro, eu provavelmente teria minha própria preocupação se ele seria ou não aceito. Mas tudo bem, porque, se você se expressa honestamente, não importa, entende? Porque você vai fazer isso!

Pierre: Como sobre o outro lado da moeda? É possível que você, quero dizer que você é razoavelmente anca, e razoavelmente americanizado, você é muito ocidental pro nosso público oriental, você não acha?

Bruce Lee: Eu… oh cara! De forma alguma… Eu fui criticado por isso!

Pierre: Você tem, né?

Bruce Lee: Oh, definitivamente. Bem, deixe-me dizer isso: Quando faço filme chinês eu dou o meu
melhor para não ser tão… americano como, sabe, quanto tive de ser nos últimos 12 anos nos EUA. Mas, quando volto aos EUA, parece ser ao contrário, sabe o que quero dizer?

Pierre: Você é muito exótico, né?

Bruce Lee: Sim, cara. Quero dizer que eles estão tentando conseguir que eu faça muitas coisas que são realmente por eu ser exótico. Entende o que estou tentando dizer?

Pierre: Oh seguramente.

Bruce Lee: Assim, isso é realmente, quero dizer…

Pierre: Quando você mora em ambos os mundos, traz seus problemas como também suas vantagens, e você tem ambos. Tempo para ir ao comercial. Estaremos de volta em instantes, com Bruce Lee. Me deixe lhe perguntar se a mudança da atitude por parte da administração Nixon pra China ajudou suas chances de estrelar em um seriado americano?

Bruce Lee: (risos) Bem, em primeiro lugar, isso aconteceu antes disso. Mas creio que coisas de chinês serão bastante interessantes durante os próximos anos… Não quero dizer que estou politicamente inclinado pra qualquer coisa, sabe, mas…

Pierre: Entendo, mas só estou querendo saber…

Bruce Lee: Mas quero dizer, que uma vez a abertura da China, sabe, quero dizer, que, trará mais compreensão! Mas são coisas que, ei, como diferente, sabe? E talvez no contraste de comparação alguma coisa nova poderia crescer. Então, assim quero dizer que é um período muito rico estando dentro. Quero dizer como, se eu nasci, digamos 40 anos atrás e se eu pensei em minha mente e disse, “menino, eu vou estrelar em um filme, ou estrelar em um seriado na América”, bem… isso poderia ser um sonho vago.
Mas penso, agora mesmo, pode ser, cara.

Pierre: Você ainda pensa em você como um chinês ou sempre pensa em você como um norte-americano?

Bruce Lee: Sabe o que quero pensar de mim mesmo? Como um ser humano. Porque, quero dizer, não quero soar como pergunta a Confúcio, digo… (brincando), mas sob o céu, sob o firmamento,
cara, há apenas uma família. E é exatamente assim, acontece que as pessoas são diferentes.

Pierre: Ok, temos que ir, obrigado Bruce Lee por ter vindo aqui, e obrigado por assistir…


Bruce Lee: Obrigado, Pierre, obrigado.

 

FRASES DE BRUCE LEE:

"Os que não sabem que caminham na escuridão, jamais verão a luz.”
“Conhecimento dá poder, mas só o caráter granjeia respeito.”
“Quem quiser vencer deve aprender a lutar, perseverar e sofrer.”
“Otimismo é a fé que conduz ao sucesso.”
“Saber não é o bastante; precisamos aplicar. Querer não é o bastante, precisamos fazer.”
“Erros são sempre perdoáveis se você tiver a coragem de admití-los.”
“Empenhar-se ativamente para alcançar determinado objetivo dá à vida significado e substância.”
“A confiança nasce do conhecimento.”
“Se você acreditar que uma coisa é impossível, você a tornará impossível.”
“Entesouro a memória dos infortúnios passados. Eles acrescentam muito à minha fortaleza interior.”
“Um bom mestre poupa seus alunos de sua própria influência.”
“Crescer, descobrir… é algo que experimento todo dia, às vezes é bom, às vezes frustrador… não importa! Deixe sua luz interior guiá-lo, para fora da escuridão.”
“O homem, criatura viva e criador individual, é sempre mais importante do que qualquer estabelecido estilo ou sistema.”
“Conhecer os outros é sabedoria. Conhecer a si mesmo é iluminação.”
“Quem sobrepuja os outros é forte. Quem sobrepuja a si mesmo é poderoso.”
“Ninguém pode fazê-lo sentir-se inferior sem o seu consentimento.”
“A sabedoria vem do escutar, do falar vem o arrependimento.”
“A verdadeira viagem da descoberta consiste não em novas paisagens, mas em se ter olhos novos.”
“Nem todos os otimistas, são profissionais de sucesso. Mas todos os profissionais de sucesso são otimistas.”
“Um lutador não se aperfeiçoa pra lutar, luta pra se aperfeiçoar.”
“Nunca se orgulhe de haver vencido a um oponente; quem você venceu hoje, poderá lhe derrotar amanhã. A única vitória que perdura é a que se conquista sobre a própria ignorância.”
“Faça da pedra de tropeço, um degrau de subida. Transforme cada fato negativo, em uma experiência positiva.”
“Esvazie sua mente, seja amorfo, sem forma como a água, se você coloca água em um copo, ela se torna um copo, se você a coloca em uma garrafa ela se torna uma garrafa, se você a coloca em uma chaleira, ela se torna uma chaleira, a água pode fluir mas também destruir, seja água meu amigo.”
“Esvazie sua xícara primeiro, só então você poderá provar meu chá. Afinal de contas a utilidade da xícara está em poder esvaziar-se. Abra sua mente para receber novas ideias.”
“Não é triste mudar de ideia, triste é não ter ideia pra mudar.”
“Covarde não é aquele que evita um combate, covarde é aquele que mesmo sabendo que é superior, luta e fere o mais fraco.”
“O que você sabe não tem valor; o valor está no que você faz com o que sabe”
"A vida é um processo fluente e em alguns lugares do caminho coisas desagradáveis ocorrerão. Podem deixar cicatrizes, mas a vida continua a fluir. É como a água fluente, que ao estagnar-se, torna-se podre; não pare! Continue bravamente...porque cada experiência nos ensina uma lição."
“Os verdadeiros amigos são como diamantes, pedras preciosas e raras. Falsos amigos são como folhas de outono, encontradas em toda parte.”
“Note que a árvore mais dura e rígida é a mais fácil de ser quebrada, enquanto o bambu ou salgueiro sobrevivem se dobrando com o vento.”

40 ANOS SEM BRUCE LEE:
POR TATI LAAI

Em 20 de julho de 1973, o cinema perdeu seu maior ícone dos filmes de artes marciais, mais do que isso, Bruce Lee, foi o grande propulsor desse tipo de filme no ocidente e além de lutador, ator e galã era também filósofo e cineasta soube como ninguém promover o Kung Fu nas telonas. Participou de todas as fases de produção de um filme: direção, atuação, roteiro e produção, tudo desempenhado de forma perfeccionista.
Dono de uma técnica ainda hoje inigualável e impressionante, Bruce Lee era capaz de façanhas que parecem coisa de efeito especial como trocar a moeda que alguém segurava antes que a pessoa fechasse a mão, apanhar com um par de hashis grãos de arroz jogados para o alto, jogar tênis de mesa usando nunchaku como raquetes e acertar um soco a uma distância de quase um metro em apenas cinco centésimos de segundo, entre outras. Sua velocidade, aliás, era tão impressionante que exigia cuidados especiais durante as gravações. Em vez dos tradicionais 24 frames por segundo, seus golpes eram filmados em 32 frames e as cenas eram desaceleradas para que fosse possível enxergar o que ele havia feito.
Lee nasceu nos Estados Unidos em São Francisco, filho de pais chineses, mas cresceu em Hong Kong até sua adolescência. Bruce Lee cresceu num ambiente rico e privilegiado: a mãe Grace Ho pertencia a um dos clãs mais ricos e poderosos em Hong Kong era a sobrinha de Sir Shang-Tsung, o patriarca do clã e um importante empresário euro asiático; o pai Lee Hoi-Chuen foi um astro da ópera cantonesa e ator no cinema chinês. Bruce Lee atuou em dezenas de filmes na infância e adolescência em Hong Hong, influenciado por seu pai. Aos 18 anos de idade, Bruce Lee foi para os Estados Unidos a fim de reivindicar cidadania americana. Com apenas 100 dólares no bolso e 2 títulos de campeão de Boxe de 1957 e 1958 em Hong Kong, ele foi garçom e lavador de pratos. Mas, antes de se tornar mestre das artes marciais, graduou-se em Filosofia, Teatro e Psicologia.
Seu primeiro papel de destaque foi como Kato, na série de TV Besouro Verde(1966-1967). A partir daí, Lee se tornou visível aos estúdios americanos por sua indiscutível força, desenvoltura física e muito carisma, o que deu a ele a chance de aparecer em alguns episódios de “Batman” e rendeu convites para pequenas pontas em outros programas. Lee volta a Hong Kong na década de 70 e percebe que sua interpretação como Kato realmente foi idolatrada no seu país origem. Em 1971 é lançado “O Dragão Chinês”, filme oriental que mostra Lee como um ator e lutador completo, além de se tornar um sucesso gigantesco de bilheteria na Ásia e influenciar toda uma geração das artes marciais, foi o filme que chamou atenção de Hollywood para Lee. Com o dinheiro de “O Dragão Chinês”, Bruce Lee abriu sua própria produtora, a Concord Productions, e lançou “A Fúria do Dragão” (1972), outro sucesso de bilheteria, e no mesmo ano, “O Vôo do Dragão”, filme que ele mesmo dirigiu e que conta com a clássica cena de luta com Chuck Norris.
Seu último trabalho foi “Operação Dragão”, de 1973, filme que serve como a verdadeira consagração de Lee na indústria. O longa, dono do maior orçamento que um filme de artes marciais já havia tido até então, foi o primeiro produzido por Hollywood e estenderia ao resto do mundo a fama da qual já desfrutava na Ásia e Estados Unidos. Infelizmente Bruce Lee, com apenas 32 anos e no auge da carreira faleceu seis dias antes do filme “Operação Dragão” estrear.
Devido a seu status de mito, muitas lendas cercam a sua morte. Teorias de que ele havia sido envenenado pelas Tríades (a máfia chinesa), ou de que um cabal secreto de mestres de artes marciais matou Lee por ter revelado muitos segredos aos ocidentais e até mesmo de que uma maldição hereditária paira sobre a família Lee, que afetou mais um membro quando o seu filho, Brandon Lee, foi morto em um acidente estranho durante as filmagens do filme “O Corvo”, são os rumores mais famosos sobre a morte do ídolo.A explicação oficial é que Bruce Lee teve uma reação adversa a remédios que o que causou um edema cerebral, matando o ator.
Inspiração para diversos lutadores que se tornaram atores e para incontáveis filmes de ação, Bruce Lee deixou um filme inacabado que, ironicamente, rendeu uma de suas imagens mais icônicas. “O Jogo da Morte”, em que usa o lendário macacão amarelo que mais tarde serviu como inspiração de Quentin Tarantino para a criação do figurino de Beatrix Kiddo (Uma Thurman) em Kill Bill. Coestrelado pelo jogador de basquete Kareem Abdul-Jabbar, o projeto foi iniciado antes de “Operação Dragão” e completado pelo diretor Robert Clouse (de Operação Dragão) usando outro enredo e Kim Tai Chung como sósia de Lee, Yuen Biao como dublê, truques de edição e imagens de arquivo do próprio Lee. Cercado de controvérsias, o longa chegou aos cinemas em 1978 e, mais tarde, em 2000, a maior parte das cenas originais filmadas por Lee foram recuperadas no documentário Bruce Lee: A Warrior’s Journey.

COMO SE FAZ UM MITO : BRUCE LEE

Há 40 anos, Operação Dragão abriu espaço para os filmes de Kung Fu no cinema americano. Mas o filme que fez de Bruce Lee um astro também foi uma luta. Confira aqui a história de um clássico

