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16112018 - RAÍ VÊ "VALORES REPUGNANTES"  EM BOLSONARO E PREGA "RESISTÊNCIA COM O AMOR"...

Do UOL, em São Paulo
Marcello Zambrana/AGIF

A eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República deixou Raí "triste" e "assustado". Ex-jogador de São Paulo e Paris Saint-Germain, entre outros clubes, o atual executivo de futebol do clube paulista afirmou ter tentado convencer eleitores indecisos às vésperas do segundo turno entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT), mas afirmou que o próprio PT chegou às eleições com muitos problemas diante do eleitorado.

"Quando senti uma abertura, tentei convencer. Acho que mudei alguns votos, mas não tanto quanto gostaria. A grande maioria dos grandes partidos de esquerda não apoiava abertamente Haddad", explicou Raí em entrevista publicada nesta quarta-feira (31) pelo jornal esportivo francês L'Equipe. "Mas como convencer os eleitores se nem o PT conseguiu convencer seus pares? Assim, fica ainda mais difícil."

Embora não tenha declarado nominalmente o voto a Fernando Haddad na entrevista, Raí demonstrou incômodo com o resultado das eleições - especialmente por conta dos "valores absurdos e repugnantes" defendidos por Bolsonaro e por seus eleitores.

"Na semana passada, eu só pensava em política, valores, no futuro, meus amigos... Fui votar com convicção, escolhendo a opção com a qual mais me identifico. Eu estava preocupado, mas eu tinha uma pequena esperança dentro de mim. Depois dos resultados, fiquei triste e até assustado quando vi as reações do povo celebrando a vitória de um candidato que já mostrara valores absurdos e repugnantes", declarou.

Questionado a respeito do apoio de jogadores e ex-jogadores à candidatura de Jair Bolsonaro, como Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Felipe Melo, Raí avaliou o posicionamento como uma aposta conservadora em uma mudança.

"Eles o apoiam porque acreditam em um país melhor com ele. O futebol é um reflexo da sociedade. Especialmente seu lado conservador e suspeito", diz Raí, que busca uma explicação para a falta de posicionamentos contrários ao presidente eleito no meio futebolístico. "Eu acho que é por falta de cultura, cultura política também. Eles (jogadores críticos a Bolsonaro) não se expressam com ceticismo, têm medo da agressividade do público e porque se sentem minoria entre os jogadores de futebol."

'É preciso endurecer, mas sem perder a ternura jamais'

Ao jornal, Raí avaliou a eleição de Bolsonaro como o resultado do desejo do brasileiro por uma mudança, "às vezes guiada pelo ódio".

"Não tenho dúvidas de que muitos brasileiros não acreditam que o novo presidente ponha em prática os terríveis preconceitos inaceitáveis que ele falou em público. Espero que eles estejam certos... Mas para ter certeza disso, precisamos de uma forte resistência da sociedade civil e da oposição, que deve ser cuidadosa, agir com inteligência e, se possível, agir com amor ao próximo. Essa é uma noção essencial", disse Raí, que foi além.

"'É preciso endurecer, mas sem perder a ternura jamais.' Esta frase (de Che Guevara) é mais do que nunca relevante. Eu não defendo o comunismo, mas sim um novo humanismo democrático, inclusivo e sustentável. Devemos procurar um novo modelo de esquerda que seja eficaz e nos represente. Nós também precisamos de novos líderes."

'Não defendo o comunismo, mas sim um novo humanismo democrático, inclusivo e sustentável', disse Raí em entrevista a jornal francês.

Ao jornal francês, o dirigente são-paulino afirmou que a democracia brasileira precisará "mostrar que as nossas instituições são sólidas e incorruptíveis quando se trata de defender os valores essenciais da democracia ligados à nossa constituição". Entre tais valores, citou o respeito à diversidade, os direitos das minorias e das mulheres, a igualdade de gênero, o meio ambiente e redução das desigualdades sociais, entre outros.

"A revolução muitas vezes passa por resistência", afirmou. "A onda de Bolsonaro é o resultado de uma migração de todo o mundo para a extrema-direita. Em média, 25% da população mundial está se movendo nessa direção. Esta é uma figura impressionante e preocupante, que também é explicada pelos fracassos da esquerda democrática e da social democracia em que estou incluído", completou Raí, que pediu uma reinvenção da esquerda "sem perder a essência de sua ideologia".

05112018 - MORO TIRA A MASCARA - A DECISÃO DO JUIZ DE SER MINISTRO DE BOLSONARO MACULA RETROATIVAMENTE SUAS DECISÕES SOBRE LULA E O PT.

Do Jornal "El país"

A decisão de Sérgio Moro de aceitar a pasta da Justiça no futuro governo do ultradireitista Jair Bolsonaro exige uma análise retrospectiva de suas ações, exame do qual o superjuiz, percebido como o paladino nacional da lei no Brasil nos últimos anos, não sai ileso. Sua elevação ao status de herói da justiça começou em 2014, quando suas investigações sobre a corrupção na Petrobras abalaram a política nacional ao prender dezenas de executivos, empresários e políticos, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, pode ter marcado um gol notável entre seus eleitores. Mas Moro maculou sua carreira e fez um débil favor à Justiça ao aceitar o cargo de ministro.
Para começar, como revelou em uma entrevista o vice-presidente eleito, Hamilton Mourão, o cargo foi oferecido a Moro há algumas semanas. Mas depois de 1º de outubro, seis dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais, o juiz tomou uma decisão surpreendente que já naquele momento causou polêmica: tornou pública uma declaração de Antônio Palocci, ex-ministro de Lula de 2003 a 2006) e de Dilma Rousseff (em 2011), na qual este acusava o ex-presidente de ter conhecimento de todas as tramas corruptas da construtora Odebrecht e da Petrobras durante seu governo.
As revelações de Palocci, que tinham sido produzidas em março deste ano, foram reveladas pouco antes do primeiro turno sem que o juiz explicasse os motivos processuais para isso. Moro deveria esclarecer agora, no mínimo, se tomou a decisão antes ou depois de receber o convite para ocupar o ministério.
Não é este o único movimento estranho no longo histórico de Moro com Lula, a quem mandou prender em abril passado após sua condenação em segunda instância. Na ocasião, o ex-presidente liderava as pesquisas e Bolsonaro já se apresentava como candidato, segundo nas preferencias dos eleitores.
Moro condenou o ex-presidente por ter recebido um apartamento tríplex de uma construtora em troca de facilidades para negociar com a Petrobras. Durante os quatro anos que durou a instrução, o juiz deu mostras claras em várias ocasiões de agir por motivações políticas, afetando o processo eleitoral, principalmente contra o Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula.
Moro sempre negou que tivesse motivações diferentes das do direito e da lei, ou intenções de deixar a magistratura para passar diretamente à política. “Jamais, jamais. Sou um homem da justiça e, sem querer criticar, não sou um homem da política”, declarou ao jornal O Estado de S. Paulo há dois anos, em sua primeira entrevista como instrutor do caso Lava Jato. Já faz tempo, no entanto, que só os mais incautos acreditavam nisso de pés juntos.
Como resumiu de forma irônica Ciro Gomes, que concorreu à presidência este ano: “Moro tem de aceitar o convite [para fazer parte do Governo] porque não é um juiz, é um político e precisa assumir de vez sua vocação”. E a vocação não parece ter limites: em dois anos pode ser promovido ao Supremo Tribunal Federal (STF), como afirmou o próprio Bolsonaro, e alguns acreditam que o juiz também nutra aspirações para as eleições presidenciais de 2022.
Em uma declaração estranhamente premonitória, Moro garantiu no ano passado para a revista Veja: “Não seria apropriado da minha parte postular um cargo político, porque isso poderia, digamos assim, colocar em dúvida a integridade do trabalho que fiz até o momento”. O juiz tem toda razão. A democracia se baseia, entre outras premissas, em uma estrita separação de poderes e no império da lei. Os acusados têm direito a um juiz imparcial. A mera aparência de parcialidade pode ser causa de conflito de interesses, e a decisão do juiz Moro de se unir ao governo do presidente eleito, a cujo rival processou e condenou à prisão tão recentemente, sem dúvida inquieta os defensores de tal processo. O fato de Moro ser ministro de Bolsonaro joga de forma inevitável uma sombra retrospectiva sobre se Lula teve ou não um julgamento justo, ou se desfrutou do direito de ter um juiz imparcial. Mas o ex-presidente, hoje na cadeia, não é o único prejudicado. A imagem da justiça no Brasil, como um dos pilares da democracia, é a principal danificada pelo caso Moro.