Por Matthew Polly - PLAYBOY DE AGOSTO DE 2013

Em agosto de 1973, dois times chineses da tradicional dança do leão desfilaram pelo Hollywood Boulevard em frente ao Chinese Theatre para a estreia do filme Operação Dragão. A estridente plateia, que havia começado a se formar na noite anterior, se entrelaçava ao quarteirão. “Pelo vidro de trás da limusine, vi grupos e mais grupos de pessoas, eles simplesmente não terminavam”, relembra John Saxon, que interpretou Roper, o jogador malandro da história. “Perguntei ao motorista o que estava acontecendo, e ele respondeu: ‘É o seu filme’.”
Saxon não foi o único pego de surpresa com o sucesso de Operação Dragão. Apesar de ter sido rotulado inicialmente como ultraviolento e de baixo orçamento – um filme chinês de ação sobre kung fu com uma produção ao estilo americano –, sua popularidade lançou no Ocidente um gênero novo que continuou a prosperar, como ficou evidenciado em filmes como Matrix, O Tigre e o Dragão e Kill Bill. Operação Dragão mudou a maneira como filmes de ação eram feitos – quem podia estrelá-los e como os heróis deveriam lutar. O soco de John Wayne era coisa do passado. Depois de Operação Dragão, passamos a exigir que cada protagonista – de Batman a Sherlock Holmes, de Mel Gibson em Máquina Mortífera a Brad Pitt em Clube da Luta – fosse um especialista em artes marciais, tão habilidoso com os pés quanto com os punhos.
Feito com 850 mil dólares, o filme amealhou 90 milhões mundo afora em 1973 e seguiu faturando o equivalente a cerca de 350 milhões de dólares ao ano pelos 40 anos seguintes, incluindo os lucros de uma recente edição dupla em Blu-ray. Mas o estrondoso sucesso de crítica e de bilheteria teve um gosto amargo: Bruce Lee morreu um mês antes da estreia, aos 32 anos, e não viu seu sonho, de ser a primeira estrela chinesa do cinema americano, se concretizar.
Bruce Lee nasceu em 27 de novembro de 1940 – o ano do dragão – em Chinatown, São Francisco. Seu pai, Lee Hoi-Chuen, era ator numa trupe cantonesa de ópera de Hong Kong que se apresentava para plateias norte-americanas, e sempre levava a esposa grávida a reboque. Nascido na estrada, entre apresentações, Lee cresceu em Hong Kong e descobriu que lutar era o seu negócio. Depois de ser expulso de um colégio particular de elite e ir em cana por causa das brigas, seus pais o despacharam para morar com um amigo da família em Seattle. Quando chegou, em 1959, Lee desistiu da ideia de fazer carreira no cinema americano. Como contou mais tarde à revista Esquire: “Quantas vezes aparece um chinês em filmes americanos?” Fazia sentido. Os únicos protagonistas chineses eram Fu Manchu, o vilão amarelo, e o detetive Charlie Chan, modelo para uma minoria.
Fred Weintraub, produtor da Warner Bros., tentou escalá-lo como protagonista da série de TV Kung Fu, hit da contracultura, mas Lee foi rejeitado para o papel de Kwai Chang Caine por ser muito chinês. Colocou em seu lugar um ocidental – David Carradine. Lee havia feito filmes e séries em Hong Kong ao longo da década de 60 e era heroi por lá. Quando Weintraub viu uma cópia de The Big Boss, estrelado por Lee em Hong Kong, em 1971, sabia que tinha algo vencedor nas mãos. Feito com apenas 100 mil dólares, o filme havia se tornado um blockbuster na Ásia. Depois de muita briga, ele aprovou o ainda irrisório orçamento de 250 mil dólares para fazer Operação Dragão.
Weintraub, o coprodutor Paul Heller e o roteirista Michael Allin produziram rapidamente uma história de 17 páginas sobre três heróis (um asiático, um branco e um negro) que entravam no perigoso campeonato de artes marciais Han e acabavam com o tráfico de drogas e o trabalho escravo que rolavam por lá. Enquanto Heller e Allin trabalhavam no roteiro, Weintraub viajou para Hong Kong para chegar a um acordo com Raymond Chow, dono do estúdio que produziu o filme e sócio de Lee. E não estava sendo tão bem-sucedido. Enquanto ele arquitetava sobre a assinatura de um contrato, um esquivo Chow, apelidado de “o tigre sorridente”, educadamente se desviava dele. Depois de uma semana, Weintraub finalmente concluiu que Chow estava agindo de má fé, com receio de que, se o filme fosse feito, Hollywood roubaria Lee, sua galinha dos ovos de ouro. Em sua última noite em Hong Kong, Weintraub se encontrou com Chow e Lee num restaurante japonês. Avisaram que Lee estava na casa, e milhares de fãs apareceram. “Eu vi uma oportunidade para dar minha última cartada”, Weintraub relembra no livro Bruce Lee, Woodstock and Me. “‘Bruce, vou embora amanhã porque não conseguimos chegar a um acordo. É uma pena que Raymond não queira que você seja uma estrela internacional.’ Raymond me encarou de súbito, consumido pelo ódio. Naquele instante, ele sabia que havia perdido. Bruce disse: ‘Assine o contrato, Raymond’.”
Hoje em Hong Kong, o ainda vivaz e charmoso Chow, aos 84 anos, insiste que sua relutância foi puramente uma tática. “Eu e Bruce já havíamos conversado sobre a coisa toda. Tudo o que ele queria era um acordo justo. É muito difícil para um produtor independente conseguir um acordo justo com um estúdio multinacional.”
As restrições de orçamento eram de longe o principal problema. Bob Clouse, que havia feito apenas dois longas-metragens até então, foi escolhido como diretor porque, segundo Weintraub, “a gente conseguiu o cara por um preço ridiculamente baixo”. O velho amigo de artes marciais de Lee, Bob Wall, concordou com o papel de Ohara, o malvado guarda-costas de Han, como um favor. O novato Jim Kelly foi uma substituição de última hora para o personagem Williams, depois que Rockne Tarkington o recusou por causa da grana. A única pessoa que recebeu um salário de mercado (40 mil dólares) foi John Saxon. Weintraub precisava de um ator de renome, e Bruce Lee era quase desconhecido fora do Oriente. Mesmo esse dinheiro era apenas suficiente. Saxon só entrou no avião depois que Weintraub prometeu que ele seria a estrela do filme. Já a seleção de elenco chinês foi significativamente menos tensa. O que parecia desprezível em Hollywood era uma fortuna em Hong Kong, onde atores de cinema eram tratados como operários.
Lee não perdeu tempo tentando impor sua liderança durante Operação Dragão. No primeiro dia de Saxon em Hong Kong, em janeiro de 1973, Lee o levou à sua casa e pediu-lhe que mostrasse o seu chute lateral. “Aí ele disse: ‘Vou te mostrar o meu’”, lembra Saxon. “Ele me entregou um escudo acolchoado para a minha defesa. Deu um salto, um pulo e explodiu no escudo. Eu vim voando e aterrissei na cadeira, que se partiu. Eu fiquei em choque por alguns momentos, e então Bruce veio na minha direção com uma cara preocupada. Eu disse: ‘Não se preocupe, não estou machucado’. Ele respondeu: ‘Não estou preocupado com você. Você quebrou minha cadeira favorita’.” “Você acreditou que seria a estrela do filme?”, perguntei a Saxon. “Certamente não depois dessa primeira manhã.”
Ainda assim, Lee se recusou a aparecer no set de filmagens no primeiro dia, e no segundo e no terceiro. Um ataque de ansiedade durou duas semanas e quase fez a equipe inteira debandar. Enquanto Lee lutava contra seus nervos, as equipes americana e chinesa lutavam uma contra a outra. O principal tradutor no set era Andre Morgan, recém-formado em estudos do oriente pela Universidade do Kansas, que trabalhava havia seis meses como assistente de Chow. De acordo com Morgan, parte do problema era o fato de os americanos não perceberem o quanto de inglês a equipe chinesa de fato entendia. “Um dia, estávamos filmando a cena na qual Bruce Lee, John Saxon e Jim Kelly pulam dos pequenos barcos chineses de madeira para uma grande embarcação”, diz Morgan. “Não tínhamos walkie-talkies. Estávamos usando megafones para dar as deixas. Hubbs gritou: ‘Corta!’ Nos barquinhos de madeira, eles não ouviram e seguiram. Bob Clouse gritou: ‘Chineses de merda!’ O continuísta, que era velho e pequeno, disse em chinês: ‘Este é o último insulto que recebo desses estrangeiros de merda’. Ele pegou sua prancheta e veio para dar uma porrada no Clouse por trás. Tivemos de agarrá-lo e tirá-lo de lá.” As frustrações dos americanos estavam focadas principalmente no equipamento obsoleto e na mania dos chineses de dizer “sim” mesmo quando queriam dizer “não”. Já os chineses não gostavam da arrogância dos americanos e da tendência que eles tinham de gritar com os subordinados. Apesar das diferenças, um respeito mútuo entre os dois grupos eventualmente cresceu.
Acidentes são inevitáveis no set de um filme de kung fu. O mais lendário aconteceu entre Lee e Bob Wall. A cena da luta entre eles previa que Wall quebrasse duas garrafas e usasse uma para tentar golpear Lee, que a chutaria da mão de Wall e daria na sequência um soco na cara dele. Depois de muito treino, Lee errou o chute e seu punho bateu violentamente na ponta da garrafa. “Bruce ficou muito bravo com Bob Wall”, diz Chaplin Chang, que levou Lee para o hospital. “Ele dizia: ‘Eu quero matá-lo’, mas acho que era da boca para fora. Minha mulher diz com frequência que quer me matar, mas nunca concretiza”, diz Morgan. “Se Bruce ficou puto? Ficou. Mas ele sabia que havia sido um acidente.”
Quando Lee voltou ao set de filmagens, seu staff sempre leal de dublês chineses esperava que seu campeão programasse uma revanche. Em uma cena, Lee deu um chute lateral tão forte na barriga de Bob que ele saiu voando na direção dos dublês. “Puseram uma almofada em Bob”, lembra o dublê Zebra Pan, “mas ele decolou como se tivesse levado um tiro! E Bruce insistiu em fazer 12 takes!”. A força do chute foi tão grande que Wall quebrou o braço de um dos dublês na queda.
Os produtores precisaram aplicar alguns truques na hora de contratar o harém de Han. Nenhuma atriz chinesa podia interpretar uma prostituta num filme americano, o que obrigou os produtores a contratar profissionais de verdade. A dificuldade não era encontrá-las, mas convencê-las a participar do filme. “Como você vai saber que os amigos do seu pai e da sua mãe não vão ver o filme?”, diz Morgan. “Elas queriam receber mais dinheiro do que eu teria de pagar se quisesse transar com elas.” Quando os dublês descobriram quanto as prostitutas estavam ganhando, quase entraram em greve.
Lee era frequentemente desafiado por novatos. Ele costumava ignorar as ofertas, percebendo que elas não traziam vantagem. Se ele perdesse, isso seria manchete. Caso ganhasse, também seria manchete, igualmente negativa, por ter bancado o valentão contra um pobre-coitado. Mas enquanto filmava a climática batalha final, Lee se cansou dos coadjuvantes que tinham sido recrutados entre membros de gangues locais e o pintavam como astro só para as telas. “A postura deles era: ‘Esse Lee é um bundão, precisa de 15 takes para acertar um chute?’”, Morgan relembra. Como testemunhas mais tarde recordaram, um dos meninos veio forte para cima de Lee certa vez, com a real intenção de machucar. Mas Lee metodicamente bateu nele. E transformou o duelo numa lição particular, corrigindo a postura do menino em determinado momento. Ao fim, o menino se curvou diante de Lee e disse: “Você é realmente um mestre das artes marciais”.
Assistindo à cena de abertura, que Lee escreveu e filmou por sua conta, depois que a equipe americana do filme já tinha voltado para casa, é impossível não notar quão magro e pálido ele havia ficado durante as filmagens. Lee sofria de enxaqueca e estava se automedicando com os brownies de maconha de Alice B. Toklas. Em 10 de maio de 1973, ele teve um colapso e precisou ser levado às pressas para o hospital. Bruce Lee quase morreu em função de um edema cerebral agudo, excesso de fluido dentro do seu cérebro.
O médico Don Langford, testemunha no inquérito do governo de Hong Kong sobre a morte de Lee, explicou: “Nós demos a ele uma medicação (Mannitol) para reduzir o inchaço do cérebro”. Abalado pela experiência, Lee voou a Los Angeles para um exame completo. Os médicos disseram que ele tinha “o corpo de um menino de 18 anos”. Uma exibição-teste de Operação Dragão na Warner havia sido muito bem-sucedida – todos sentiram que tinham um grande sucesso nas mãos. Lee, casado e pai de dois filhos, havia retomado sua relação com a amante, Ting Pei, com quem tinha rompido durante as filmagens.
No dia 20 de julho, dez semanas depois de seu primeiro colapso, Lee participou de uma reunião com Chow, Morgan e George Lazenby, o ator que tinha acabado de incorporar James Bond, para discutir como encaixar Lazenby no novo filme de Lee, Game of Death. Depois do encontro matinal, Chow e Lee foram ao apartamento de Ting Pei para conversar sobre o script. Lee havia oferecido a ela um dos papéis principais. Quando ele reclamou de uma dor de cabeça, Ting Pei deu a ele Equagesic, medicamento controlado que combina aspirina e o relaxante muscular Meprobamate. “Era o que minha mãe sempre usava”, Ting Pei conta. “Bruce já tinha tomado antes.” Os três iam jantar com Lazenby para comemorar. “Quando Bruce disse que ia deitar por causa da dor de cabeça, Raymond provavelmente pensou que era uma desculpa”, Ting Pei diz, diminuindo o tom, sem perder o sorriso. “Então Raymond se levantou e disse: ‘Ok, eu vou primeiro’.”
Quando Lee não apareceu no jantar, Chow ligou para Ting Pei e ela o informou que Lee estava dormindo. Em seguida, ela ligou de volta em pânico, dizendo que não conseguia acordá-lo. Ting Pei chamou seu médico particular. Chow veio voando. Quando uma ambulância chegou, já era tarde demais. Por que uma ambulância não foi chamada antes ainda é um assunto delicado. Quando levanto esse tópico com Ting Pei, ela grita comigo. “Ninguém pensou que ele poderia estar morto. Ele havia caído no sono, iria acordar e voltar ao trabalho”, diz Chow.
A causa da morte foi conclusiva: edema cerebral agudo, o mesmo que quase o havia matado dez semanas antes. O que tinha causado o edema ainda é motivo de controvérsia. O laudo do médico legista encontrou duas coisas no estômago de Lee: Equagesic e maconha. O público chinês foi incapaz de aceitar que seu herói, um homem de 32 anos no auge de sua condição física, havia morrido subitamente sem motivos aparentes. Um inquérito governamental ajudou a pacificar a fúria ao concluir que o edema foi resultado de “hipersensibilidade a Meprobamate ou aspirina, ou a combinação de ambos, presente em Equagesic.” Mas rumores, suposições delirantes e teorias da conspiração continuam vivas. Quarenta anos depois, ainda não há consenso sobre a causa da morte de Bruce Lee. Ela continua sendo um mistério.
O que não é um mistério é a razão do sucesso de Operação Dragão: Bruce Lee. Ele foi o primeiro ator asiático-americano a incorporar a clássica definição hollywoodiana de estrela – os homens queriam ser iguais a ele e as mulheres queriam dormir com ele. “Toda cidade americana tinha uma igreja e um salão de beleza”, diz Weintraub. “Agora há uma igreja, um salão de beleza e uma academia de caratê com a foto de Bruce Lee.”

NO DIA 24-06-2013, ATRAVÉS FACEBOOK, SHANNON LEE FALOU COM FÃS DO NOSSO ETERNO MESTRE. EU PERGUNTEI SE BRUCE TINHA FÉ EM RELIGIÕES E ELA DISSE:

My father did not follow any particular religious tradition. He believed in a spiritual side of life but as with his beliefs about martial arts styles, I think he felt religious traditions and beliefs separated people and were too rigid for his way.

ARTIGO:

Em 27 de novembro, fãs de todo o mundo comemorarão os 72 anos de um dos maiores astros da história do cinema. Ele não estará na festa de corpo presente, já que morreu em 20 de julho de 1973, com apenas 32 anos. É raro pensarmos em Bruce Lee (1940-1973) como um dos pais do cinema contemporâneo. Mas cada vez que assistimos a qualquer filme de ação nos dias de hoje (e também boa parte das comédias e obras de suspense) estamos, de certa maneira, prestando tributo a ele. Como intérprete, roteirista ou diretor, Bruce Lee elevou o filme de artes marciais à categoria de grande arte. E, no processo, abriu possibilidades para que o cinema narrativo realizasse sua verdadeira vocação, a de contar histórias por meio da ação pura, e não da palavra.
Apesar dessa influência, é possível imaginar que Bruce Lee não gostaria muito de boa parte dos filmes que carregam sua herança. Uma obra como Matrix, por exemplo, é, na essência, uma criação dos especialistas em computação gráfica. Não importa o quanto os atores tenham estudado artes marciais, dança ou se preparado para as coreografias das lutas – o que fascina nosso olhar é o tratamento que os computadores dão às imagens daqueles corpos e seus movimentos. Os comentaristas desavisados insistem em falar em efeitos visuais como algo técnico. Grande besteira – são seus criadores os verdadeiros autores da maior parte da poesia que eventualmente surge nos blockbusters. O filme clássico de artes marciais – inclusive os que foram estrelados por Bruce Lee – são o exato oposto. O que nos interessa neles é a presença de um intérprete diante de uma câmera, seu movimento, seu carisma – e, claro, a qualidade da edição que dá continuidade e sentido àquelas imagens. Não importa o quanto essa edição dê dinâmica à cena ou estabeleça nossos pontos de vista – o que fascina nosso olhar são aqueles corpos e a poesia com que se movem.
Em compensação, é possível que Lee apreciasse outra vertente de sua herança, obras como O tigre e o dragão, de Ang Lee, ou O clã das adagas voadoras e Herói, de Zhang Yimou. Se essas obras usam tecnologias contemporâneas, percebem-nas como instrumentos, e não como fins em si (como ocorre com o cinema industrial americano). Em seu centro está o ser humano, que tenta encontrar um caminho ético em meio a um mundo onde a ética está ameaçada – a estrutura por trás do enredo do filme de artes marciais clássico. Para a realização desse fio condutor, essas obras, como os filmes de Bruce Lee, contam com o carisma e a expressão dos próprios intérpretes, mediadas pela tecnologia mas não subordinadas a ela.
Para pensar a singularidade do trabalho de Bruce Lee, podemos lembrar outro astro, talvez o maior da história do cinema, Charles Chaplin. No início do século 20, quando o bailarino Vaslav Nijinski visitava Hollywood, foi ver Chaplin trabalhando em seu estúdio. Mais tarde, afirmaria ter presenciado ali o trabalho do maior bailarino de seu tempo.
A lógica da ação corporal de Bruce Lee é a mesma. Antes de ser um lutador ele é um dançarino. Quase todos os artistas marciais, quando se deixam filmar, estabelecem seu foco (e o nosso) no objetivo, derrotar o inimigo. Bruce Lee parecia se concentrar no processo. O importante era vê-lo lutando, e, se vencia, isso era apenas consequência da qualidade de sua luta – e de seu movimento. Talvez os filmes do astro tenham passado para a história exatamente por isto: numa época em que todos miram os fins e a vitória, eles trazem aquele otimismo que norteou até mesmo os jogos olímpicos modernos: mais importante do que vencer é viver.
A imagem que a maioria dos fãs tem de Bruce Lee vem de seus últimos filmes – o torso nu, o corpo em posição de alerta, com tensão suficiente para não ser pego de surpresa por algum adversário, e relaxamento suficiente para passar daquela postura para qualquer outra. Sua reputação no cinema, contudo, surgiu bem antes. Ele se tornou ator de filmes aos 10 anos, e a continuidade de sua carreira nas telas ao longo da juventude demonstra como diretores e produtores apreciavam seu trabalho. A guinada na carreira ocorreria na virada dos anos 1960 para 70, quando treinou intérpretes como James Coburn ou Steve McQueen e, por meio deles, começou a trabalhar na televisão americana. Os filmes e séries “esquecidos” de Lee nos ajudam a entender certas nuanças de seu trabalho que constituem um diferencial: a capacidade de imprimir ritmo cômico em meio ao drama, a expressividade dramática mesmo durante cenas da mais pura ação.
Outro fator deve ser levado em conta, mesmo que possa parecer surpreendente para um astro da cultura pop e da indústria – Bruce Lee foi autor no sentido que geralmente empregamos em relação a criadores mais intelectuais. À medida que sua reputação foi lhe dando força no meio cinematográfico, ele aumentou sua interferência no trabalho de roteiristas, diretores e editores de suas obras – é possível perceber seu estilo mesmo quando ele não assina nem direção nem roteiro, como O dragão chinês. Os filmes e episódios de seriados de que participou foram ficando cada vez mais parecidos com os que dirigiu, tanto em termos de formas como na maneira de desenvolver ideias.
E não eram ideias levianas. Bruce Lee se afirmou como mito quando construiu, para si mesmo, a imagem do homem que sente o gosto de seu próprio sangue e não se acovarda – e no gesto seus enredos sobre o herói que protege os fracos fugiram ao discurso e se tornaram prática exemplar. É o homem que tenta não lutar, mas não foge da luta quando necessário, que defende a paz mesmo que para isso precise ir à guerra, que é mais amor que ódio, que busca o equilíbrio. E, acima de tudo, Lee falou sobre si mesmo: o preconceito que sofreu dos dois lados do Oceano Pacífico (nasceu nos Estados Unidos, onde era discriminado por ser oriental, cresceu em Hong Kong, onde tinha problemas por ser americano), suas convicções pacifistas, a crença em certas ideias do budismo são temas constantes em suas obras. Talvez por isso, quase 40 anos depois de sua morte, ainda apareça tão vívido e real nos filmes que deixou.

ARTIGO:

Bruce Lee (1940 - 1973):

É inegável a contribuição das artes marciais ao cinema. Seja para os filmes de ação, seja para filmes pseudo-filosóficos (alguém aí pensou em Matrix?) ou ainda para inspirar outros gênios (Kurosawa, ao realizar “Os Sete Samurais”, declarou a sua admiração pelo cinema de John Ford. Sergio Leone, anos mais tarde, promoveu a revolução no western com os seus filmes abertamente influenciados por Kurosawa), essas técnicas milenares de luta armada e, principalmente, não-armada, gerou inúmeros momentos e cenas inesquecíveis. E, se há alguém que tornou essa realidade factível e, mais do que isso, acabou sendo o nome-referência quando se fala em filmes de ação envolvendo artes marciais, esse alguém é Bruce Lee.
Bruce Lee sem duvida nenhuma é o maior nome do kung fu e também um grande símbolo das artes marciais em geral. Alias, fica mais correto dizer que Bruce Lee é o grande mito do kung fu de todos os tempos. Mais do que isso: até os dias de hoje pouquíssimos conseguiram superá-lo no que diz respeito a popularidade. Pela sua incrível técnica apresentada nos seus últimos filmes, Bruce moldou através dos anos a sua imagem como a personificação do homem asiático que se torna a epítome do que muitos vêem como sendo a perfeição em artes marciais, agilidade e força. Além disso, sob a capa da perfeição física, havia um homem com pleno domínio da sua importância como artista e que criou, mais do que um estilo de luta, um estilo de vida.
Bruce Lee nasceu em 27 de novembro de 1940 no San Francisco’s Chinese Hospital (Hospital Chinês de San Francisco) EUA. Sua mãe a Sra. Grace Lee, o batizou com o nome de Lee Jun Yan, significando Retorno a San Francisco. Mais tarde Bruce teria seu nome trocado para Lee Yuen Kan. Sua família, alguns meses depois do nascimento de Bruce e tendo terminada a turne que faziam nos EUA (Eles eram artistas da Cantonese Opera Company), resolve voltar definitivamente para Kong Kong.
Ainda em fase de amamentação, Bruce enfrentou uma câmera de cinema pela primeira vez. Sua mãe conta que esse filme foi realizado em 1941 e se chamava “Golden Gate Girls”. A mãe de Bruce, em seu livro “The Untold Story”, conta que Bruce foi um misto de criança generosa, extrovertida, peralta, inquieta e que muitas vezes canalizava sua grande energia natural para brigar com outros garotos que o provocassem de alguma maneira.
Na época da puberdade de Bruce, existiam em Hong Kong centenas de gangues formadas pôr adolescentes e que disputavam seu espaço tentando colocar suas idéias. Muitas dessas gangues eram criminosas e a grande preocupação do governo era manter a ordem publica.Bruce Lee pertencia a um grupo chamado “The Junction Street Eigth Tigers” (Os Oito Tigres da Rua Junction). O grupo tinha um lema: “Lutar pela justiça, pêlos fracos, vencer os desordeiros, um pôr todos e todos pôr um”.
A fama de valente de Bruce crescia na mesma proporção que ele próprio crescia. E as brigas de rua passaram a ser inevitáveis. Certa vez dando uma entrevista para a “Black Belt Magazine” sobre essa época de sua vida, ele confessou que brigava mais pôr vontade de lutar mesmo, do que pôr ideais. Disse ele: “- Eu era um Punk e vivia procurando brigas. Muitas vezes usei correntes e canetas que traziam laminas ocultas”.
Nessa época, provavelmente como uma tentativa de canalizar toda essa energia adolescente, Lee foi apresentado às artes marciais inicialmente pelo seu pai, onde aprendeu os fundamentos do estilo Wu do Tai Chi Chuan. Logo depois, teve aulas com o famoso mestre Yip Man. Dedicando-se de corpo e alma a essa arte (muitos amigos de Bruce da época diziam que ele comia, bebia e respirava kung fu 24 horas por dia), Bruce evoluiu muito rápido no Wing Chun, ultrapassando em pouco tempo a habilidade de muitos alunos mais antigos.
Durante praticamente toda a sua adolescência, o jovem Bruce meteu-se em muitas encrencas e brigas. Chegando ao ponto de ir para em uma delegacia e causando muito constrangimento para sua família. Eles resolveram então que Bruce deveria mudar radicalmente de ambiente. Do jeito que estava, não poderia ficar. Qualquer hora ele mataria alguém ou acabaria morto. O jovem Bruce foi enviado então para os Estados Unidos como forma de se acabar definitivamente com o problema. Com U$$ 100,00 no bolso e uma passagem de 3a. classe em um navio cargueiro, Bruce partiu para o novo mundo, sem saber ao certo o que o esperava.
Já nos EUA, Bruce vai morar com um amigo de seu pai. Mais tarde, muda-se para Seattle, onde completa os seus estudos. Meses depois, matricula-se na Universidade de Washington, onde cursa (e se forma) em filosofia, dando aulas de kung-fu para os alunos da Universidade. Numa dessas aulas conhece a sua futura esposa, Linda Emery.
Junto com um amigo, em 1963 Bruce resolve abrir uma escola de kung-fu onde todos, independente da raça, poderiam aprender as técnicas, contrariando a comunidade marcial chinesa, que achava que esses conhecimentos não poderiam de forma nenhuma serem ensinados aos não Chineses. Bruce é constantemente intimado pela comunidade chinesa a abandonar a idéia. Após uma intensa luta com um renomado mestre de Kung Fu dessa comunidade (onde ele se saiu vitorioso), Bruce refaz todo o seu conceito sobre a arte de lutar. Nascia o Jeet Kune Do, The Way of the Intercepting, o estilo de luta desenvolvido por Bruce Lee e que ele passa a ensinar futuramente para inúmeras personalidades dentro e fora do cinema.
Em 1965, Bruce ingressa no meio cinematográfico Hollywoodiano pela primeira vez, na série “Besouro Verde”, uma série nos moldes de Batman, onde ele vive o personagem Kato, o fiel escudeiro do personagem principal. Apesar do sucesso, Bruce se sentia totalmente insatisfeito, pois lhe davam poucas oportunidades para demostrar o seu potencial. Mesmo com o sucesso da série, a carreira de Bruce não decolava. O máximo que conseguiu foram algumas pontas em filmes de pouco sucesso e trabalhos como coreógrafo de lutas. Desanimado e desabafando Bruce diria: “Afinal quem quer ver um ator chinês em Hollywood!”. Levantando sua cabeça, ele voltou a fazer algo que sempre gostara . Ou seja, ensinar kung fu. Muitos nomes famosos do cinema começaram a treinar com ele.
Depois de mais algumas participações em outras séries, Bruce decide voltar para Hong Kong, onde, ao lado de Raymond Chow (cabeça da produtora “Golden Harvest”), realizou uma série de filmes envolvendo artes marciais. O primeiro deles, “The Big Boss”, foi filmado na tailândia. Mesmo com a série de intempérios na produção, o filme foi um estrondoso sucesso, chegando a superar “A Noviça Rebelde” em bilheteria. Muito (ou todo) o sucesso do filme se deve ao carisma e profissionalismo de Bruce.
Paralelo a esses acontecimentos, nos EUA a série “Longstreet” continuava em alta e os produtores procuravam Bruce para participar de mais alguns episódios. Voltando então para Hollywood , ele participou de mais 3 episódios. Pouco tempo depois a série sairia definitivamente do ar pôr problemas diversos. Bruce cansado então de esperar pelas indefinições dos produtores Americanos que não se decidiam se iriam ou não contratá-lo para novos projetos, retornou para Hong-Kong para fazer seu segundo filme pela “Golden Harvest” originalmente intitulado “The School for Chilvary”. Posteriormente durante as filmagens, o titulo foi trocado para “Fist of Fury”, (No Brasil foi exibido com o titulo de “A Fúria do Dragão”).
Com uma produção bem mais cuidada e Bruce tendo total liberdade para fazer e desfazer o que ele quisesse no filme, Fist of Fury superaria em muito o filme anterior (The Big Boss). Com um roteiro considerado bom até para os exigentes padrões ocidentais e o talento marcante de Bruce Lee, Fist of Fury quebraria novamente todos os recordes nas bilheterias do oriente. Segundo depoimentos de amigos de Bruce, ele se entregou de corpo e alma na realização desse filme.
Com o sucesso dos dois primeiros filmes, Bruce e Chow resolvem formar uma companhia; a “Concord Films”, cujos lucros seriam divididos entre os dois. Bruce ficou satisfeitíssimo. Além de lucros maiores ele poderia atuar plenamente como roteirista, bem como diretor e ator. Ou seja; liberdade completa para desenvolver suas idéias. Iniciou-se então as filmagens de “The Way of the Dragon”, (” O Vôo do Dragão “, aqui no Brasil). Esse filme se torna um momento importantíssimo na carreira de Lee e de Chuck Norris. O campeão de karate cinturão negro foi introduzido por Lee, e tornou-se um dos oponentes de Lee no filme O vôo do Dragão, tendo como título original `The Way of Dragon´ e nos EUA `The Returns of Dragon’. A luta contra Chuck Norris no Coliseu é amplamente considerada como a melhor luta de artes marciais jamais filmada anteriormente.
Com o sucesso de “The Way of Dragon”, Chow resolve lançar os filmes feitos com Lee no Ocidente. No entanto Bruce não queria que seus filmes fossem lançados no ocidente pôr achar que tinham uma linguagem exclusiva para o publico oriental. Na sua opinião, eles não agradariam ao exigente publico do outro lado do mundo. Mas desta vez ele estava errado. Lançaram “The Fist of Fury” na Europa, EUA e Canadá. Para a total surpresa de Lee, o filme foi um enorme sucesso batendo todos os recordes de filmes orientais anteriormente exibidos. Em seguida foi a vez de “The Big Boss” e logo depois “The Way of the Dragon”, repetindo a dose e quebrando novamente recordes de bilheteria. Bruce Lee estava se tornando um grande ídolo internacional e mais e mais pessoas em todo o mundo estavam conhecendo o pequeno Dragão e seu carisma envolvente.
Com isso, Bruce e Chow, enquanto filmavam “The Game of Death”, recebe uma proposta quase que irrecusável: O Produtor executivo da Warner ,”Fred Weintraub”, foi a Hong-Kong exclusivamente para mostrar a Bruce o projeto de “Enter the Dragon” (“Operação Dragão” aqui no Brasil). Que seria até então o filme mais caro sobre artes marciais nunca antes realizado. Uma grande produção para o gênero. Bruce e Chow adoraram o projeto e voaram para os EUA para assinarem o contrato adiando assim a realização de “The Game of Death”.
Bruce Lee atirou-se de corpo e alma na realização desse novo projeto; e estava absolutamente certo de que esse filme o consagraria definitivamente como grande astro internacional de primeira grandeza. O filme teve um orçamento inicial de U$$ 600.000,00. O que era uma boa quantia para a época se levarmos em conta que um filme de James Bond tinha uma média de 1 milhão de dolares de orçamento inicial por filme. Bruce sugeriu e indicou os nomes de pessoas com quem gostaria de trabalhar. Entre eles : John Saxon ( Conhecido ator e estudioso de artes marciais), Jim Kelly (Campeão internacional de Karate 1971), Bob Wall (Campeão profissional de Karate norte-americano 1970), Peter Archer (Campeão de Karate amador), Yang Sze (varias vezes campeão de Shotokan do Sudeste Asiatico) e Angela Mao (faixa preta de Hapkido, campeã de Okinawa) que fez o papel da irmã de Lee no filme. Foram contratados mais de 200 extras e Bruce era também o principal responsável pelas coreografias e seqüências de lutas.
Após o termino das filmagens, Bruce muito orgulhoso de seu trabalho teria dito: “Realmente foi o melhor filme da minha vida. Tenho a certeza de que chegara fácil aos U$$ 20 milhões”. O Pessoal da Warner concordava plenamente com ele. Muitos homens de cinema já diziam que Bruce tinha muito potencial a exemplo de Clint Eastwod e John Wayne valendo seu peso em ouro.
Ele (assim como todo o pessoal da Warner) estava certo. Somente nos EUA , nas primeiras semanas “Enter the Dragon “chegou a U$$ 3 milhões. Na Inglaterra ficou varias semanas nas principais salas de cinema , sempre com casa cheia. O Sucesso também se repetiu em vários países da Europa. Estima-se que esse filme tenha ultrapassado U$$ 200 milhões entre lançamentos, direitos para a TV, fitas de vídeos, DVDs e reprises, desde o seu lançamento no inicio dos anos 70. O Interessante é que “Enter the Dragon”, na época não conseguiu no oriente superar “The Fist of Fury”. Talvez pelo fato de que o publico oriental ainda não estivesse acostumado com uma visão ocidentalizada de filmes de arte marcial.
Mas infelizmente Bruce não consegue ver o sucesso de sua maior realização. Apenas dois meses depois do fim das filmagens de “Enter The Dragon”, no dia 20 de junho de 1973, Bruce Lee, acometido por uma dor de cabeça, resolve, convencido por uma das atrizes com quem contracenava no filme “The Game of Death” (Bruce tinha ido ao apartamento dela para acertar detalhes sobre a participação dela no filme), tomar uma aspirina (equagezic) e se deitar. Cerca de 2 horas depois, Betty foi acordá-lo , pois seu amigo o produtor Raymond Chow havia chegado, e eles tinham um compromisso marcado. Perceberam logo que algo de grave havia acontecido, pois não conseguiam acordar Bruce de maneira nenhuma . Mesmo molhando ou dando tapinhas em seu rosto. Chamaram imediatamente um médico e logo em seguida Bruce foi removido para o Hospital Rainha Elizabeth onde morreu.
Logo após a notícia se espalhar, vários rumores surgiram sobre a causa da sua morte. Começaram a circular teorias de que ele havia sido envenenado pelas Tríades chinesas, enquanto outros acreditavam que um cabal secreto de mestres de artes marciais matou Lee por ter revelado muitos segredos e outras noticias envolvendo vingança e drogas. A verdade é que a autópsia comprovou que a morte de Bruce Lee foi causada por edema cerebral, um inchaço no cérebro, que ocasionou o AVC (Acidente Vascular Cerebral) devido a uma reação alérgica ao remédio. Mesmo com a confirmação médica, esses rumores não enfraqueceram, contribuindo para a formação da persona de Bruce Lee como um mito. Era difícil de acreditar que um homem como Bruce Lee estivesse morto devido a uma enfermidade qualquer. Mas era verdade. O pequeno dragão havia partido. E para sempre.
Em 25 de julho de 1973, cerimónias funerais atraíram cerca de 25.000 fãs em Hong Kong. Em 30 de julho, foi realizada uma segunda cerimônia funeral, em Seattle, Estados Unidos, onde somente os amigos e parentes estiveram presentes. Bruce Lee foi enterrado no Cemitério Lake View, onde o seu túmulo continua recebendo visitas até hoje.