05112018 - REQUIÃO CHAMA LAVA JATO DE PASTELÃO E DESAFIA DE MORO, DALLAGNOL, PF, CÁRMEM LÚCIA E RAQUEL DODGE.
31 de outubro de 2018

Em um de seus últimos discursos como senador (ele foi derrotado nas últimas eleições), o paranaense Roberto Requião (MDB) denunciou ontem “a pilhagem criminosa, desavergonhada do país” pelo governo Temer, que ele chama de “quadrilha de meliantes”.

O juiz Sérgio Moro sabe; o procurador Deltan Dallagnol tem plena ciência. Fui, neste plenário, o primeiro senador a apoiar e a conclamar o apoio à Operação Lava Jato. Assim como fui o primeiro a fazer reparos aos seus equívocos e excessos.

Mas, sobretudo, desde o início, apontei a falta de compromisso da Operação, de seus principais operadores, com o país. Dizia que o combate à corrupção descolado da realidade dos fatos da política e da economia do país era inútil e enganoso.

E por que a Lava Jato se apartou, distanciou-se dos fatos da política e da economia do Brasil?

Porque a Lava Jato acabou presa, imobilizada por sua própria obsessão; obsessão que toldou, empanou os olhos e a compreensão dos heróis da operação ao ponto de eles não despertarem e nem reagirem à pilhagem criminosa, desavergonhada do país.

Querem um exemplo assombroso, sinistro dessa fuga da realidade?

Nunca aconteceu na história do Brasil de um presidente ser denunciado por corrupção durante o exercício do mandato. Não apenas ele. Todo o entorno foi indigitado e denunciado. Mas nunca um presidente da República desbaratou o patrimônio nacional de forma tão açodada, irresponsável e suspeita, como essa Presidência denunciada por corrupção.

Vejam. Só no último o leilão do petróleo, esse governo de denunciado como corrupto, abriu mão de um trilhão de reais de receitas.

Um trilhão, Moro!
Um trilhão, Dallagnoll!
Um trilhão, Polícia Federal!
Um trilhão, PGR!
Um trilhão, Supremo, STJ, Tribunais Federais, Conselhos do Ministério Público e da Justiça.
Um trilhão, brava gente da OAB!

Um trilhão de isenções graciosamente cedidas às maiores e mais ricas empresas do planeta Terra. Injustificadamente. Sem qualquer amparo em dados econômicos, em projeções de investimentos, em retorno de investimentos. Sem o apoio de estudos sérios, confiáveis.

Nada! Absolutamente nada!

Foi um a doação escandalosa. Uma negociata impudica.

Abrimos mão de dinheiro suficiente para cobrir todos os alegados déficits orçamentários, todos os rombos nas tais contas públicas.

Abrimos mão do dinheiro essencial, vital para a previdência, a saúde, a educação, a segurança, a habitação e o saneamento, as estradas, ferrovias, aeroportos, portos e hidrovias, para os próximos anos.

Mas suas excelentíssimas excelências acima citadas não estão nem aí. Por que, entendem, não vem ao caso…

Na década de 80, quando as montadoras de automóveis, depois de saturados os mercados do Ocidente desenvolvido, voltaram os olhos para o Sul do mundo, os governantes da América Latina, da África, da Ásia entraram em guerra para ver quem fazia mais concessões, quem dava mais vantagens para “atrair” as fábricas de automóveis.

Lester Turow, um dos papas da globalização, vendo aquele espetáculo deprimente de presidentes, governadores, prefeitos a oferecer até suas progenitoras para atrair uma montadora de automóvel, censurou-os, chamando-os de ignorantes por desperdiçarem o suado dinheiro dos impostos de seus concidadãos para premiarem empresas biliardárias.

Turow dizia o seguinte: qualquer primeiroanista de economia, minimamente dotado, que examinasse um mapa do mundo, veria que a alternativa para as montadoras se expandirem e sobreviverem estava no Sul do Planeta Terra. Logo, elas não precisavam de qualquer incentivo para se instalarem na América Latina, Ásia ou África. Forçosamente viriam para cá.

No entanto, governantes estúpidos, bocós, provincianos, além de corruptos e gananciosos deram às montadoras mundos e fundos.

Conto aqui uma experiência pessoal: eu era governador do Paraná e a fábrica de colheitadeiras New Holland, do Grupo Fiat, pretendia instalar-se no Brasil, que vivia à época o boom da produção de grãos.

A Fiat balançava entre se instalar no Paraná ou Minas Gerais. Recebo no palácio um dirigente da fábrica italiana, que vai logo fazendo numerosas exigências para montar a fábrica em meu estado. Queria tudo: isenções de impostos, terreno, infraestrutura, berço especial no porto de Paranaguá, e mais algumas benesses.

Como resposta, pedi ao meu chefe de gabinete uma ligação para o então governador de Minas Gerais, o Hélio Garcia. Feito o contanto, cumprimento o governador: “Parabéns, Hélio, você acaba de ganhar a fábrica da New Holland”. Ele fica intrigado e me pergunta o que havia acontecido.

Explico a ele que o Paraná não aceitava nenhuma das exigências da Fiat para atrair a fábrica, e já que Minas aceitava, a fábrica iria para lá.

O diretor da Fiat ficou pasmo e se retirou. Dias depois, ele reaparece e comunica que a New Holland iria se instalar no Paraná.

Por que?

Pela obviedade dos fatos: o Paraná à época, era o maior produtor de grãos do Brasil e, logo, o maior consumidor de colheitadeiras do país; a fábrica ficaria a apenas cem quilômetros do porto de Paranaguá; tínhamos mão-de-obra altamente especializada e assim por diante.

Enfim, o grande incentivo que o Paraná oferecia era o mercado.

O que me inspirou trucar a Fiat? O conselho de Lester Turow e o exemplo de meu antecessor no governo, que atraiu a Renault, a Wolks e a Chrysler a peso de ouro e às custas dos salários dos metalúrgicos paranaenses, pois o governador de então chegou até mesmo negociar os vencimentos dos operários, fixando-os a uma fração do que recebiam os trabalhadores paulistas.

Mundos e fundos, e um retorno pífio.

Pois bem, voltemos aos dias de hoje, retornemos à história, que agora se reproduz como um pastelão.

O pré-sal, pelos custos de sua extração, coisa de sete dólares o barril, é moranguinho com nata,, uma mamata só!

A extração do óleo xisto, nos Estados Unidos, o shale oil , chegou a custar até 50 dólares o barril;
o petróleo extraído pelos canadenses das areias betuminosas sai por 20 a 30 dólares o barril; as petrolíferas, as mesmas que vieram aqui tomar o nosso pré-sal, fecharam vários projetos de extração de petróleo no Alasca porque os custos ultrapassavam os 40 dólares o barril.

Quer dizer: como no caso das montadoras, era natural, favas contadas que as petrolíferas enxameassem, como abelhas no mel, o pré-sal. Com esse custo, quem não seria atraído?

Por que então, imbecis, por que então, entreguistas de uma figa, oferecer mais vantagens ainda que a já enorme, incomparável e indisputável vantagem do custo da extração?

Mais um dado, senhoras e senhores da Lava Jato, atrizes e atores daquele malfadado filme: vocês sabem quanto o governo arrecadou com o último leilão? Arrecadou o correspondente a um centavo de real por litro leiloado.

Um centavo, Moro!
Um centavo, Dallagnoll!
Um centavo, Cármen Lúcia!
Um centavo, Raquel Dodge!
Um centavo, ínclitos delegados da Policia Federal!

Esse governo de meliantes faz isso e vocês fazem cara de paisagem, viram o rosto para o outro lado.

Já sei, uma das razões para essa omissão indecente certamente é, foi e haverá de ser a opinião da mídia.

Com toda a mídia comercial, monopolizada por seis famílias, todas a favor desse leilão rapinante, como os senhores e as senhoras iriam falar qualquer coisa, não é?

Não pegava bem contrariar a imprensa amiga, não é, lavajatinos?

Renovo a pergunta: desbaratar o suado dinheiro que é esfolado dos brasileiros via impostos e dar isenção às empresas mais ricas do planeta é um ou não é corrupção?

Entregar o preciosíssimo pré-sal, o nosso passaporte para romper com o subdesenvolvimento, é ou não é suprema, absoluta, imperdoável corrupção?

É ou não uma corrupção inominável reduzir o salário mínimo e isentar as petroleiras?

Será, juízes, procuradores, policiais federais, defensores públicos, será que as senhoras e os senhores são tão limitados, tão fronteiriços, tão pouco dotados de perspicácia e patriotismo ao ponto de engolirem essa roubalheira toda sem piscar?