BRUCE LEE - UM REAL HISTÓRIA DE SUCESSO:

  "Ele tinha uma habilidade atlética incrível, adcionado a um equilíbrio, velocidade da mão, velocidade dos pés, coordenação fantástica de olho e mão, senso de oportunidade. Tudo isso comandado por uma vontade intensa e um instinto muito forte" (Kareen Abdul-Jabbar)

A China no final do século XIX estava sob agressiva exploração estrangeria. Muitos chineses migraram para os Estados Unidos à procura de trabalho e abrigo na California e em outros estados do Oeste. Mas, na América, eles foram vítimas de uma discriminação impiedosa por parte dos caucasianos, que viam nos pequenos e gentis trabalhadores uma fonte de mão de obra barata.
No cenário do entretenimento americano, o preconceito se repetia com os atores orientais relegados a pequenos papéis, interpretando personagens submissos. Caso, no roteiro original, o personagem oriental fosse importante, um ator americano era maquiando para parecer como tal.
No entanto, a partir do final dos anos 60, um jovem com muita determinação e talento mudou esse quadro e chegou a ser apontado em uma pesquisa da revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do século XX. Sempre valorizando a cultura chinesa, ele teve como princípio o proverbio chinês de usar um obstáculo como ponto de apoio. Ele foi Bruce Lee.

O Despertar de um Garoto

Bruce Lee nasceu Lee Jun Fan, no Jackson Street Hospital, no bairro de Chinatown, em São Francisco, nos Estados Unidos, em 27 de novembro de 1940 - ano do dragão, segundo o calendário chinês. Terceiro filho de Lee Hoi Chuen, um famoso comediante do teatro chinês e da descendente de alemães Grace Lee. Quando ele nasceu seus pais estavam na América do Norte, numa turnê da Companhia Cantonesa de Ópera.
Filho de artista, Lee debutou no cinema ainda nos Estados Unidos, no filme chinês "Golden Gate Girl", com apenas três semanas de vida. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, sob o nome de Lee Siu Lung, aos seis anos de idade, estreou como ator mirim em Hong Kong, com o filme "The Beginning of a Boy" (em tradução livre, do autor, "O Despertar de um Garoto"). O pequeno artista se tornou conhecido no circuito cinematográfico chinês. Aos 19 anos, Lee já havia aparecido em 20 filmes.
Em Hong Kong, Lee gozou de adolescência típica da elite chinesa. Era namorador, gostava de motocicletas e foi campeão de dança num campeonato de cha-cha-cha. Ainda garoto, envolveu-se em várias brigas de rua. Em 1953, Lee começou a se interessar pelas artes marciais. Primeiro, através de seu pai, um devoto do Tai Chi Chuan, mas seu principal mestre foi Yip Man, em wing shun, arte marcial cujas raízes vêm do templo Shaolin e enfatiza mais a leveza e a rapidez do que a força. Seu mestre em Kung Fu, Siu Hon Sung, relatou: "Em geral se demora quatro semanas para aprender os movimentos básicos. Lee só precisou de três noites"
Nos final dos transviados anos 50, Lee estava à beira de ser preso em virtude de suas constantes brigas de rua. Sua família, então, decidiu mandá-lo, em 1959, aos Estados Unidos, para a cidade natal de São Francisco, com 115 dólares no bolso e o endereço de um velho amigo de seu pai que lhe daria abrigo.
Após vários trabalhos esporádicos na comunidade chinesa de São Francisco, Lee, que adotou seu nome americano de Bruce, mudou-se para Seattle, atraído por um emprego fixo no restaurante de Rudy Chow, outro amigo de seu pai. Ele também passou a fazer um extra no jornal Seattle Times.
Em 1961, Bruce Lee ingressou na Universidade de Washington para se graduar em Filosofia e, paralelamente, dar aulas para americanos sobre as sutilezas do pensamento chinês No campus da Universidade, Bruce Lee começou a ensinar para os estudantes o Kung Fu, arte marcial ainda desconhecida nos Estados Unidos.
No verão de 1963, ele deixou o emprego no restaurante de Rudy Chow, e com a ajuda do amigo Taky Kimura, abriu o Jun Fan Kung Fu Institute, uma escola de arte marcial chinesa. Já conhecido como mestre pelos alunos, Bruce Lee escreveu e ilustrou o livro "Chinese Gung Fu - The Philosophical Art of Self Defense". Editada em 1963, a obra expôs o próprio método de Bruce Lee de lutar Kung Fu, que ele próprio descreveu como de natureza não clássica e que tem no âmago os princípios da econômia dos movimentos, simplicidade e retidão.
Em outubro de 1963, Bruce Lee começou o namoro com Linda Emery, sua aluna da academia, uma americana descendente de ingleses e suecos. Segundo Linda, sua família a princípio rejeitou a idéia dela namorar um oriental, mas depois todos se encantaram pelo seu namorado. Eles se casaram em 17 agosto de 1964 e se mudaram para Oakland, na Califórnia, onde Bruce Lee abriu sua segunda Jun Fan Kung Fu Institute.
O fato de Bruce Lee possuir alunos multiraciais em suas academias causou indignação da tradicional comunidade chinesa ligada às artes marciais, que enviou um de seus lutadores para desafiá-lo formalmente. O acordo era que se Bruce Lee perdesse a luta, ele jamais voltaria a ensinar a milenar arte marcial chinesa para estrangeiros. Bruce Lee aceitou o desafio e venceu seu oponente em três minutos. Este combate o estimulou a intensificar seu treinamento em artes marciais, por achar que minutos são muito tempo para se vencer uma luta.
Apesar de sua dedicação às artes marciais, suas academias não lhe rendiam o reconhecimento devido. Mas a sorte de Bruce Lee mudou numa demonstração no Campeonato Internacional de Karatê organizado por Ed Parker, em Long Beach, California. A platéia se admirou com as demonstrações de suas técnicas como soco de uma polegada, onde seu punho, a uma distância de uma polegada do obstáculo, quando deferido impactava o alvo bruscamente, impulsionando-o dois metros para atrás. Outra demonstração que causou admiração foi a de um exercício de flexões sustentado apenas por dois dedos. Ed Parker ficou impressionado com o jovem rapaz de 1,70 m e 59 quilos: "Nunca tinha visto um lutador melhor. Sua auto-confiança, senso de humor, agilidade e velocidade faziam a diferença."
Jay Sebring, cabelereiro de Hollywood, ao ver a performance de Bruce Lee no Campeonato de Ed Parker, o indicou para o produtor William Dozier, que procurava um ator para interpretar nas telas o filho do detetive chinês Charlie Chan. Mas o projeto foi adiado, pois William Dozier priorizou produzir a série de televisão "Batman".
Em primeiro de fevereiro de 1965, nasceu o primeiro filho do casal, Brandon. Oito dias após o nascimento, o pai de Bruce Lee faleceu em Hong Kong. Ele voou para o funeral e retornou à América decidido a vencer e mostrar para família sua genialidade. Em 1966, Bruce, Linda e o bebê se mudaram para Los Angeles, visando as oportunidades que Hollywood poderia oferecer.

Hollywood

Com a assistência de Dan Inosanto, Bruce Lee abriu o terceiro Jun Fan Kung Fu Institute no bairro de Chinatown. William Dozier, após o estrondoso êxito de "Batman", procurou Bruce Lee para estrelar uma outra série de TV baseada em um programa de rádio dos anos 30, "The Green Hornet" ("O Besouro Verde"). Bruce Lee interpretou o coadjuvante Kato e o personagem principal foi interpretado pelo ator Van Williams.
Contratado pela 20th Century Fox, Bruce Lee, esposa e filho se mudaram para um apartamento no elegante Wilshire Boulevard, em Westwood e compraram um carro esporte, da marca Chevy Nova. O ator Burt Ward, que na época estava fazendo um grande sucesso como Robin, na série "Batman" era seu vizinho no novo endereço em Los Angeles: "Bruce e eu sempre treinávamos e muitas vezes saíamos com nossas famílias para jantar fora e ele sempre insistia em pagar a conta. Era uma pessoa adorável." Relatou o intérprete do "Menino Prodígio".
Cerimônia de lançamento da série "O Besouro Verde", com o protagonista Van Williams e Adam West, o Batman do seriado de TV. (1966)
Em 09 de setembro de 1966, estreou na ABC TV o seriado policial "O Besouro Verde". O personagem de Bruce Lee foi crescendo junto ao público, impressionado com a rapidez de seus golpes marciais, exibidos no horário nobre da TV americana. O que os fãs, que enchiam a caixa postal da emissora com suas corespondências para "Kato", não sabiam era que Bruce Lee teve que reduzir a velocidade de seus golpes para que as câmeras os captassem com melhor nitidez. Mesmo interpretanto um papel secundário, Bruce Lee não aceitou fazer mesuras ou deferências com seu personagem, nada que degradasse a cultura chinesa. Mas, para sua frustração, após 26 episódios, a série foi cancelada em julho de 1967.
Depois de "O Besouro Verde", Bruce Lee ficou conhecido nas esferas hollywoodianas e começou a dar aulas de artes marciais para os maiores atores da época, como Steve McQueen, James Coburn, Elke Sommer, Lee Marvin, Sharan Tate e os diretores Roman Polanski e Blake Edwards. Bruce Lee havia criado sua própria maneira de lutar, a qual batizou de Jeet Kune Do, nome que, em cantonês, significa uma forma de interceptar punhos. O Jeet Kune Do era uma compilação eclética de muitos tipos diferentes de luta.
Enquanto ensinava seu Jeet Kune Do para estrelas de cinema, Bruce Lee também voltou a se apresentar nos torneios de lutas marciais em Long Beach, Washington DC, Miami e Nova York. Neste periodo ele também fez algumas participações em outros seriados de TV como "Batman" (1967), "Ironside" (1967), "Blondie" (1968) e "Here Cames The Brides" (1969). Mas o que ele queria era o grande estrelato.
Em 19 de abril de 1969, nasceu sua filha Shannon, exatos três meses antes de sua estréia no cinema americano, como consultor de Karatê em "The Wrecking Crew" ("Arma Secreta contra Matt Helm") estrelado por Dean Martin. No mesmo ano Bruce Lee foi contratado para fazer um pequeno papel de vilão no longa-metragem em "Marlowe", ("Detetive Marlowe em Ação"), com James Garner. Apesar de sua rápida aparição em "Detetive Marlowe em Ação", Bruce Lee participou da turnê de lançamento do filme, onde foi a principal atração ao exibir, ao vivo, os golpes deferidos por ele no longa-metragem.
Inspirado com sua estréia na tela grande, Bruce Lee, junto com o ator James Coburn e o roteirista Stirling Silliphant, ganhador do Oscar em 1967 por "In The Heat of The Night" ("No Calor da Noite"), escreveu o roteiro para um filme chamado "The Silent Flute" ("A Flauta Silenciosa"). A história (quase autobiografica) era sobre o processo de autodescoberta de um jovem ator de artes marciais. Bruce Lee chegou a ir à Índia, Paquistão e Nepal para sondar locações para o filme, mas as negociações com a Warner Brothers. não se consumaram e o roteiro adiado.

O Tao do Jeet Kune Do

"Não usando caminho algum como caminho.
Não tendo limitação alguma como limitação"

Em 1970, o jornal Washington Sports publicou: "Os três alunos de Bruce Lee, Joe Lewis, Chuck Norris e Mike Stone, já venceram os maiores torneios de Karatê dos Estados Unidos. Bruce Lee trata e instrui esses rapazes quase como um pai trata uma criancinha. O que é desconcertante de se ver." Mesmo no ápice de sua reputação como mestre, Bruce Lee fechou todas as suas três academias. Ele decidiu parar de dar aulas para celebridades e levar sua arte para o cinema a fim de criar um novo gênero de filme que revelasse o real próposito das artes marciais.
Bruce Lee mantinha uma rígida disciplina em relação aos exercícios físicos, alimentação saudável, além de ser um leitor voraz. Apesar de todo seu conhecimento, em 30 de agosto de 1970, em virtude de um aquecimento mal feito, ao levantar pesos ele torceu seriamente o quarto nervo sacral das costas e foi obrigado a permanecer seis meses sem treinar. Os médicos disseram que ele jamais poderia voltar a lutar.
No set de filmagem da série "Long Street", com o protagonista James Franciscus. (1971)
A época foi difícil para Bruce Lee. Suas economias estavam no fim e ele foi obrigado a ficar em casa deitado numa cama. Sem desperdiçar tempo, enquanto estava imobilizado, ele iniciou uma grande pesquisa sobre artes marciais. Bruce Lee leu sobre Filosofia, Antropologia, Pisicologia e livros de Alan Watts, Jiddu Krishnamurti e Buda. Esses estudos associados à sua experiência com as artes marciais se transformaram em um ensaio de sete volumes escritos por ele sobre técnicas de treinamento e a filosofia do Jeet Kune Do, publicado cinco anos depois, com o título "O Tao do Jeet Kune Do". O livro se tornou um grande best-seller sendo editado até hoje em todo mundo.
Assim que pôde, Bruce Lee voltou a treinar e intensificou seus exercícios para readquirir sua boa forma. Diariamente, ele dava dois mil socos, mil chutes, corria cinco quilometros e pedalava 24 quilometros. Após sua recuperação, Bruce Lee conseguiu a proeza de estar em melhor forma que antes.
No início de 1971, Bruce Lee foi contratado pela Paramount Pictures para atuar no episódio de estréia da série de TV "Longstreet", estrelada por James Franciscus. O primeiro episódio "O Caminho para Interceptar o Punho" (tradução de Jeet Kune Do) bateu nas telinhas americanas com muito sucesso e Bruce Lee participou de mais três episódios da série. Mesmo assim, os estúdios americanos continuavam a lhe oferecer papéis de coadjuvante nos filmes, certamente por preconceito racial.
Bruce Lee nunca se conformou com esta postura da indústria cinematografica. Ele queria se impor como um ator marcial chinês e quebrar a tradição ocidental de só oferecer aos "amarelos" papéis menores.