Bom, eu não acredito, como alguns chegam a acusar, que os senhores e as senhoras são quintas-colunas, agentes estrangeiros, calabares, joaquins silvérios ou, então, cabos anselmos.

Não, não acredito.

Não acredito, mas a passividade das senhoras e dos senhores diante da destruição da soberania nacional, diante da submissão do Brasil às transnacionais, diante da liquidação dos direitos trabalhistas e sociais, diante da reintrodução da escravatura no país…. essa passividade incomoda e desperta desconfianças, levanta suspeitas.

Pergunto, renovo a pergunta: como pode um país ser comandado por uma quadrilha, clara e explicitamente uma quadrilha, e tudo continuar como se nada estivesse acontecendo?

Responda, Moro.
Responda, Dallagnoll.
Responda, Cármen Lúcia.
Responda, Raquel Dodge.

Respondam, oh, ínclitos e severos ministros do Tribunal de Contas da União que ajudaram a derrubar uma presidente honesta.

Respondam, oh guardiões da moral, da ética, da honestidade, dos bons costumes, da família, da propriedade e da civilização cristã ocidental.

Respondam porque denunciaram, mandaram prender, processaram e condenaram tantos lobistas, corruptores de parlamentares e de dirigentes de estatais, mas pouco se dão se, por exemplo, lobistas da Shell, da Exxon e de outras petroleiras estrangeiras circulem pelo Congresso obscenamente, a pressionar, a constranger parlamentares em defesa da entrega do pré-sal, e do desmantelamento indústria nacional do óleo e do gás?

Eu vi, senhoras e senhores. Eu vi com que liberdade e desfaçatez o lobista da Shell, semanas atrás, buscava angarias votos para aprovar a maldita, indecorosa MP franqueando todo o setor industrial nacional do petróleo à predação das multinacionais.

Já sei, já sei…. isso não vem, ao caso.

Fico cá pensando o que esses rapazes e essas moças, brilhantíssimos campeões de concursos públicos, fico pensando…..o que eles e elas conhecem de economia, da história e dos impasses históricos do desenvolvimento brasileiro?

Será que eles são tão tapados ao ponto de não saberem que sem energia, sem indústria, sem mercado consumidor, sem sistema financeiro público, para alavancar a economia, sem infraestrutura não há futuro para qualquer país que seja? Esses são os ativos imprescindíveis para o desenvolvimento, para a remissão do atraso, para o bem-estar social e para a paz social.

Sem esses ativos, vamos nos escorar no quê? Na produção e exportação de commodities? Ora…

Mas, os nossos bravos e bravas lavajatinos não consideram o desbaratamento dos ativos nacionais uma forma de corrupção.

Senhoras, senhores, estamos falando da venda subfaturada –ou melhor, da doação- do país todo! Todo!

E quem o vende?

Um governo atolado, completamente submerso na corrupção.

E para que vende?

Para comprar parlamentares e assim escapar de ser julgado por corrupção.

Depois de jogar o petróleo pela janela, preparando assim o terreno para a nossa perpetuação no subdesenvolvimento, o governo aproveita a distração de um feriado prolongado e coloca em hasta pública o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, a Eletrobrás, a Petrobrás e que mais seja de estatal.

Ladrões de dinheiro público vendendo o patrimônio público.

Pode isso, Moro?
Pode isso, Dallagnoll?
Pode isso, Cármen Lúcia?
Pode isso, Raquel Dodge?
Ou devo perguntar para o Arnaldo?

À véspera do leilão do pré-sal, semana passada, tive a esperança de que algum juiz intrépido ou algum procurador audacioso, iluminados pelos feéricos, espetaculosos exemplos da Lava Jato, impedissem esse supremo ato de corrupção praticado por um governo corrupto.

Mas, como isso não vinha ao caso, nada tinha com os pedalinhos, o tríplex, as palestras, o aluguel do apartamento, nenhum juiz, nenhum procurador, nenhum delegado da polícia federal, e nem aquele rapaz do TCU, tão rigoroso com a presidente Dilma, ninguém enfim, se lixou para o esbulho.

Ah, sim, não estava também no power point….
É com desencanto e o mais profundo desânimo que pergunto: por que Deus está sendo tão duro assim com o Brasil.