Hong Kong

Bruce Lee foi a Hong Kong para visitar a família e foi surpreendido com sua popularidade lá, pois a série "O Besouro Verde" ficou famosa na outra costa do pacífico como "O Show de Kato". Enquanto permaneceu em Hong Kong, Bruce Lee e seu filho Brandon fizeram apresentações nos programas de TV chineses "Enjoy Yourself Tonight" e o beneficente "Telethon 71". Bruce Lee impresionou os espectadores ao quebrar uma tábua no ar com um chute.
Seu alto índice de audência logo rendeu uma proposta de Run Run Shaw, maganata das telecomunicações chinesas, para um contrato de 200 dólares por semana durante sete anos. Bruce Lee recusou a oferta e retornou para os Estados Unidos, onde ele estava em negociações com a Warner para estrelar, como astro principal, no telefilme "Kung Fu" que seria piloto para uma série de TV. Bruce Lee idealizou a série junto aos executivos da Warner, contudo, sem maiores explicações foi excluído do projeto, sendo preterido pelo ator americano David Carradine, que foi maquiado para parecer chinês. Na ocasião, o amigo e ator James Coburn lhe aconselhou: "A TV esmaga e engole gênios. Em uma temporada você esgotaria seu manancial. Fixe suas vistas em Hong Kong.".
Frustado com a indústria cinematográfica americana, Bruce Lee decidiu então aproveitar sua fama em Hong Kong e tentar se estabelecer no Oriente como ator marcial e depois voltar para os Estados Unidos, com o aval de ser um astro. Com isso, Bruce Lee, depois de dez anos na América, voltou à Ásia.

O Vôo do Dragão

Na chegada de Roma, no aeroporto de Hong Kong, após as filmagens de O Vôo do Dragão (1972)
Bruce Lee aceitou uma proposta da Golden Harvest, uma recém fundada produtora do veterano cineasta chinês Raymond Chow. Por um cachê de dez mil dólares, Bruce Lee foi à Tailândia para trabalhar no longa metragem "The Big Boss" ("O Dragão Chinês") dirigido pelo experiente Lo Wei. A princípio, ele teve um papel secundário no filme, mas após a filmagem da primeira cena de luta, os produtores perceberam o impacto que Bruce Lee faria nas telas e o tornaram astro do longa-metragem. Bruce Lee, então, começou a implementar sua próprias idéias e se envolveu em todos os aspectos da produção.
"O Dragão Chinês" estreou em outubro de 1971 e deixou o público atônito com a rapidez e a leveza dos golpes de Bruce Lee, que no filme tentava salvar os primos da ganância de um traficante de drogas, proprietário de uma fábrica de gelo. "O Dragão Chinês" bateu todos os recordes de bilheteria e transformou Bruce Lee num superstar. A crítica classificou "O Dragão Chinês" como o início de um movimento realista nos filmes de ação orientais, antes dominados pelo estilo capa e espada e com cenas inverossímeis.
Após o lançamento do filme, em dezembro de 1971, numa entrevista para o programa da televisão canadense "The Pierre Berton Show", um articulado e simpático Bruce Lee mostrou-se mais que um fenômeno de bilheteria:"Eu espero que o filme que eu faço expresse o porquê da violência cometida, seja certo ou errado. Mas infelizmente, a maioria dos filmes são feitos só pela violência" Questionado sobre o preconceito que sofreu dos estúdios americanos, ele foi diplomatico: "Infelizmente essas coisas existem no mundo. Eles acham que comercialmente é um risco. Eu não os culpo. Assim como em Hong Kong, se viesse um estrangeiro e se tornasse um astro, se eu fosse o homem do dinheiro, eu talvez me preocupasse se ele seria ou não aceito." E concluiu: "É fácil ser arrogante, se achar o máximo ou apenas mostrar movimentos elegantes. A Arte marcial é expressar-se com honestidade, que é muito difícil. Mas sem forma definida. Como a água. Seja água, meu amigo!"
Empolgado com o tremendo sucesso de "O Dragão Chinês", Raymond Chow produziu, com orçamento maior, o segundo longa-metragem "Fist of Fury" ("A Fúria do Dragão"), também dirigido por Lo Wei. O enredo de "A Fúria do Dragão" se passa na cidade de Xangai, em 1908, invadida pelos japoneses. O personagem de Bruce Lee é o protótipo do héroi chinês, derrotando os japoneses em fantásticos combates marciais, para vingar o assassinato de seu mestre. Com uma liberdade criativa cada vez maior, Bruce Lee apresentou uma nova arma no cinema: o nunchaku, dois bastões ligados por uma corrente. Mas também irritou a produção do filme com seu perfeccionismo e uma concepção artística muito diferentes dos padrões asiáticos. Lançado em março de 1972, "A Fúria do Dragão" obteve sucesso ainda maior que seu primeiro filme.
A essa altura, Bruce Lee já tinha um fã-clube mundial. Ele era o ator chinês mais popular no mundo. A exibição de seus filmes causava muito alvoroço e gerava enormes engarrafamentos próximos às salas de cinema. A crítica o descrevia como gênio das artes marciais e o "Rei do Kung Fu". Especulva-se um "combate do século" entre Bruce Lee e Muhamed Ali, campeão de boxe muito admirado por Bruce Lee. Lutadores faixa preta e experts em artes marciais viam a arte de Bruce Lee como revolucionária e seu talento como de outro mundo. "Imagine andar nas ruas com Elvis Presley. Era assim com Bruce em Hong Kong " , disse o ator marcial Bob Wall. Esta extraordinária fama trouxe problemas a Bruce Lee, que era constantemente desafiado para lutar tanto através da mídia quanto nas ruas de Hong Kong. Além dos rumores sobre seus envolvimentos amorosos com jovens atrizes chinesas.
Com o aval de ser um fenômeno de bilheteria, Bruce Lee passou a receber lucrativas propostas de vários produtores asiáticos e europeus. O produtor italiano Carlo Ponti foi um dos interessados. Mas Bruce Lee mostrou-se leal a Raymund Chow e estabeleceu uma parceria igualitária, abrindo sua própria produtora, a Concord. Seu primeiro trabalho como produtor foi minuciosamente projetado. Bruce Lee escreceu e dirigiu "Way of The Dragon" ("O Vôo do Dragão"). Também coreografou todas as cenas de luta, supervisionou o figurino, as dublagens, a edição e chegou até a tocar um instrumento de percussão durante as gravações da trilha sonora.
"O Vôo do Dragão" foi co-estrelado pela atriz Nora Miao, que já havia atuado nos dois filmes anteriores com Bruce Lee. O filme ainda contava com as participações de Whong In Sik, mestre coreano em Tae Kwon Do, e os americanos Bob Wall e Chuck Norris. O filme foi rodado na Itália e Bruce Lee interpretou um lutador que vai a Roma ajudar a família, que possui um restaurante chinês e está sendo estorquida pela máfia. A cena final do combate entre Bruce Lee e Chuck Norris, no Coliseu, foi um dos pontos altos do filme. "O Vôo do Dragão", lançado no final de 1972, foi aclamado pela crítica e obteve um sucesso de bilheteria maior que seus dois filmes anteriores juntos.
Bruce Lee estava rico e famoso, morando com a família numa confortável mansão de onze quartos no nobre endereço 41 Cumberland Road, no bairro de Kowloon Tong. A casa possuía uma magnífica biblioteca com dois mil livros, salão de ginástica e um jardim com um lago em estílo japonês. Na garagem, um Mercedes Sport 350 SL e um Rolls Royce dourado. Bruce Lee, em suas horas de folga, curtia roupas de grife e carros possantes. Mas ele nunca parou de trabalhar e praticar Kung Fu. Bruce Lee treinava cerca de oito horas por dia. O ator Chuck Norris assim o descreveu: "Nunca conheci ninguém tão dedicado ao treino." Bruce Lee aproveitava cada minuto como se previsse que sua vida seria curta.

Operação Dragão

Logo após o fim das filmagens de "O Vôo do Dragão", em agosto de 1972, Bruce Lee começou a rodar seu quarto filme "Game of Death" ("O Jogo da Morte"). No filme ele mostraria a filosofia do Jeet Kune Do. Bruce Lee escreveu doze páginas do roteiro de "O Jogo da Morte", onde ele seria um campeão aposentado e invicto procurado por uma gangue coreana para participar de uma invasão a um templo de cinco andares, em cujo último pavimento havia um valioso tesouro. Seu personagem recusa, mas a gangue seqüestra seus irmãos mais novos, deixando-o sem opção. Em cada andar do pagode existia um lutador de determinado estilo. Bruce Lee lutaria Jeet Kune Do e, para enfatizar seu lado iconoclasta, em vez de trajar um quimono tradicional para seu figurino no filme, ele usaria um macacão de malha amarelo.
Bruce Lee chamou cinco amigos para filmar, um de cada estílo. Danny Inosanto (Kempô), Taky Kimura (Kung Fu tradicional), Tse Hong Joy (Hapkido). Whong In Sik (Tae Kwon Do) e o campeão de basquete americano e seu ex-aluno, Kareem Abdul-Jabbar, que ficaria no último andar do pagode e atuaria como um lutador de estilo misterioso. O cenário seria o templo de Pyochungsa, na Coréia do Sul, onde existe uma estatua de Buda de 33 metros.
Bruce Lee começou a trabalhar obsessivamente em "O Jogo da Morte", onde chegou a passar quatro dias filmando uma seqüência de apenas cinco minutos. Ele mais uma vez assumiu a tarefa de sete pessoas na criação do filme. Bruce Lee produziu, dirigiu, escreveu, desenhou cada cena, coreografou, sugeriu idéias para iluminação e para direção de fotografia, além de ser o astro principal. Após ter filmado 100 minutos, em outubro de 1972, ele interrompeu a produção de "O Jogo da Morte" em virtude de uma tão esperada chamada de Hollywood, para um projeto de longa-metragem.
Bruce Lee e Raymmond Chow voam para Los Angeles, em novembro de 1972, para finalizar as negociações com a Warner Brothers sobre "Enter The Dragon" ("Operação Dragão"). O produtor Fred Weintraub apresentou para Bruce Lee um projeto com grande orçamento. Para direcão do longa metragem, estava escalado Robert Clouse, especializado em filmes de ação, e a trilha sonora seria composta por Lalo Schfrin, que se consagrou com as partituras de "Missão Impossível", "Bullitt" e "Dirty Harry" ("Perseguidor Implacável"). Como coadjuvantes estavam os populares atores americanos John Saxon e Ahna Capri, além da participação dos campeões de Karatê Jim Kelly e Bob Wall. No roteiro, Bruce Lee interpretaria um agente secreto que participa de um torneio de artes marciais a fim de desbaratar uma quadrilha criminosa.
Bruce Lee negociou com a Warner a participacão dele e de Raymond Chow, como co-produtores do filme, além de sua surpevisão em todos os aspectos da produção e pós-produção e nas coreografias das cenas de luta. Ele também indicou os mais cotados atores chineses na época, como Shih Kien e Angela Mao, além das filmagens serem em Hong Kong, programadas para janeiro de 1973. Seria a primeira vez em que um estúdio chinês e um americano dividiriam um filme.
"Operacão Dragão" estava agendado para estrear na próspera temporada de verão nos Estados Unidos, numa grande campanha publicitária, com presença de Bruce Lee em vários programas de entrevistas americanos como "The Tonight Show", de Johnny Carson. O filme seria finalmente a volta triunfal de Bruce Lee ao mercado norte-americano de cinema. Ele inclusive planejava voltar a morar nos Estados Unidos, após o lancamento de "Operação Dragão", e trabalhou de forma obstinada no filme.
Findas as filmagens de "Operação Dragão", em abril de 1973, Bruce Lee começou a dar conferências, entrevistas, receber homenagens e discutir roteiros e propostas milionárias vindas de todas as partes do mundo. Em 10 de maio, ele estava no estúdio de dublagem e teve um colapso, sendo conduzido ao hospital com febre e convulsões. Bruce Lee foi a Los Angeles para uma bateria de exames e o diagnóstico foi um edema cerebral, sem maiores conseqüências. Os médicos ainda exaltaram sua excelente condição física. Enquanto ficou hospedado no Bervely Hills Hotel, Bruce Lee recebeu alguns amigos que perceberam o quanto ele estava magro e demonstrando muita ansiedade. Sua esposa, na biografia "Bruce Lee: The Man I Only Knew" ("Bruce Lee: O Homem Que Só Eu Conheci") narrou: "Eu ainda tentei convencê-lo a reduzir seu ritmo de trabalho, mas ele me interrompia."

O Jogo da Morte:

Bruce Lee retornou a Hong Kong e voltou ao frenético rítmo de trabalho. Cheio de planos e idéias, ele agendou outra ida à Los Angeles em 06 de agosto para a estréia de "Operação Dragão" e programou para 20 de setembro a volta das filmagens de "O Jogo da Morte".
Na manhã do dia 20 de julho de 1973, Bruce Lee teve uma reunião de negócios, em casa, com seu advogado. Mais tarde ele recebeu seu sócio Raymond Chow, para discutirem sobre a produção de "O Jogo da Morte" e marcaram um jantar com o ator australiano e ex-007, George Lazemby, que eles pretendiam contratar para atuar no longa-metragem. Bruce Lee se despediu de Linda e das crianças e foi até o apartamento da sensual atriz chinesa Betty Ting-Pei, também escalada para o filme, a fim de estudarem o roteiro de "O Jogo da Morte". Segundo Betty Ting-Pei, ao anoitecer, Bruce Lee se queixou de uma dor de cabeça, pediu um analgésico e foi dormir. Quando ela tentou acordá-lo para o compromisso, não sentiu nenhuma reação e chamou um médico. Bruce Lee foi conduzido às pressas para o Queen Elizabeth Hospital, onde foi encaminhado a uma UTI. Depois de várias tentivas de ressuscitação, Bruce Lee faleceu, aos 32 anos.
Naquela mesma noite, ao ser informada da morte súbita de Bruce Lee, a imprensa de Hong Kong ficou em polvorosa. O fato de Bruce Lee ter falecido no apartamento de uma atriz sexy, aliado aos primeiros resultados da autópsia, que confirmou haver vestígios de haxixe em seu estômago, ajudou a gerar várias especulações sobre sua morte. Overdose, envenenamento, suicídio, vítima de um golpe letal, assassinato, amaldiçoamento, crime passional, especulações das mais sensacionalistas varreram o mundo.
O laudo oficial, porém, declarou que a causa mortis de Bruce Lee foi um caso raro de hipersensibilidade por medicação incorreta, causando um edema cerebral que o levou à morte. Segundo o laudo, o haxixe nada teve a ver com seu falecimento e sim uma alergia ao analgésico Equagesic. Conclusão final: morte acidental. Mas até hoje um clima de mistério envolve o desaparecimento prematuro de Bruce Lee. Como um homem com uma forma física perfeita poderia ter morrido tão jovem? Esta pergunta se cristalizou em todo o mundo.
A família preparou duas cerimônias para Bruce Lee. Em Hong Kong, 25 mil pessoas compareceram ao funeral, para prestarem a última homenagem ao ídolo. Em Seattle, onde ele foi sepultado, houve uma cerimônia privada, no Lake View Cemetery, com a presença de familiares e amigos, como os atores Steve MacQueen e James Coburn, o diretor Robert Clouse e os lutadores Danny Inosanto, Taky Kimura e Jim Kelly.
"Operação Dragão" foi lançado três semanas depois da morte de Bruce Lee e se tornou uma das maiores bilheterias de 1973. Até hoje, o filme já arrecadou mais de 200 milhões de dólares.