*Roberto Requião é senador da República no segundo mandato. Foi governador de estado por 3 mandatos, prefeito de Curitiba, secretário de estado, deputado, industrial, agricultor, oficial do exército brasileiro e advogado de movimento sociais. É graduado em direito e jornalismo com pós graduação em urbanismo e comunicação.

03082016 - DO QUE É FEITO O BRASIL?
POR FERNANDO HORTA

Não, a destituição de Dilma Rousseff não nos incomoda. Precisamos falar sério. Dilma não era líder de massas, não tinha história na política. Era uma burocrata alçada à presidência por um processo de impressionante transferência de votos que vieram de Lula. Dilma não fazia um bom governo, pendia irregularmente entre um trabalhismo conservador pontificado por um neoliberalismo (mal) disfarçado e um discurso garantista à la “onda rosa” europeia dos anos 70 e 80. Dilma não tem o dom da retórica. Tem história, mas não sabia usá-la. Seu maior discurso, até então, era uma resposta ao senador Agripino Maia dada ainda quando ministra da casa civil, entre 2005 e 2007. Rousseff se embananava na imensa maioria de suas falas e pouco conseguia instilar e inspirar na sua audiência. Como um “poste” se transformou na “coração valente”? Como se deu este milagre sabendo-se que sua assessoria de comunicação era a parte mais ignóbil e incapaz de todo seu staff (com folga)?

Em primeiro lugar, é preciso recordar que o processo de interpretação da realidade é sempre subjetivo. Falando mais abertamente, quem interpreta as coisas vê nelas o que quer ver ou o que consegue ver. O “coração valente”, portanto, está em quem olha, assim como está a “vaca” ou o “poste”. A trajetória de Dilma é pródiga em atos de coragem, mas isto pouca coisa significou até os últimos 60 dias. O que catapultou Dilma a condição que tem hoje foi a percepção da diferença entre ela e o Brasil. O contraste que nos foi oferecido durante o processo de impeachment é tão violento que não interessa quem foi (ou é) Dilma Rousseff, interessa entender do que é feito o Brasil.

Ainda incrédulos com o espetáculo dantesco nos oferecido pela Câmara dos deputados em 17/04 nós brasileiros, de direita, de centro e de esquerda nos horrorizamos com o que vimos. Brasileiros com cérebro custaram a acreditar que aquilo ali era uma parte substancial de nossa elite política. E a Câmara ficou órfã. Ninguém queria assumir a paternidade daquele horrendo monstro. A esquerda culpava a direita, a direita culpava a “ignorância” do povo, o povo … enfim o povo não entendia o que acontecia, mas sabia que aquilo era uma “luta entre ricos” e, portanto, também negava a paternidade. Os “deputados de ninguém”, aquele conhecido fenômeno (muito comum no RS) de políticos eleitos sem que “ninguém” tenha neles votado.

Depositamos nossa confiança no senado. Ali, diziam analistas, teremos um melhor espelho do que realmente é o Brasil. Assim também pensou o constituinte, pois atribuiu ao senado a obrigação da decisão final do impeachment. O que vimos nas manifestações dos senadores ocorridas até às 3 da manhã do dia 30 para o dia 31 de outubro foi, contudo, outro choque de Brasil. Não é possível que os discursos não tenham se alterado uma vírgula entre o início do processo de impeachment e o final. Horas de depoimentos de especialistas, de provas, de debates, arguições, textos e etc. tudo em vão. Era como se nada existisse. A acusação continuava com a catilinária barata do “quebrou o Brasil” e a defesa com o purismo do “não há crime, não há dolo”. Assistimos a um diálogo de surdos no senado. Desculpe, mas Isto não é o “devido processo legal”. Nunca se viu tamanho cinismo e desfaçatez.

Eis que os brasileiros com cérebro, seja de direita, de esquerda, de frente ou de ré; brasileiros vermelhos, azuis, amarelos ou cor-de-rosa; quaisquer seres pensantes que pisem sobre este imenso território estamos chocados. Se a Câmara nos mostrou um espetáculo de ignorância e incapacidade cognitiva o Senado nos mostrou um cinismo e uma inoperância política de impressionar. Este veredito não é difícil de se justificar. De fato, o brasileiro há muito é ensinado a desdenhar a política, isto é parte do jogo que os militares ensinaram e os políticos se jactam. Enquanto nós, cidadãos sérios, de direita, esquerda, ou de ponta cabeça não participarmos da política aquele show dos horrores continuará. Até aqui, entretanto, nada nos é novo. De onde, patavinas, sai a “coração valente”?

Eis que Dilma entra para a História do Brasil como o metro com que conseguimos medir nossa mediocridade. Enquanto nem a oposição pode chama-la de corrupta, mais de 70% dos senadores respondem a inquéritos ou estão condenados por crimes desta natureza. Enquanto o interino fazia conchavos nas sombras e se escondia em carros oficiais, ela adentrou o senado de cabeça erguida e lá ficou por mais de 14 horas. Kim sei lá eu o quê, convidado da direita no Senado, não suportou três horas na “tribuna de honra”. Tirando selfies, sentiu as dores do sentar no corpo jovem e retirou-se. A mulher de quase 70 anos que tinha sido escolhida como presidente, manteve-se incólume, sendo ofendida, maltratada, acusada e a tudo respondendo, calma e ponderadamente. O contraste foi tão evidente que até uma senadora, esposa de apoiador da ditadura e com patrimônio escondido da justiça eleitoral, congratulou a presidenta. Se errou, Dilma foi defender-se abertamente e ofereceu a si mesmo como prêmio a um Senado cínico. A diferença foi tão gritante que o Mundo não entende a nossa troca de Dilma por Temer.

Mas aí está sobre o que precisamos refletir. Dilma é de outra cepa. O Senado e a Câmara são feitos da mesma substância do Brasil. Esta é a beleza da Democracia. A ignorância de Felicianos e Magnos Malta é a mesma que se encontra aos cântaros Brasil afora. O empolamento elitista e preconceituoso de um Aloysio Nunes ou de um Cunha Lima é parte indelével de nossa classe média. O cinismo mudo de um Jucá ou de um Renan é característico de nossas elites. O desprendimento pueril de um Lindemberg ou de uma Grazziotin é também parte da nossa juventude. Aquilo lá é o Brasil, com seus acertos e erros, seus pontos fortes e fracos, suas barbaridades e tristezas. Os conchavos, as mutretas, a venda dos votos por cargos, o fisiologismo, a corrupção entranhada como modus operandi da política … é tudo o mais puro Brasil. Encontramos aquilo em qualquer canto do nosso país. Na coisa pública de cada cidadezinha e também nas empresas privadas. A Zelotes, quem diria, mostra isto todo o dia. Mega-empresários que faziam parte de “conselhos de gestão” são corruptos e sonegadores. Ninguém se salva, do médico que faz consulta mais barata sem recibo, passando pelo professor que inventa uma “saída de campo” sem sentido para diminuir suas aulas, ninguém se salva.

O Brasil é Lula, mas também é Fernando Henrique. Ali é disputa de brasis. O congresso muito bem nos representa. Daquilo ali tudo é que é feito o Brasil. É do fazendeiro escravocrata como Caiado ou da fazendeira autoritária (embora impressionantemente digna) de Katia Abreu. Tudo é Brasil. Dilma não. Dilma não é daqui. Dilma é feita de algo diferente e este contraste constrangeu até os perpetradores do golpe. A segunda votação pela retirada dos seus direitos políticos fez com que até um dos mais cínicos entre os cínicos, Cristóvão Buarque, ficasse envergonhado de si. A diferença entre ele e Dilma não cabe nesta galáxia e o pouco de humanidade que ainda lhe restava rasgou-lhe as vísceras. “Eu fico com ela” disse o golpista, num misto de sincericídio e vergonha.

Dilma finalmente se achou no Brasil. Ela viu que não é daqui. Porém, ao fazer isto Dilma nos mostrou do que somos feitos, do que o Brasil é feito, desde o tempo do império (que por sinal tinha representante da família real na “tribuna de honra” a favor do golpe). O Brasil é feito disto aí. Não há como se exigir mais. Não se pede aos outros o que eles não têm. Nossa pequenez nos saltou aos olhos, nos magoou a alma, deu-nos calafrios por compreendermos que nos falta substância. Foi terrível. Aquela mulher íntegra, altiva de mais de três metros de altura e uma voz tonitroante a nos humilhar fazendo chacota daqueles anões sórdidos e mentecaptos com suas teses insustentáveis.

Vá embora do Brasil Dilma! Vá e deixe-nos com nossa histórica pequenez. Não suportamos vê-la como você é, por isto criamos a ideia de um “coração valente”, porque não sabemos reconhecer nossa tacanhice.

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