ARTIGO:

Para alguns, ele foi um ator; para outros o maior artista marcial de todos os tempos. Mas poucos conhecem um outro lado igualmente excepcional, o de filósofo. Confesso que fiquei surpreso quando peguei emprestado o livro “O Tao do Jeet Kune Do” e conheci um lado que não imaginava. Bruce foi um grande pai, um marido dedicado e detentor de uma disciplina marcial de dar inveja a qualquer lutador do UFC. Ele foi um exemplo em todos os aspectos, mas acredito que o maior de todos exemplos dele é o de vida.

Abaixo estão 10 lições de vida que um dos maiores lutadores de todos os tempos deixou para nós em apenas 32 anos de vida.

1. OBJETIVO
“Um objetivo nem sempre é para ser atingido, frequentemente serve apenas como algo a ser mirado.”

Esse talvez seja um dos clichês da motivação mais negligenciados. Ter objetivo é importante, mas não é tudo. É preciso apreciar a jornada tanto quanto a chegada. De fato, estudos comprovam que o corpo humano produz mais serotonina (hormônio da felicidade) quando estamos prestes a conseguir algo do que quando conseguimos. Se você tem um bjetivo, faça dele uma consequência de algo valioso, e que se não der certo, tudo bem, valeu a pena.

2. FLEXIBILIDADE
“Limpe a sua mente e seja como a água, sem forma. Você coloca a água num copo e se torna o copo, coloca água em uma garrafa, se torna a garrafa.”

Resisticência e adaptabilidade são duas das mais valiosas qualidades que uma pessoa pode ter. Não seja duro, lento e difícil de lidar. Seja flexível, rápido e fácil de conviver — adapte-se às circustâncias em vez de confrontá-las. Flexibilidade é a capacidade que algo tem de se moldar às adversidades, a água é o maior exemplo, ela não se opõe aos obstáculos, se molda a ele.

3. TEMPO
“Se você ama a vida, não desperdice tempo, é de tempo que a vida é feita.”

Você já leu isso em algum lugar, mas Bruce colocou isso de uma forma diferente. Se a vida é feita de tempo — logo é limitada — , então viver é aproveitar o tempo. Evite reclamar que você não tem tempo, evite sonhar com um dia de 30 horas, isso é perda de tempo. Se você tem apenas 1 hora livre no final do dia, aproveite! Faça algo que realmente te deixe feliz. E se você não está feliz hoje, se algo lhe incomoda, saiba que você está perdendo tempo. Mude!

4. PROPÓSITO
“Viver de verdade é viver para os outros.”

Que graça a vida teria se não tivéssemos ninguém para compartilhar? Ninguém para cuidar, ninguém que nos esperar ao final do dia, ninguém para nos motivar… alguém que valha a pena luta. Não é hipocrisia, não falo da boca pra fora, eu realmente acho que o propósito da vida de cada um é fazer os outros felizes. Porque se as pessoas com quem me importo forem felizes, eu também serei. Para manter isso sempre aceso dentro de mim, frequentemente me pergunto: o que você pode fazer para alegrar o dia de alguém (sem esperar nada em troca)?

5. ACEITAÇÃO
“Não pense sobre quem está certo ou errado ou quem é melhor que o outro. Não seja nem a favor nem contra.”

Você não acha que o mundo seria melhor se as pessoas não julgassem tanto umas as outras? Outro dia eu comentei que nem todo mundo quer mudar o mundo, mas todo mundo gostaria de mudar o outro. Um amigo concluiu brilhantemente: devíamos querer mudar a nós mesmos. Para mim, falar dos outros é uma perda de tempo e pior, é nocivo. Precisamos entender que o mundo é um lugar heterogêneo e agradecer por ele ser assim.

6. FOCO
“Eu não temo o homem que praticou 10.000 chutes uma vez, eu temo aquele que praticou um chute 10.000 vezes.”

Seja um especialista. Se você quer ser muito bom em algo, pratique, pratique, pratique. E quando você achar que já praticou o suficiente, pratique o dobro. E quando você achar que não tem mais como melhorar, pratique um pouquinho mais. Seja o melhor em algo e você será reconhecido por isso. Não desista no meio.

7. SIMPLICIDADE
“Simplicidade é a chave para algo brilhante.”

Vivemos em um mundo onde tudo é complexo e cheio de detalhes. Mas, ainda assim, valorizamos o que é simples. Felicidade vem de dentro, do que sentimos não do que temos. Precisamos desobstruir o caminho da felicidade, eliminar as superficialidades da vida, querer cada vez menos não mais. As pessoas mais admiráveis que conheci (ou li) frequentemente foram as mais simples e modestas também.

8. ENCONTRE O SEU CAMINHO
“Absorva o que lhe é útil, descarte o que não é, e adicione algo único.”

Quando começamos algo (seja a vida ou um curso técnico), precisamos ouvir, aprender e observar. Dessa forma, absorvemos o conhecimento necessário para fazermos do nosso jeito. Testando, vemos o que funciona conosco e o que não. Essas adaptações são cruciais para criar um estilo próprio. Ao final, acrescente pequenos toques pessoais. Não viva à sombra dos outros.

9. EGO
“Artes-marciais são principalmente fonte de auto-conhecimento. Um soco ou um chute não é para arrancar os males do cara a sua frente, mas para arrancá-los seu próprio ego, medo e obstáculos.”

Tudo que você faz envolve seu ego. É ele que fica assustado, sente medo e impede você de fazer algo porque assim já está bom. Aprenda a controlar os seus próprios medos e convertê-los em motivação, essa é a maior fonte de coragem.

10. COMECE AGIR
“Saber não é o suficiente, você tem que aplicar; querer não é o bastante, você tem que fazer.”
A frase diz por si só. Pare de ler e vá por em prática.

BRUCE LEE MY BROTHER:

Estreou em 29/11/2010 na China e em Hong Kong a primeira parte de Bruce Lee, My Brother, a cinebiografia de Bruce Lee (1940-1973) dividida em três partes. O lançamento celebra o que seria o 70º aniversário do ícone das artes marciais.
O irmão do ator, Lee Chun-fai, é o autor do livro que serve de base para os filmes, que pegam desde a juventude do astro, seu sucesso no cinema, até sua repentina morte aos 33 anos. Tony Leung Ka-fai (O Amante, Eleição), o nome mais conhecido no elenco aqui no Ocidente, interpreta o pai de Lee.
Robert Lee e Phoebe Lee, irmãos do astro, estão entre os produtores da trinca de filmes.
Espero que este filme, acho que que filme será melhor que a da péssima série "BRUCE LEE A LENDA", produzido por Shannon Lee.

HOJE FAZ 38 ANOS QUE BRUCE MORREU. COM CERTEZA, AONDE ELE ESTÁ, SENTE FELIZ, POIS SUA VIDA FOI EXTRAORDINÁRIA.

LIBERTE-SE DO KARATÊ CLÁSSICO

Em Setembro de 1971, a revista norte-americana Black Belt, publicou o artigo LIBERATE YOUSELF FROM CLASSICAL KARATE.

Neste artigo Lee expõe suas teorias com Bruce    relação aos sistemas clássicos de artes marciais. Pode-se dizer que ele é a pedra fundamental do Jeet-Kune-Do. Veja agora o artigo na íntegra.

Sou o primeiro a admitir que qualquer tentativa no sentido de cristalizar o Jeet-Kune-Do em um artigo escrito não é tarefa fácil. Talvez para evitar fazer de um processo uma coisa. Pessoalmente, até agora, não escrevi nenhum artigo sobre JKD. Na verdade, é difícil explicar o que é JKD, embora possa ser mais fácil explicar o que não é.
Deixe-me começar por uma estória de ZEN. Ela poder ser familiar para alguns, mas eu a repito devido a sua propriedade. Considerem esta estória como um modo de tornarem flexíveis seus sentidos, sua atitude e sua mente, a fim de torná-los maleáveis e receptivos. Precisarão disso para entender este artigo, do contrário é melhor nem ler o resto.
Uma vez um homem culto chegou junto a um mestre ZEN para perguntar sobre o assunto. À medida que o mestre ZEN explicava, o homem culto frequentemente o interrompia com observações como, "Oh, sim, também temos disso..." e similares. Finalmente o mestre Zen parou de falar e começou a servir chá ao homem culto. Encheu a xícara e continuou enchendo, ainda que o chá transbordasse.
"Chega!", interrompeu mais uma vez o homem culto. "A xícara já está cheia!
"Sei disso", respondeu o mestre Zen. "Se não esvaziar primeiro sua xícara, como poderá provar meu chá?"
Espero quem meus companheiros nas artes marciais leiam os parágrafos que se seguem com a mente aberta, deixando para trás toda a carga de opiniões e conclusões preconceituosas. Isso, tem por si só, um poder libertador. Afinal a utilidade da xícara consiste no fato de estar vazia.

Sobre a Observação sem Escolha

Façam com que este artigo se relacione consigo mesmo, pois, embora seja sobre JKD, ele se refere, primeiramente ao desabrochar de um artista marcial - não a um artista marcial "chinês", um artista marcial "japonês", etc. Um artista marcial e antes de tudo um ser humano. Uma vez que as nacionalidades nada tem que ver com a humanidade de cada um, elas nada tem a ver com as artes marciais. Abandone seu casulo protetor de isolamento e se relacione diretamente com o que está sendo dito . Retornem aos seus sentidos fazendo cessar as superstições intelectuais. Lembre-se de que a vida é um processo constante de relacionamento. Lembre-se, também não busco sua aprovação, nem influenciá-lo em meu modo de pensar.
Ficarei mais do que satisfeito, se, em consequência deste artigo, você começar a investigar tudo por si mesmo e parar de aceitar, sem críticas, fórmulas prescritas que ditam que "isto é isto" e que "aquilo é aquilo".
Suponhamos que várias pessoas, treinadas em diferentes estilos de artes combativas, presenciem uma briga de rua. Estou certo de que ouviremos diferentes versões de cada um destes estilistas. Isto é bastante compreensível, pois não se pode ver uma luta (ou qualquer outra coisa) "como é", enquanto se estiver com as vistas tampadas por um ponto de vista tendencioso, ou seja, o estilo, e visualizando a luta pelas lentes de seu condicionamento particular. A luta, "como ela é" é simples e total. Não está limitada a sua perspectiva ou condicionamento como artista marcial chinês, artista marcial coreano, ou qualquer que seja. A verdadeira observação começa quando se deixa padrões estabelecidos e a verdadeira liberdade de expressão que ocorre quando se está além dos sistemas.
Antes de examinarmos Jeet Kune Do, consideremos exatamente o que é realmente um estilo clássico de arte marcial. Para começar temos de reconhecer o fato incontestável de que, não importando suas origens coloridas (por um monge sábio e misterioso, por um mensageiro especial em sonhos, por uma revelação sagrada, etc.), os estilos foram criados pelos homens. Um estilo jamais deve ser considerado como verdade evangélica, cujas leis e princípios não podem jamais ser violados. O homem, ser vivo, criativo, e sempre mais importante do que qualquer estilo estabelecido.
É concebível que, ha muito tempo, um certo artista marcial descobriu uma certa verdade parcial. Durante toda sua vida, este homem resistiu a tentação de organizar esta verdade parcial, embora isto seja uma tendência comum na busca do homem pela segurança e certeza da vida. Após sua morte, seus discípulos utilizaram "sua" hipótese, "seu" postulado, "sua" inclinação e "método", transformando-os em lei. Então credos impressionantes foram inventados, cerimoniais solenes prescrevidos rígida filosofia e padrões formulados, e assim por diante até que finalmente uma instituição foi erigida.
Assim, o que se originou como intuição de um só homem, de certa fluidez pessoal, foi transformando num sólido conhecimento fixo, completo com classificação organizada de reações apresentadas de ordem lógica. Desta forma, os seguidores leais bem intencionados não só fizeram deste conhecimento um santuário sagrado, mas também uma tumba, na qual enterraram toda a sabedoria do fundador. Mas a distorção não está necessariamente aqui. Em reação com a "verdade do outro", outro artista marcial, ou possivelmente um discípulo insatisfeito organiza uma aproximação contrária, tal como o estilo "brando" versus o estilo "duro", a escola "interna" versus a escola "externa", e todas essas tolices separatistas. Logo esta facção oposta também se transforma numa grande organização com as próprias leis e padrões. Então se inicia uma rivalidade, em que cada estilo clama ser o possuidor da "verdade" com a exclusão dos demais. Quando muito, os estilos são meramente partes dissecadas de um todo. Todos os estilos requerem ajustamento, parcialidade recusas, condenação e uma porção de auto-justificativas. As soluções que pretendem fornecer são exatamente a causa do problema, pois elas limitam e interferem o nosso crescimento natural e obstruem o caminho da compreensão genuína. Sendo separadores por natureza, os estilos mantém os homens afastados entre si ao invés de uni-los.

A Verdade não pode ser estruturada ou confinada

Não se pode expressar-se inteiramente quando se está preso a um estilo restrito. O combate "como é" é total, e inclui todos os "é" bem com os "não é", sem linhas ou ângulos favoritos. Desprovido de limites, o combate é sempre novo, vivo e constantemente mutante. Seu estilo particular, sua inclinação pessoal e sua constituição física são todos partes do combate. Caso suas reações tornarem-se dependentes de qualquer parte isolada, eficiente ou não, não constitui o todo.
Exercícios de repetição prolongada,certamente, renderão precisão mecânica e segurança do tipo que provém de qualquer tipo de rotina. Contudo, é exatamente este tipo de segurança "seletiva" ou "muleta" que limita ou bloqueia o desenvolvimento total de de um artista marcial. De fato, um grande número de praticantes desenvolvem tal gosto e dependência por suas "muletas", a ponto de não poderem andar sem elas. Assim, qualquer técnica especial, por mais inteligentmente planejada, e na realidade um obstáculo.
Fiquemos entendidos de uma vez por todas que NÃO inventei um novo estilo composto ou modificado. De modo algum coloquei Jeet Kune Do de uma forma distinta, governada por leis que distingue "deste" estilo ou "daquele" método. Pelo contrário, espero libertar meus companheiros dos laços dos estilo, padrões ou doutrinas.
O que é então Jeet Kune Do? Literalmente "Jeet" interceptar ou parar; "Kune" é o punho; e "Do" é o caminho, a realidade suprema - o caminho do punho interceptor. Lembre-se, contudo, que "Jeet Kune Do" é meramente um nome conveniente. Não estou interessado em seu efeito de liberação, quando JKD é usado como espelho para auto exame. Ao contrário de uma arte marcial "clássica", não existem séries de regras ou um método distinto de combate "Jeet Kune Do" não é uma forma de condicionamento especial com sua própria filosofia rígida. Ele olha para o combate, não por um único ângulo, mas por todos os ângulos possíveis. Enquanto o JKD utiliza todas as formas e meios para ser seu propósito (afinal, eficiência é tudo o que importa) não é limitado por nada, sendo, portanto, livre. Em outras palavras, JKD possui tudo, porém em si mesmo, não é possuído por nada.
Portanto, tentar definir JKD em termos de estilo distinto - seja Kung Fu, Karate, briga de rua, arte marcial de Bruce Lee, etc. - e perder completamente seu significado. Seu ensino simplesmente não pode ser confinado dentro de um sistema. Desde que JKD é, de uma vez por todas, "isto" e "aquilo", ele nem se opõe e nem se adere a qualquer estilo. Para compreender isto completamente, deve-se transcender da dualidade do "pró" e "contra" numa unidade orgânica sem distinções. A compreensão de JKD é a intuição direta desta unidade.
Não existem séries prescritas ou "Kata" no ensino de JKD, nem, tampouco, são necessários. Considere a diferença sutil entre "não Ter forma" e "Ter nenhuma forma"; o primeiro é ignorância, o segundo é uma transcendência. Através da sensação instintiva do corpo, cada um de nós CONHECE nossa própria maneira mais eficiente e dinâmica de adquirir alavanca efetiva, equilíbrio em movimentos, uso econômico de energia, etc. Padrões, técnicas ou formas apenas tocam a margem do entendimento genuíno. A essência do entendimento reside na mente do indivíduo, e até que ela seja alcançada, tudo é incerto e superficial. A verdade não pode ser percebida até que venhamos a entender a nós mesmos e aos nossos potenciais. Afinal, O CONHECIMENTO NAS ARTES MARCIAIS SIGNIFICA ACIMA DE TUDO, AUTO CONHECIMENTO.
Neste ponto você poderia perguntas: "Como posso adquirir este conhecimento?" Isso você terá de descobrir por si só. Deve aceitar o fato de que não há ajuda, mas sim auto-ajuda. Pela mesma razão que não posso lhe dizer como "ganhar"a liberdade, uma vez que a liberdade existe dentro de você. Não lhe posso dizer como ganhar o auto conhecimento. Fórmulas somente inibem a liberdade e prescrições ditadas externamente somente esmagam a criatividade e asseguram o triunfo da mediocridade. Tenha em mente que a liberdade que advém do auto conhecimento não pode ser adquirida pela estrita adesão a uma fórmula: nós não nos "tornamos" subitamente livres, nós simplesmente somos livres.
Aprender não é definitivamente mera imitação, nem é a habilidade de acumular e regurgitar conhecimento fixo. Aprender é um processo sem fim. Em JKD começamos não pela acumulação, mas pela descoberta da causa de nossa ignorância, descoberta essa que envolve um processo de desprendimento.
Infelizmente a maioria dos estudantes de artes marciais são conformistas. Em ver de apreender a dependerem de si mesmos para se expressarem, eles seguem cegamente seus instrutores, não mais se sentindo sozinhos, e encontram a segurança na imitação em massa. O produto dessa imitação é uma mente dependente. A pesquisa independente, que é essencial para a compreensão genuína, é sacrificada. Dê uma olhada nas artes marciais e veja a variedade de praticantes de rotina, artistas de truques, robôs insensíveis, glorificadores do passado e outros - todos seguidores ou expoentes do desespero organizado.
Quão frequentemente nos dizem os diferentes "senseis" ou "mestres" que artes marciais são a própria vida? Mas quantos deles realmente entendem o que estão dizendo? A vida é um movimento constante - tanto rítmico quanto a esmo; vida é mudança constante e não estagnação. Em vez de fluir livremente neste processo de mudança, muitos destes "mestres", do passado e do presente, construíram uma ilusão de formas fixas, rigidamente subscrevendo aos conceitos e técnicas tradicionais da artes, solidificando o sempre fluente, dissecando a a totalidade. O mais doloroso é ver sinceros estudantes repetindo fervorosamente esses treinos imitativos, ouvindo seus próprios gritos e urros de seus espíritos. Na maioria dos casos, os meios que estes "senseis" oferecem a seus estudantes são tão elaborados que o aluno deve desprender tremenda atenção a eles, até que gradualmente ele perde a visão do fim. Os estudantes acabam por executar suas rotinas metódicas como mera reação condicionada, em vez de REAGIR ao "que é" . Eles não mais "ouvem" as circunstâncias. Estas pobres almas caíram bestamente na armadilha, no miasma do treinamento das artes marciais clássicas. Um professor , um realmente bom sensei, nunca é um doador da "verdade" ; ele é um guia, um indicador da verdade, que o aluno deve descobrir por si mesmo. Um bom professor, portanto, estuda cada aluno individualmente e o encoraja a explorar a si mesmo, tanto interna como externamente, até que, por fim, o estudante está integrado com seu próprio ser. Por exemplo, um mestre hábil poderia incitar o desenvolvimento do estudante, confrontando com certas frustrações. Um bom mestre é catalisador. Além de possuir um profundo entendimento, deve também Ter uma mente receptível, com grande flexibilidade e sensitividade.

Um dedo apontado para a lua

Não existe padrão no combate total e a expressão deve ser livre. Esta libertação da verdade é uma realidade somente quando ela é EXPERIMENTADA E VIVIDA pelo próprio indivíduo. É uma verdade que transcende estilos ou disciplinas.
Lembre-se, também, que Jeet Kune Do é meramente um termo, um rótulo a ser usado tal como um barco é usado para se atravessar um rio, uma vez do outro lado da margem, ele é descartado e não carregado nas costas.
Estes poucos parágrafos são quando muito, um "dedo apontado para a lua".
Por favor, não tome o dedo pela lua, nem fixe seu olhar tão intensamente no dedo a ponto de perder toda a beleza da visão celestial. Afinal, a utilidade do dedo está em apontar para longe de si a luz que o ilumina e a tudo o mais.

BRUCE LEE
SETEMBRO DE 1971:

BRUCE LEE E SUA ARTE

Outro o dia tive uma discussão interessante com um amigo sobre Bruce Lee e as coisas que eu havia aprendido com o HOMEM. Durante a conversação enumerei a maior parte dos fatores que tinham, eu penso, feito dele o que foi. Primeiramente, tinha o dom de simplificar, de encontrar a principal essência de algo complexo. Segundo, tinha sua rapidez natural para mover-se e seu dom para imitar, fisicamente, cada movimento que via. Terceiro, possuía a motivação que o guiava nessa prática: o receio e o desejo de ser o melhor; o temor de que pudesse um dia encontrar uma cópia dele. Ele sabia que, se fosse o elhor, muitas coisas não correriam o risco de acontecer. A quarta qualidade que o levara a grandeza era o dom de estar no lugar certo na hora certa. Começou seu aprendizado na tenra idade onde se é impressionável, na grande época do Wing Chun. Seus instrutores faziam parte dos melhores combatentes dessa arte e sua presença em alguns de seus combates de rua lhe deram uma visão prática de onde queria chegar e do caminho que deveria seguir. Em último lugar, o que o conduziu a grandeza foi ter chegado na América numa época em que as artes de combate do Extremo Oriente ainda eram desconhecidas do grande público. Era o momento ideal para um jovem expert como Bruce, vindo de um sistema avançado como o Wing Chun. Ele falava do Wing Chun como se fosse um conjunto das melhores técnicas dos sistemas duros e ágeis. Combinando todos esses fatores com uma boa dose de sorte, vocês têm a explicação do que tornou Bruce célebre. Quando voltou aos EUA, as artes marciais eram mal representadas nesse país. As que prendiam a atenção do público eram o Jiu Jitsu, o Judo e o Aikido. Em cada uma dessas artes havia uma forte adesão aos dogmas do passado. Em outras palavras, era necessário preencher várias formalidades para ser aceito em uma delas. Em primeiro lugar, havia o processo de avaliação ao qual cada um deveria se submeter, seguido por uma série de de regras regendo a conduta, na escola e na rua. O combate era proibido e o respeito ao professor e a arte era da mais alta importância. Tal era a situação em que Bruce Lee se encontrava. O que ele sentiu, então, foi como uma espécie de vaga rebelião. De vontade própria, havia deixado uma situação de estudante em Hong Kong que julgava desagradável pela lentidão de transmissão do saber. No seu espírito, essa situação que havia deixado em Hong Kong era semelhante a que encontrava nos Estados Unidos. Era uma situação que exasperava bastante aqueles que aspiravam praticar as artes marciais. Bruce Lee tornou-se o portador de uma aproximação não tradicional. O que a maior parte das pessoas não imagina é que mesmo para Bruce foi um processo que evoluiu durante vários anos. Durante os dois primeiros anos que eu o conheci, Bruce era um indivíduo de dupla personalidade, que muitas vezes se extasiava com as qualidades dos diferentes estilos de Kung Fu durante uma conversação, para demoli-los em outra ocasião. Repensando nisso, é fácil ver que Bruce Lee era jovem e inexperiente no seu conhecimento prático das outras artes marciais e, da sua própria inexperiência em Wing Chun, notava que existia uma hierarquia semelhante em todos os estilos de Kung Fu. Durante esse período dos anos 60, Bruce viajou para a Califórnia e Canadá, para observar e discutir com os mestres de Kung Fu. Frequentemente essas visitas tinham uma reação reticente por parte desses últimos, reação muito natural considerando-se sua idade e o fato de ser até então, pouco conhecido na comunidade do Kung Fu. Cada vez que permitiam que os visse trabalhando ou lhe mostrassem uma técnica, Bruce tratava imediatamente de torná-la mais eficaz, o que o tornava pouco simpático aos seus anfitriões. Muita experiências como essa reforçaram sua certeza de que a quase totalidade do que era ensinado em matéria de Artes Marciais era, de fato, pouco eficaz. Lembre-se de que, durante todo esse período, Bruce treinava pelo menos 40 horas por semana. Ele estava no apogeu do desenvolvimento da sua arte e suas ações o provavam. Mais ele se aperfeiçoava, mais se importava com a tradição e repetia isso toda vez que tinha oportunidade. Suas palavras faziam vibrar a corda sensível daqueles que haviam assumido a bandeira da tradição. Eles se encontravam diante de um homem que ousava dizer o que pensava e cujas ações provavam a certeza de seus propósitos. Sua reputação crescia e as pessoas respondiam aos seus apelos, tal como o mago da flauta. O que preconizava para as massas era pelo menos verdadeiro para ele e demonstrava isso tranquilamente. O problema residia no fato de que suas teorias eram apoiadas em conhecimentos que as massas não possuíam. Poucas pessoas tinham o potencial físico e a experiência que faziam com que as idéias de Bruce prosseguissem. Ele mostrava ao público a ponta do iceberg e não a base, escondida, que eram bem maior. As artes marciais tradicionais estavam destinadas ao combate e sua eficácia repousava, muitas vezes, nas exigências da época na qual tinham sido utilizadas. Frequentemente um clima de mistério envolvia estas artes, porque se eram muito propagados seus princípios de base, arriscava-se a torná-los ineficazes contra outras artes. Esta situação prevaleceu até o fim do século XVIII e começo do XIX e houve um movimento tentando vulgarizar algumas dessas artes orientais afim de que pudessem ser praticadas pelas massas. Tornaram-se principalmente esportes em vez de maneira de aniquilar ou combater seus inimigos - evolução que não agradou a todos. A maior parte das técnicas mais eficazes foram suprimidas ou minimizadas. Mas certas escolas escolheram permanecer como eram e praticam até hoje suas técnicas originais, desenvolvendo a agilidade em aniquilar seus inimigos. Essas artes são menos conhecidas que as outras, porque escolheram ficar fiéis aos seus princípios de base. Um dos requisitos para aprender essas artes é praticar de modo intensivo, durante um período apropriado. Não se pode aprendê-las do dia para a noite, nem sem esforço. Seria loucura imaginar que um adepto das técnicas de Bruce possa aplicá-las contra um adversário poderoso sem desenvolver sua capacidade física para mover-se rapidamente e dar golpes de pés e punhos fortes. Quando encontrei Bruce pela primeira vez ele dirigia suas pesquisas para o desenvolvimento de métodos de combate e não de técnicas destinadas a matar. Aprender a matar é diferente de aprender a combater. A maior parte das pessoas rejeita a idéia de matar porque aprenderam a não pensar nestes termos e na maior parte dos países há leis que proíbem a violência em qualquer circunstância. Os que desenvolvem métodos destinados a matar devem ser considerados como pessoas que vêem o combate como forma realista: morte e destruição. Os soldados fazem parte desta categoria. Aprendem a dominar as técnicas mais mortíferas e eficazes, porque quanto mais eles forem eficientes, mais ganharão as batalhas e mais viverão. Poucos dos artistas marciais raciocinam nos mesmos termos, principalmente porque não sentem a necessidade vital de desenvolver a sua aptidão para matar. Bruce insinuava sempre que era necessário considerar seus inimigos como assassinos em potencial, mas não preconizava como meio de defesa pessoal, tornar-se um assassino em potencial. Há dúvidas em meu espírito de que Bruce fosse capaz de matar, mas era uma consequência da sua técnica de treinamento para o combate. A agilidade e a força de seus golpes de punhos e pés podiam matar, um pouco como o lutador de boxe que leva seu adversário para as cordas e continua a bater-lhe mesmo que ele não tenha mais capacidade de defender-se. No passado essa focalização sobre a violência era uma razão de segredo. Se a arte marcial ia para as mãos de uma pessoa inescrupulosa, arriscava-se a matar inocentes antes que fosse impedida. A idéia de que o bem e o bom devem prevalecer não foi verificada por acaso. Quase sempre os maus a contradizem. O que isso têm a haver com Bruce Lee, dirão vocês? Encontra-se, em parte, nos seus ensinamentos. Para ter uma chance de defesa contra um verdadeiro assassino, é necessário desenvolver o potencial de ser um assassino, onde é preciso aprender as técnicas de Bruce. Não é suficiente saber que uma pessoa pode bater com uma força tal que pode matar. Essa pessoa deve conseguir essa força e, ao mesmo tempo, a disciplina de não usá-la, a menos que seja vital. Como chegar a esse resultado? Estudei essas pessoas e as situações, a maneira como os combates começam, os meios onde eles geralmente se desenrolam e que espécie de pessoa os executa. Uma vez aprendida algumas dessas noções, começa-se a pressentir as dificuldades muito tempo antes que as pessoas comuns e sai-se do caminho. Você deve esquecer cenas de cinema e aprender a encarar todos os combates como situações de ameaça de morte. Se não for uma situação séria, você chegará a se sentir envolvido e, ao contrário, se sentir-se envolvido saberá utilizar todos os meios para atacar, porque está em jogo a sua vida. A menos que não seja muito experiente, não pode revidar com hesitação e nem mesmo atacar. A maior parte dentre nós não possui nem ao menos esta habilidade e como é difícil adquiri-la, devemos fazer o melhor com o que temos. A realidade física do JEET KUNE DO de Bruce Lee não é uma coisa que depende da sua presença. Antes da sua morte, Bruce havia fechado todas as suas escolas, um ato que parecia sugerir que não estava satisfeito com o desenvolvimento que compreendia sua arte. Se Bruce tivesse sobrevivido, é menos provável que a sua arte tivesse se expandido como é hoje. Depois da sua morte, sua arte ou tudo o mais que havia ensinado de sua arte, foi recolocado em moda e ensinado por todo o mundo. O problema dessa ressurreição é que apresenta somente a parte visível da prática de Bruce e não a base, com todas as primeiras etapas de sua evolução que o levaram ao seu mais alto nível. A verdade é que o método de Bruce não pode sar resultados positivos se você não tiver, na base, predisposições físicas. Na maior parte, seus últimos alunos vinham de outras artes marciais e tinham já uma certa experiência em técnicas de pés e punhos. A primeira coisa que Bruce fazia consistia em fazê-los utilizar melhor a potência e a rapidez que já haviam adquirido. É fácil ver a extensão da arte de Bruce - e suas técnicas são muito eficazes - mas só com a condição de ter conhecimentos sólidos para desenvolvê-la. Da mesma maneira Arnold Schwarzenegger pode aconselhar um modo mais eficaz para desenvolver o seu corpo, tirado se sua própria experiência, mas você é que deve fazer os exercícios de resistência, se quiser progredir. E o mesmo para a técnica de Bruce, ela requer tanto um trabalho físico vertiginoso quanto a posse de reflexos excepcionalmente bons. O que é realmente perturbador no caso de Bruce Lee é que ele estava muito além do seu tempo, porque enunciou teorias nos fins dos anos 60 e começo dos 70. O problema é que os tempos mudam e as situações também. Quando Bruce começou a falar do declínio das artes marciais, ele falava de um ponto de vista muito limitado. Havia encontrado grandes "Experts" em artes marciais nos EUA, pessoas que certamente eram muito competentes, mas Bruce não tinha fácil acesso a elas naquele tempo. Porém estava em contato com Nishiyama. Eu estava lá com um amigo quando Bruce o conheceu em uma demonstração. Podia-se perceber uma interrogação na maneira como Bruce observava a movimentação de Nishiyama. Ele o observava como alguém que fica em pé diante de um mestre, uma posição que Bruce pretendia, mas ainda não havia alcançado. Percebi então que se Bruce tivesse lutado com Nishiyama no mesmo modo que havia lutado com um karateca em um combate precedente que eu havia arbitrado, teria provavelmente perdido. As pessoas que não são dotadas de qualidades físicas excepcionais não podem simplesmente praticar as técnicas de Bruce Lee e esperar competividade diante de outros praticantes dotados de melhores qualidades físicas. Isso seria impossível.

(*) NOTA: Jesse R. Glover foi o primeiro aluno de Bruce Lee nos EUA e é autor do livro "Bruce Lee Between Wing Chun and Jeet Kune Do".

ENTREVISTA COM BRANDON LEE

"NINGUÉM PODE PRATICAR OU ENSINAR JEET KUNE DO. JEET KUNE DO MORREU COM MEU PAI" (BRANDON BRUCE LEE - 1965 - 1993)

Como se sabe, Brandon Lee morreu no dia 31 de Março de 1993 em um acidente no set do filme "The Crow". Brandon já havia declarado diversas vezes que não desejava seguir os passos de seu pai, mas afinal ele era filho de Bruce Lee e, ver seus filmes, sempre foi um prazer. Em 1992, Brandon esteve no Brasil para promover seu filme "Rajada de fogo". Na oportunidade, ele foi entrevistado por Sérgio Martorelli, da revista Cinemin. A entrevista é uma oportunidade para se saber um pouco mais sobre o ator, ei-la:

"Hi, I´m Brandon" - diz ele, humildemente, e chama este repórter para ver um pequeno milagre da natureza pela janela do hotel. Quem diria: Brandon Lee, filho de Bruce Lee e responsável por uma bela distribuição de tabefes no recente "Rajada de fogo", se emociona ao descobrir um ninho de pombos, feito com canudinhos de refrigerantes, na varanda do hotel Meridien. Adepto da filosofia indiana, Brandon é um jovem bem humorado, inteligente, e um tanto cínico quando fala da indústria cinematográfica; mas as duas coisas que mais o incomodam são as comparações com o pai e o excesso de violência nas telas. Confiram.

SM - ANTES DE ESTREAR NO CINEMA, VOCÊ ESTUDOU TEATRO COM LEE STRASBERG, ERIC MORRIS E LYNETTE KATSELAS; QUE TRABALHOS DESTE PERÍODO VOCÊ DESTACARIA?

BL - Gostei muito de atuar em "When you come back" e "Red Hider"; é um grande peça, e adorei fazê-la.

SM - E COMO FOI SUA TRANSIÇÃO PARA O CINEMA?

BL - Pode-se dizer que tive uma carreira muito rápida e muito curta, até agora: consegui o papel principal já em meu primeiro filme "Legacy of Rage", rodado em Hong Kong; logo em seguida, fiz "Massacre no bairro japonês", ao lado de Dolph Lundgren. Foi minha estréia no cinema americano.

SM - E QUE TAL?

Foi legal, embora o ângulo comercial e industrial de Hollywood me irrite um pouco. Lundgren é uma boa pessoa para se trabalhar e, apesar de ele ter sido o astro principal, não me importei, porque os melhres diálogos ficaram para mim! (risos)

SM - E AGORA VOCÊ É O ASTRO DE "RAJADA DE FOGO" QUE, INCLUSIVE, FOI ESCRITO PARA VOCÊ.

É. Gostei muito deste filme, especialmente das sequências de ação, que tive a oportunidade de coreografar; é o tipo de filme que faz as pessoas saírem do cinema dizendo "uau" e imitando meus golpes!

SM - E QUANTO A VIOLÊNCIA NESTE TIPO DE FILME?

É uma coisa que realmente me incomoda: nas recentes fitas de ação, há mais interesse em mostrar violência gráfica, explícita, do que uma boa história. Recentemte assisti a um filme de Steven Seagal e fiquei indignado com uma cena em um sujeito têm o braço quebrado, e o osso sai pela pele! Não sou obrigado a ver uma coisa dessas!

SM - ENTÃO VOCÊ DEVE TER DESTADO "A MOSCA", DE CRONEMBERG...

BL - Mas isso é diferente: "A Mosca" é um filme de horror, e a função de um filme de horror é fazer seu estômago revirar. Mas, num filme de ação, uma sequência dessas não faz sentido! Em "Rajada de Fogo", há violência, mas sugerida; um sujeito têm o nariz quebrado, você vê o sangue, mas não vê os ossos dele saindo pela testa; pessoas são baleadas, mas nenhuma delas têm os olhos arrancados a tiros ou coisa do gênero. Hoje em dia, os produtores e diretores de filmes de ação parecem estar competindo para ver que faz a melhor cena de destruição, a melhor mutilação....

SM - E ISSO É UM TENDÊNCIA GERAL? HÁ FILMES QUE TRATAM A VIOLÊNCIA EXCESSIVA COM CERTO HUMOR, COMO "MÁQUINA MORTÍFERA 3".

BL - Detestei Máquina Mortífera 3! Detestei mesmo! É estúpido! Mel Gibson sai do carro, olha para o lado, e um crime é cometido! Mel Gibson vai comer um hamburger, vai ao banheiro, olha para o lado, e um crime acontece! Isso é história? Não, apenas pretextos para cenas exageradas de ação e uma centena de dog jokes. Sabe o que são Dog Jokes? É quando, num filme, alguém diz uma piada ruim, corta para um cachorrinho cobrindo os olhos com as patinhas, e a platéia cai na gargalhada! Ridículo!

SM - MAS ISSO VALE PARA TODOS OS FILMES DE AÇÃO?

BL - Vale, sim. "Máquina" é terrível. "Alien 3" pavoroso. "Soldado Universal", idem. "Batman, o retorno", é razoável, mas..bem, há muitas reclamações sobre as liberdades que tomaram com os personagens, e o filme têm seus momentos. O grande problema é que, nas fitas de ação, ninguém se preocupa com os personagens, como eles vivem...Daí o resultado é como se estivéssemos vendo luzes na tela, meras explosões e tiroteios.

SM - FALANDO EM BATMAN, SEUS DOIS ÚLTIMOS FILMES TÊM CERTA INFLUÊNCIA DOS QUADRINHOS.

BL - É verdade. Sabe um personagem que eu gostaria de interpretar nas telas? O Wolverine dos X-Men (Nota: O personagem acabou sendo interpretado por Hugh Jackman em recente adaptação para as telas).

SM - TALVEZ VOCÊ TENHA A CHANCE DISSO - AFINAL, AGORA VOCÊ É CONTRATADO DA CAROLCO, QUE PRETENDO PRODUZIR OS FILMES DO X-MEN...

BL - Na verdade, a Carolco não vai produzir nada tão cedo; ela foi a falência.

SM - VERDADE? MESMO COM O SUCESSO DE "O EXTERMINADOR DO FUTURO"?

BL - Na verdade, foi por causa do "Exterminador 2" que ela faliu. Foi um filme muito caro, um investimento muito arriscado. Assinei um contrato com a Carolco, mas sou vou começar a filmar para eles assim que tiverem dinheiro. Tanto que meu próximo trabalho, "O Corvo", é pela Paramount.

SM - OUTRA FITA DE ARTES MARCIAIS?

BL - Não, completamente diferente. É um thriller sobrenatural, interpreto um astro de rock que é assassinado, mas volta para se vingar. Será dirigido por Alex Proyas, um diretor australiano novo e muito talentoso.

SM - QUEM VAI CO-ESTRELAR?

BL - Não sei. O filme ainda não entrou em produção. E por isso não gosto muito de falar de meus projetos futuros.

SM - MAS, AGORA QUE VOCÊ ESTÁ EM HOLLYWOOD, COM QUEM GOSTARIA DE TRABALHAR?

BL - Adoraria trabalhar ao lado de Robert de Niro, Robert Duvall, Gene Hackman e Gary Oldman, e ser dirigido por Martin Scorsese, Paul Verhoeven, James Cameron e Woody Allen, desde que ele fique longe de minha namorada (risos) - Vocês no Brasil, souberam o que aconteceu entre Woody e Mia Farrow?

SM - Já.

BL - Ele têm um filme novo, "Husbands and Wives", só que tiveram de trocar o título.

SM - MESMO? PARA QUAL?

BL - "Honey, I fucked the kids" (risos). Não, brincadeira, adoro Woody Allen.

SM - SEU PRÓXIMO FILME, É UM THRILLER DE HORROR, O QUE SIGNIFICA UM AFASTAMENTO DOS FILMES DE ARTES MARCIAIS...

BL - Mais ou menos. Daqui a uns vinte anos, eu gostaria de interpretar o personagem principal de "Shibumi", um livro de Trevanian; mas agora não tenho idade para isso.

SM - E QUANTO ÀQUELES QUE ESPERAM QUE VOCÊ SEJA UM SUCESSOR DE BRUCE LEE?

BL - Não gosto de ser comparado a meu pai. É uma coisa que me deixa zangado. Tenho meu próprio valor. Soube que, no Brasil, meu primeiro filme recebeu um título que o relacionava diretamente as fitas de meu pai. Considero isso uma exploração barata e de baixo nível. A propósito considero o pessoal responsável pela divulgação de filmes, uma raça inferior as baratas, e isso não é só no Brasil!

SM - MAS ESSE TIPO DE EXPLORAÇÃO AS VEZES TÊM RESULTADOS ENGRAÇADOS. VOCÊ SOUBE DO ENTERRO DE FREDDY KRUEGER?

BL - É, soube. Acho que, para meu próximo filme, vou participar da campanha publicitária, pulando do alto de um prédio e morrendo! Não vai ser muito bom para o resto da minha carreira, mas que vai fazer multidões assistire a fita, isso vai! (risos)

NOTA: Brandon Lee morreu no dia 31 de Março de 1993, poucas meses depois de ter vindo ao Brasil divulgar "Rajada de Fogo". E, certamente, triste e irônico, o comentário final de Brandon nessa entrevista.

BIOGRAFIA DE BRUCE:

Bruce Lee nasceu em San Francisco (Califórnia) em 27/11/1940 e formou-se em Filosofia na Universidade de Washington, mas tinha quase nada de Californiano. Bebê prematuro, sua mãe queria chamá-lo de Lee Jun Fan, mas a burocracia Norte Americana, exige um nome Americano. Uma das parteiras Bruce, e o casal Chinês, Grace Lee e Lee Hoi Chuen, concordou. Com Bruce ainda pequeno, a família Lee voltou para Hong Kong. Lá, ele demonstrou ser um garoto extremamente irritado, que passava trotes e brigava com os vizinhos, era sonâmbulo e tinha frequentemente pesadelos. Entre uma confusão e outra, contracenava com seu pai, ator da ópera Cantonense, em produções teatrais.
Estriou no cinema aos sete anos e fez vários filmes na infância e adolescência onde sempre interpretava personagens problemáticos. Na adolescência, matriculou-se numa escola de Wing Chun, uma das ramificações do Kung Fu. Foi uma tentativa pouco feliz de canalizar sua energia. Seus pais então o mandaram de volta aos Estados Unidos, onde ele deveria estudar e reconhecer sua nacionalidade americana. Aproveitando sua obsessão pela leitura, Bruce estudou Filosofia. Foi garçom, lavador de pratos e, claro, instrutor de Kung Fu, sobre o qual publicou um livro em 1962. Os Estados Unidos fizeram bem a Bruce. Em 1964 ele se casou com Linda Emery e mudou-se para a Califórnia onde deu aulas de Artes Marciais para vários atores, entre eles Steve McQueen e James Coburn. Ao participar do torneio Internacional de Artes Marciais de Long Beach, foi visto pelo produtor William Dozier que o convidou para fazer um teste na 20 Th Century Fox. O seriado iria se chamar "O Filho de Charlie Chan". O seriado acabou não saindo do papel, mas a Fox chamou Bruce para um papel secundário em "O Besouro Verde", onde ele interpretava o motorista mascarado do herói título. O seriado não foi um sucesso, mas se tornou cult após a consagração posterior de Bruce. Então Bruce ajudou a desenvolver o seriado Kung Fu, que contaria as aventuras de um Monge Shao Lin no velho oeste. Mas foi preterido pelo ator David Carradine. Decepcionado ele voltou a Hong Kong, onde o seriado O Besouro Verde era um grande sucesso. Então o produtor Raymond Chow o convidou para estrelar três filmes de um pequeno estúdio chamado Golden Harvest. "O Dragão Chines", "A Fúria do Dragão" e o "Vôo do Dragão", quebraram todos os recordes de bilheterias da Ásia. Isso não passou despercebido de Hollywood, a Warner o chamou para estrelar "Operação Dragão". Lançado em 1973, o filme se tornou um êxito mundial de bilheteria. Porém Bruce Lee morreu no dia 20 de julho de 1973, três semanas antes da estréia Americana de Operação Dragão. O filme criou um culto à memória de Bruce Lee e criou também um entusiasmo sem precedentes pelas artes marciais, tornando-as populares até os dias de hoje. A causa mortis de Bruce foi apontada como sendo edema cerebral agudo, causado por hiper-sensibilidade a um dos componentes químicos do analgésico equagesic, após sentir uma forte dor de cabeça. Esta é a versão oficial aceita pela própria família. Qualquer outra abordagem, não passará de mera especulação. O importante é que Bruce Lee deixou como herança uma filosofia de vida baseada no controle do corpo e da mente, além de uma maneira totalmente revolucionária de se abordar as artes marciais, que ele denominou Jeet Kune Do.

FILMOGRAFIA

HONG KONG:

1946 - Birth of Mankind
1950 - Kid Cheung
1953 - Blame it on father
1953 - In the face of demolition
1953 - A Myriad homes
1953 - A mother's tears
1955 - An orphan's tragedy
1955 - Love
1956 - Too late for divorce
1957 - The thunderstorm
1957 - The orphan
1971 - The Big Boss (O Dragão Chinês)
1971 - Fist of Fury (A Fúria do Dragão)
1972 - The Way of the Dragon (O Vôo do Dragão)
1978 - Game of Death (O Jogo da Morte)
1981 - Game of Death 2 ( O Jogo da Morte 2) - Montagem

ESTADOS UNIDOS:

1967 - The Green Hornet (O Besouro Verde)
1968 - Here comes de brides
1968 - Ironside, Blondie e Batman (pontas)
1969 - Marlowe (O Detetive Marlowe em ação)
1970 - Longstreet
1973 - Enter the Dragon (Operação Dragão)

OS MELHORES DOCUMENTÁRIOS:

1984 - Bruce Lee the Legend (Bruce Lee, a Lenda)
1993 - Bruce Lee the Curse of the Dragon (A Maldição do Dragão)
1993 - The Life of Bruce Lee (A História de Bruce Lee)
1997 - Bruce Lee the Immortal Dragon
1998 - Bruce Lee the Greatest
2000 - Bruce Lee A Warrior´s Journey
2002 - A Artes Marcial no Cinema
2003 - Death by misadventure the mysterious life Bruce Lee
2006 - Como Bruce Lee mudou o mundo
2011 - I am Bruce Lee
2012 - Bruce Lee in pursuit of the dragon

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